Sorocaba e Região

Aos 90 anos, Estadão formou cidadãos que fazem história em Sorocaba

Personagens influentes no destino de Sorocaba e da região passaram pela escola
Corredor da Escola Estadual Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, o Estadão. Crédito da foto: Erick Pinheiro

A escola popularmente conhecida como ‘Estadão’ – e que tem a denominação oficial de Escola Estadual Dr. Júlio Prestes de Albuquerque – é um patrimônio de Sorocaba e entrou no século 21, completando 90 anos em 2018, em equilíbrio com a vocação de ser um celeiro de ensino. Agrega ainda os valores típicos de marcos que se projetam como vitrines da história. E gerou uma vasta galeria de alunos e professores que, em suas trajetórias de vida, tornaram-se personagens influentes no destino da cidade e da região.

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O atual prefeito de Sorocaba, José Crespo, e mais seis ex-prefeitos passaram pelas salas, salão nobre, escadas, corredores, pátio e bancos escolares do ‘Estadão’. Os seis ex-prefeitos são Renato Amary, Flávio Chaves, Vitor Lippi, Paulo Mendes, Theodoro Mendes e Armando Pannunzio.

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O setor artístico também registra uma ex-estudante ilustre do ‘Estadão’, a atriz Eliane Giardini, da Rede Globo, e o ator e diretor teatral Mário Pérsico. Além de Hely Grillo Mussi, e do arquiteto Ricardo Bandeira. O coronel da polícia militar João Oliveira Verlangieri também tem história no prédio. Professores admirados como mestres de gerações de estudantes escreveram seus nomes na história do ‘Estadão’, entre os quais Benecleto, João Tortello, Elzide Tanuchi e Regina de Fátima Matavelli.

Referência afetiva

Reunidas numa sala do ‘Estadão’ para falar dos 90 anos da escola, a diretora Arlete Fernandes Vellozo Dias, de 53 anos; a arte educadora Maria Antonia Seabra Almeida Costa, de 57 anos; a professora de História e orientadora do Grêmio Estudantil Silvia Mufald, de 52 anos, e o ex-aluno Luís Lima, de 24 anos, não economizam manifestações afetivas, emocionais e elogiosas sobre o prédio que faz parte de suas vidas.

Área externa do Estadão. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Luís Lima não tem dúvida sobre uma das características do prédio como estabelecimento de ensino: ‘É um dos mais conhecidos do interior de São Paulo, principalmente pela arquitetura’” Atualmente a estrutura congrega 32 salas de ensino regular, mais 58 salas de ensino de línguas num prédio anexo. A comunidade escolar do ‘Estadão’ é avaliada em cerca de 3 mil alunos. O centro de línguas da escolas tem entre os cursos mais procurados o japonês e o espanhol e oferece também o inglês, o francês, o alemão, o italiano.

Exemplo de inclusão

Nascido sem poder enxergar, Luís Lima passou a ter a visão central graças a uma cirurgia. Ele entrou no ‘Estadão’ em 2008, cursando a 8ª série. “Apesar de o ‘Estadão’ não oferecer a estrutura mais adequada do mundo em inclusão, tanto os funcionários quanto os alunos da escola foram extremamente receptivos, e nunca fui tratado com segregação aqui”, elogiou o ex-aluno que foi representante de sala de aula, membro do Grêmio Estudantil por duas gestões e um dos fundadores de uma torcida organizada da escola. Ele concluiu o ensino médio em 2011 e formou-se em administração de empresas.

“O Estadão me ajudou na minha composição de caráter e na forma de enxergar o mundo, aqui enxerguei a sociedade mais próxima de uma forma real”, diz Luís Lima. Atualmente, atua profissionalmente com recrutamento e seleção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, é técnico de orientação e mobilidade e ensina portadores de deficiência visual a utilizarem bengalas. Também é audiodescritor, profissional que usa a linguagem em auxílio a pessoas que não enxergam para que tenham noção próxima dos fatos nos momentos em que acontecem.

Tradição e qualidade no ensino público
Regina, Arlete, Sílvia, Luís e Maria Antônia: emoção ao falar da escola. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Relações de carinho

“Eu tenho um carinho muito especial por essa escola’, afirma a diretora Arlete, que voltou à escola nesse cargo em janeiro passado, depois de ter estudado ali na infância e adolescência. Ao reentrar na escola como diretora, emocionou-se com recordações dos tempos da infância e juventude. ‘Faz uma ideia do que é voltar aqui depois de 35 anos de ter deixado a escola como aluna?”, ela compara.

Experiência equivalente é a da professora Regina de Fátima Matavelli, de 60 anos: “Após sair como aluna, voltei 34 anos depois para ser professora de Português e Inglês”. Nessa escola, Regina também recorda que conheceu seu marido Manuel Carlos Lourenço, já falecido. Agora, para a professora amadurecida, dar aulas também é uma forma de unir as pontas do passado e do presente com as memórias de um lugar que combina saudade e prazer de contribuir com a preparação de gerações de jovens para o futuro.

Tradição e qualidade no ensino público
E.E. Dr. Júlio Prestes de Albuquerque é considerada um patrimônio no ensino público regional. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Pioneirismo é marca da história

Fundada em 13 de janeiro de 1928 e oficialmente instalada em 1º de março daquele ano, a escola ‘Estadão’ iniciou suas atividades em um prédio do bulevar Barão do Rio Branco. A unidade detém a iniciativa pioneira de ser o primeiro ginásio público de Sorocaba. E também a de oferecer o primeiro ensino médio da cidade, medida que contribuiu para atender à demanda de estudantes que até então eram obrigados a se transferir para outras regiões em busca desse curso.

Em 1932 foi criada a ‘campanha do tijolo’ para a construção do prédio próprio em terreno doado por Alberto Truijillo na avenida Eugênio Salerno. O projeto foi de autoria do engenheiro Júlio Bierrembach Lima.

Transformações

O primeiro diretor do ginásio público sediado no ‘Estadão’ foi o professor João Machado de Araújo. Em 1935 a escola tornou-se o Ginásio Estadual de Sorocaba e, em 1944, passou a ser o Colégio Estadual. Em 7 de agosto de 1946 recebeu a denominação de Colégio Estadual Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, em homenagem a uma figura histórica que é o patrono da escola.

Nascido em Itapetininga no dia 15 de março de 1882, Júlio Prestes formou-se em Direito pela célebre Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em São Paulo. Em 1924 elegeu-se presidente do Estado de São Paulo — cargo equivalente ao de governador nos dias de hoje. Elegeu-se presidente da República, mas não tomou posse em virtude da revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas. Deixou o País e retornou em 1942. Morreu em 9 de fevereiro de 1946. (Carlos Araújo)

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