Sorocaba e Região

BOS responde por 36% dos transplantes de córnea no Estado de São Paulo

Das 5.702 cirurgias realizadas no Estado em 2018, 2.045 foram feitas em Sorocaba
BOS responde por 36% dos transplantes de córnea em SP
Sorocaba tem a menor fila de espera de pacientes para o procedimento, segundo o BOS – Foto: Erick Pinheiro (28/09/2016)

O Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) responde por 36% dos transplantes de córneas realizados em todo o Estado de São Paulo. Em 2018, das 5.702 cirurgias registradas no Estado, 2.045 foram feitas pelo hospital. Apesar do número representativo, houve uma redução no volume de procedimentos realizados na instituição em relação ao ano anterior. Segundo o BOS, em 2017, foram 2.366 cirurgias, o que representou 46,5% do total de 5.089 transplantes realizados em todo o Estado.

Em janeiro deste ano também foi verificada uma redução no número de transplantes no comparativo ao mesmo período de 2018, que passou de 227 para 192, redução de 15,41%. Já em relação às doações do córnea, o número tem se mantido estável. Em janeiro deste ano, foram 926 captações, semelhante ao mesmo período de 2018, que somou 928 doações.

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Apesar da redução no número de cirurgias, segundo o superintendente do BOS, Edil Vidal de Souza, a fila de espera para o procedimento na cidade é de, no máximo, dois meses. “É a menor fila do Estado”, afirma. No Estado de São Paulo, conforme Souza, a espera pode chegar a um ano.

Atualmente, 2.457 pacientes aguardam a cirurgia no Estado, sendo 544 em Sorocaba e 363 no BOS. Do total de transplantes, cerca de 80% são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

BOS responde por 36% dos transplantes de córnea em SP
Edil, superintendente do BOS – Foto: Fábio Rogério (16/03/2018)

De acordo com Souza, a fila é nacional, mas as distribuições são realizadas por região. No entanto, pessoas de diversos estados vêm ao BOS para fazer o transplante. Segundo ele, a procura é maior entre moradores do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. “20% dos nossos transplantes, hoje, são feitos por cariocas”, conta.

As córneas captadas também são enviadas para diversas localidades. Souza aponta que muitas pessoas ficam receosas em relação à doação do tecido ocular por conta de mitos e questões religiosas. Ele aponta que as campanhas de conscientização são a melhor forma de propagar informações sobre o assunto.

Encaminhamento

Souza também explica que, para entrar na fila de espera, o paciente precisa passar por consulta com um oftalmologista. Caso seja constatada a necessidade do transplante, ele é inscrito na fila de espera estadual, por meio do envio de um documento à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. A relação de pacientes é administrada pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde.

Casos de urgência, destaca Souza, têm preferência na fila. No Estado, são consideradas de emergência situações como perfurações oculares, pacientes com menos de 7 anos de idade, rejeição à córnea menos de três meses após o transplante, entre outros.

Segunda chance

“Foi uma segunda chance que a vida me deu para tentar realizar o meu sonho (de estudar)”, diz Elaine Talma Saiane, de 55 anos, que voltou a enxergar após passar pelo seu primeiro transplante de córneas, há 36 anos.

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Portadora de ceratocone, Elaine começou a perder a visão aos 7 anos. Aos 14, ficou cega do olho esquerdo e, com o direito, conseguia ver apenas vultos. Devido à perda da visão, precisou abandonar a escola e deixar o emprego em uma agência de publicidade. A doença avançou gradativamente, até que ela ficou totalmente cega. “Era época de discoteca, e as meninas falavam de roupas, mas eu só tinha lembrança. Parece que eu vivia num mundo paralelo. Eu me sentia à parte de tudo”, relata.

No entanto, dois anos após ficar cega, ela conseguiu uma consulta no hospital Santa Catarina, em São Paulo.  Depois de quatro anos na fila de espera, passou pelo transplante de córneas e voltou a enxergar. Elaine, então, redescobriu o mundo. “Eu estava com a minha mãe na avenida Paulista, indo embora do hospital (após o transplante), quando olhei para baixo e vi uma formiga. Chorei muito ”, lembra. Após o transplante, Elaine realizou seu maior sonho: voltar a estudar. Concluiu os ensinos fundamental e médio por meio de supletivo e cursou Economia, Direito e Ciências Contábeis. Também fez Pós-Gradução em Psicopedagogia.

Há cerca de cinco anos, Elaine precisou fazer o retransplante da córnea do olho direito, por conta da idade. Dessa vez, realizou a cirurgia no Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), que ainda não havia sido fundado na época do primeiro transplante. (Vinícius Camargo – Programa de estágio / Supervisão: Rosimeire Silva)

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