Sorocaba e Região

Atividades marcam Dia da Consciência Negra em Sorocaba

Ato ecumênico, apresentações artísticas e feira marcaram passagem da data na cidade

Um ato ecumênico religioso na igreja João de Camargo, marcha da avenida Barão de Tatuí até à praça Frei Baraúna, apresentações artísticas e uma feira com produtos de inspiração africana marcaram nesta terça-feira (20) as comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra em Sorocaba. “Ter consciência e atitude, este é o único caminho do negro”, disse o ativista Bernardino Antonio Francisco, que é advogado e presidente do Conselho da Sociedade Cultural e Beneficente 28 de Setembro.

Ato ecumênico e exibição de capoeira foi realizado na igreja João de Camargo. Crédito da foto: João de Camargo

Bernardino contestou a importância do 13 de Maio, data que marca a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel em 1888, e disse que esse dia antigamente era usado para reivindicações. A data que importa, avaliou, é o 20 de novembro, que evoca a morte do líder negro Zumbi dos Palmares em 1695: “É o Dia da Consciência Negra.” Outras lideranças concordaram com Bernardino, como o presidente do Conselho Municipal do Negro, José Marcos de Oliveira.

O babalorixá Paulo de Ayrá vê importância nas atividades “para simbolizar a nossa resistência e a resistência construída pelos nossos antepassados com tudo o que eles fizeram para que possamos estar caminhando hoje”. O secretário de Cultura da cidade, Werinton Kermes, lembrou que a realização do ato ecumênico na igreja João de Camargo também é um símbolo de resistência afrodescendente porque aquela região, no começo do século passado, era ocupada pela população negra. “João de Camargo resiste e faz com que essa reflexão aconteça aqui”, comparou.
Além da localização da Igreja João de Camargo, na avenida Barão de Tatuí, essa origem histórica também explica a localização, naquela região (em bairros próximos como Vila Leão e Jardim América), do Centro Cultural Quilombinho e da escola de samba III Centenário. As vereadoras Iara Bernardi (PT) e Fernanda Garcia (Psol) também participaram das atividades na igreja e na marcha.

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Para o professor, poeta e educador Manoel Francisco Filho, as comemorações ressaltam dois aspectos: a lei que criou o 20 de novembro garante as atividades de promoção e valorizalção da cultura afrobrasileira, de um lado, e de outro, é um estímulo cultural à reflexão da sociedade brasileira: “A gente não vai construir uma nação enquanto não reconhecer e incorporar uma boa parte da população, que hoje está marginalizada. O racismo é um problema da sociedade brasileira, não apenas do negro.”

O presidente da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), Sérgio Reze, que também esteve na igreja João de Camargo, vê o debate de forma abrangente: “Eu acho que o Dia da Consciência Negra não é só hoje, é uma coisa maior. A consciência tem que ser vivenciada o ano inteiro. O importante é ter uma consciência cívica do que é o país, do que o país precisa, do que é a escola.”

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A marcha Zumbi & Dandara teve a participação de cerca de 250 pessoas, segundo os organizadores. Crédito da foto: Fábio Rogério

Marcha e canção
A marcha Zumbi & Dandara teve a participação de cerca de 250 pessoas, segundo os organizadores, ou cerca de 200, segundo agentes de trânsito. A caminhada foi aberta com uma faixa da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) e a mensagem “contra o feminicídio” como símbolo de combate à violência contra a mulher.

A canção “Sorriso Negro”, gravada por Dona Ivone Lara e o grupo Fundo de Quintal, cantada em coro na caminhada ao ritmo de palmas, animou os participantes: “Um sorriso negro / Um abraço negro / Traz felicidade / Negro sem emprego / Fica sem sossego /Negro é a raiz de liberdade.” José Marcos também disse que a marcha era um marco contra o racismo e a intolerância: “As vidas negras importam”.

Várias atividades
O ato ecumênico foi uma realização Centro Cultural Quilombinho, Capela João de Camargo e Secretaria de Cultura e Turismo. Houve apresentações artísticas com Maracatu e Maculelê e roda de capoeira. Havia representantes de entidades de terreiros de umbanda e camdomblé, bocos Krucatá e Maracatu Mukumby, União Sorocabana das Escolas de Samba (Uses), mestres de capoeira, integrantes do Fórum Hip Hop e conselhos municipais da Mulher, LGBT, Cultura e Educação.

Grupos fizeram apresentações artísticas com Maracatu e Maculelê. Crédito da foto: Fábio Rogério

A Feira Crespa, na praça Frei Baraúna, contou com diversas atrações culturais, com música, teatro, dança, sarau e desfile de beleza, além de cerca de 30 barracas que comercializarão produtos artesanais e alimentos de origem africana ou afro-brasileira.

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