Sorocaba e Região

Buracos e desníveis em calçadas colocam pedestres em risco por toda a cidade

Calçadas da região central têm falhas e prejudicam a mobilidade, principalmente de idosos e deficientes
Buracos no meio do caminho
Tocos e raízes de árvores, desníveis e buracos são obstáculos para quem anda pelo Centro. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (25/9/2019)

O direito de ir vir é de todo cidadão, mas quem passa pelas ruas da região central de Sorocaba muitas vezes precisa mudar seu caminho ou se equilibrar para não cair. A situação mais crítica está na praça Frei Baraúna, que tem enormes buracos e muitas pedras soltas. Na praça Coronel Fernando Prestes, assim como nas ruas Padre Luiz e Santa Clara, há desníveis e pisos quebrados, propícios para tropeços e quedas. A Prefeitura de Sorocaba informou que “até o final do ano uma equipe da Secretaria de Conservação, Serviços Públicos e Obras (Serpo) ficará responsável em verificar as calçadas do centro da cidade e realizar as devidas manutenções”.

Denice Trevelin, 55 anos, é uma das vítimas das más condições das calçadas do Centro. Ela lembra que já caiu na praça Coronel Fernando Prestes e além de escoriações, também quebrou um braço. A mulher, moradora do Residencial Carandá, relata que sempre que precisa ir à região central fica temerosa. “Eu sofri três derrames e o lado direito do corpo é parcialmente paralisado. Uso a bengala para me auxiliar, mas ainda assim é arriscado”, reclama.

Buracos no meio do caminho
É preciso olhar para o piso e prestar atenção para não ser surpreendido. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (25/9/2019)

Tombos frequentes

O aposentado José Deleto Lobo, 88, mora no Centro há seis anos e frequentemente observa pessoas caindo nas praças e nas calçadas. “Falta investimento e falta cuidado com a população.” Lobo afirma que os cadeirantes e os deficientes visuais são os mais expostos aos perigos e elenca a rua Santa Clara e a praça Arthur Farjado (conhecida como praça do Canhão) como os pontos com menor acessibilidade.

Leia mais  Entrevista do Cruzeiro do Sul com prefeito de Porto Feliz é cancelada
Buracos no meio do caminho
Madalena: “me ralei no chão”. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (25/9/2019)

Também já contabilizando tombos em decorrência dos desníveis de pisos em calçadas, a aposentada Madalena Souza da Costa, 70, conta hoje com uma acompanhante para ajudá-la. “Já me ralei no chão, mesmo tentando estar sempre atenta.” Moradora do Jardim Sol Nascente, ela conta que em seu bairro também encontra dificuldade de locomoção segura e usa uma bengala para ter mais firmeza entre um passo e outro.

Frei Baraúna

Morador do entorno da praça Frei Baraúna, o aposentado José Gilson da Silva, 63, descreve que já tropeçou diversas vezes nos buracos que rodeiam o prédio do Fórum Velho, mas nunca sofreu uma queda a ponto de se machucar. “Ando muito a pé por aqui, saio fazer compras e sempre presto muita atenção para não cair.” Ele reclama da falta de manutenção e afirma que há anos não há nenhum reparo no calçamento da praça.

Buracos no meio do caminho
É preciso olhar para o piso e prestar atenção para não ser surpreendido. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (25/9/2019)

Ao descer do ônibus na rua Cesário Mota, Dulcea Guedes Mendonça, 62, imediatamente foi auxiliada pela neta para andar pela calçada da praça Frei Baraúna. No local, além das pedras soltas que formam grandes crateras, há inclusive toco de árvore no meio do caminho.

Sobre as condições da praça Frei Baraúna, a Prefeitura de Sorocaba informou que a Serpo dá andamento a uma “licitação para a compra do material necessário aos reparos nas calçadas feitas em pedra portuguesa”. A Secretaria de Mobilidade e Acessibilidade (Semob) informou que fará uma vistoria nos locais citados para detectar os trechos e solicitar a correção.

Leia mais  Operação é montada para içar corpo de elefanta Haisa para exames

Bairros também têm problemas

Os problemas nas calçadas chegam a todas os bairros e segundo a Prefeitura de Sorocaba, anualmente são expedidas, em média, 235 intimações de reparo e lavradas 138 multas. A Secretaria de Planejamento (Seplan) informa que a legislação que disciplina as condições das calçadas é de 1970 e que as ações fiscalizatórias são feitas a partir de denúncias pelos canais de atendimento da Prefeitura.

Buracos no meio do caminho
Calçadas são desniveladas em rua do Jardim Gutierres. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (25/9/2019)

Quando constatada a irregularidade diante de imóvel particular é providenciada uma intimação para que os reparos sejam feitos no prazo de 15 ou 30 dias. “No caso de passeio completamente obstruído, a ação de desobstrução deve ser imediata”, conforme a Seplan. Caso a intimação não seja atendida no prazo estipulado e não tenha havido recurso, é providenciado um auto de infração e lavrada a multa, calculada por metro linear, que em 2019 tem o valor fixado em R$ 94,51 o metro.

Desrespeito

Proprietários de imóveis, porém, desrespeitam a legislação. Um exemplo fica no Jardim Gutierres, zona leste, onde as calçadas são desniveladas em algumas ruas. Na Vicente Decaria, por exemplo, há pelo menos dez imóveis em sequência com calçadas que formam degraus. As construções descumprem a lei número 9.313, de setembro de 2010, sobre a padronização e a acessibilidade dos passeios públicos.

Na Vila Santana também não faltam calçadas estreitas, sem pavimentação ou quebradas. Na rua Olavo Bilac, as raízes de uma árvore já quebraram todo o calçamento. Messias Gomes, 54 anos, é cego e conta que por toda a cidade há desrespeito à acessibilidade. “Na Vila Santana sempre tem contêiner na calçada, é comum cavalete e as guias rebaixadas são todas tortas. No Centro os comerciantes colocam manequins e placas e tudo isso nos atrapalha”, reclamou.

Leia mais  Entrega das urnas termina na madrugada deste domingo (29)
Buracos no meio do caminho
Messias cita ainda dificuldade com placas e cavaletes. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (25/9/2019)

Gomes perdeu a visão de forma gradual a partir de 1994 e é morador do Jardim Santo André, na zona norte. Em seu bairro os problemas também são recorrentes e aponta que uma solução para os deficientes visuais seria a instalação de pisos táteis por todo o município. “Atualmente só tem no Centro e falta manutenção, estão todos soltos ou foram mal planejados”, acusa.

Zona norte

Também deficiente visual, Carlos Alberto Bueno Tomonik, 56, morador do Parque Laranjeiras, aponta problema na avenida Ulisses Guimarães. No trecho da esquina com a rua José Belo, nas imediações de um campo de terra, a calçada não é pavimentada e os pedestres são obrigados a caminhar pela rua.

A Secretaria de Conservação, Serviços Públicos e Obras (Serpo) informou que faz uma revitalização no campo, inclusive com a construção de um vestiário. “Sobre o mato alto, uma equipe de reeducandos irá realizar a limpeza”. Quanto à calçada na rua José Bello, a Serpo afirmou que a empresa que está revitalizando o campo verificará a possibilidade de pavimentação. (Larissa Pessoa)

Comentários