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Sorocaba e Região

Acusado de matar a estudante Rafaela de Campos é indiciado por latrocínio

Paulo César Manoel, que nega a autoria do crime, deve ter a prisão temporária mudada para preventiva
Paulo César Manoel retornou para a prisão. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Paulo César Manoel, de 40 anos, apontado como o autor do assassinato da estudante Rafaela de Campos, 19, em maio, está oficialmente indiciado por latrocínio (roubo seguido de morte). A informação foi passada à imprensa nesta segunda-feira (1º) durante coletiva feita na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) com a delegada titular da unidade, Luciane Bachir, e pelo delegado seccional Marcelo Carriel. O seccional também aproveitou para esclarecer que a causa-mortis foi por asfixia mecânica, ou seja, que ao ser jogada no rio Sorocaba a jovem já estaria sem vida.

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O acusado negou a autoria do crime no depoimento prestado às 11h desta segunda-feira e que terminou pouco antes do meio-dia. Paulo Manoel reconheceu, por foto, Rafaela como a garota abordada por ele no ponto de ônibus da rua Paula Souza, e que a conduziu até abaixo da Ponte Francisco Delosso.

Segundo ele, eles teriam caminhado de mãos dadas, mas, para a Polícia, com base nas imagens de videomonitoramento, ele a puxava pelo punho. Ou seja, ela não caminharia em comum acordo com o estranho.

A delegada Luciane Bachir disse que Paulo Manoel não esclareceu o teor da suposta conversa que teria tido com a vítima para que ela o acompanhasse. E, apesar da DIG ainda não ter fechado o caso, aguardando novas diligências, o delegado Marcelo Carriel diz que todas as provas colhidas até o momento apontam o suspeito como o único envolvido, sendo que “ele também foi a última pessoa a ser vista com Rafaela em vida”, destacou.

Isso porque, conforme explicou o seccional, além das imagens mostrarem apenas Paulo César na cena do crime, o indiciado declarou ter ficado sabendo da morte da jovem somente quando já estava em São Paulo — sem conseguir explicar o motivo de ter rompido a tornozeleira eletrônica quando ainda estava em Sorocaba.

Outro indício que o liga à autoria do crime é de que o celular da Rafaela foi localizado em Cotia na posse de terceiros, sabendo-se que o mesmo foi adquirido em São Paulo, no dia em que ele fugiu para a capital. O celular já foi restituído à família da estudante, mas sua mochila não foi localizada.

O preso retornou ontem mesmo à Penitenciária Antonio Souza Neto, e a Polícia já requereu à Justiça que sua prisão temporária seja alterada para preventiva.

Ficha corrida

Os delegados também atentaram não poderem ignorar que Paulo Manoel estava preso em Sorocaba, na penitenciária Antonio Souza Neto por crime sexual. Embora Rafaela não tenha sofrido violência sexual, ela também teria sido levada à força para um local deserto, bem como a jovem, também de 19 anos, atacada pelo acusado em 21 de agosto de 2005, em São Paulo.

Na ocasião, o então atentado violento ao pudor (hoje estupro) aconteceu em torno das 18h30, com a vítima sendo levada à força até um matagal. Mas a Polícia foi avisada e conseguiu detê-lo fugindo entre o mato. Por esse crime, pelo qual foi condenado a dez anos e dez meses, é que ele estava preso em uma penitenciária que só recebe criminosos sexuais, e estava beneficiado pela saída temporária pelo Dia das Mães, embora sua mãe já seja falecida, quando Rafaela foi morta.

Outros crimes praticados por ele foram dois assaltos ocorridos em 1999 e em 2011, e dois furtos, ocorridos em 1998 e em 1999.

O caso

A estudante Rafaela de Campos, de 19 anos, foi encontrada morta na tarde do dia 27 de maio, em um trecho do rio Sorocaba, próximo à ponte Francisco Dellosso. Rafaela desapareceu na noite do dia 26, após prestar vestibular em uma faculdade situada na região central de Sorocaba, enquanto aguardava ônibus para retornar à sua casa, em Votorantim.

Ela teria deixado a faculdade por volta das 18h20 e parado de responder mensagens às 20h25. Como a jovem não voltou para casa naquele dia, familiares entraram em contato com a Polícia e registraram boletim de ocorrência por desaparecimento. No dia seguinte, o corpo da estudante foi avistado por pedestres e retirado do rio pelo Corpo de Bombeiros. (Adriane Mendes)

* Atualizado às 20h25

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