Sorocaba e Região

A desgastante rotina de quem depende do transporte especial em Sorocaba

Falta de itinerário fixo, atrasos e horas dentro do ônibus são alguns dos problemas enfrentados pelos usuários
A desgastante rotina de quem depende do transporte especial em Sorocaba
Um total de 707 pessoas são cadastradas pela Urbes, sendo 231 acompanhantes, para uma frota de 20 micro-ônibus. Crédito da foto: Emidio Marques

Crianças e adolescentes com deficiências múltiplas, cadeirantes e autistas enfrentam diariamente a dificuldade de se deslocar pela cidade. Mesmo utilizando o Transporte Especial, disponibilizado pela Urbes — Trânsito e Transporte, a falta de itinerário fixo, atrasos e horas dentro do ônibus causam mal estar e até desencadeiam crises nos usuários. Ao todo, 707 pessoas estão cadastradas no transporte especial e dessas, 231 são acompanhantes.

Moradores do Residencial Carandá, na zona norte de Sorocaba, Renata de Almeida, 48, e o filho Marcos Antônio, 15, diariamente aguardam o micro-ônibus do transporte especial em um ponto em frente ao condomínio Uirapuru. Ela conta que sempre chega ao local por volta das 10h40, já que o transporte não tem horário fixo para passar. “Nos dias de sol forte ele fica muito irritado nessa espera e os ônibus também não têm ar-condicionado. É muito sofrido por que tem criança que usa fralda, passa mal e eles chegam para estudar já irritados e sem energia”, reclama.

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Maria do Carmo com o neto Heitor: cada dia um caminho. Crédito da foto: Emidio Marques

A reportagem do Cruzeiro do Sul acompanhou Renata e o filho, que tem autismo, e também Maria do Carmo Missirolli, 60, avó do pequeno Heitor Jesus Missirolli, 9. Os dois meninos estudam na escola Cave de Sol, no Centro de Sorocaba. As aulas têm início às 13h, mas segundo mãe e avó, o ônibus chega até o local a partir de 11h50 e às vezes após o fechamento dos portões. “Diante do desgaste que vemos os alunos enfrentando, passamos a recebê-los meio-dia, mas já aconteceu de chegarem bem antes ou então atrasados”, relata Ana Maria Pravatta Barion, coordenadora pedagógica da escola Clave de Sol.

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Renata conta que vive em função do filho e para evitar se desgastar ainda mais, prefere aguardar o término da aula de Marcos Antônio andando pelo Centro da cidade. Às vezes a mãe também fica dentro da escola ou então se acomoda nos bancos da calçada. “Se eu deixá-lo aqui, voltar para a casa no ônibus comum até o Carandá e depois retornar para buscá-lo vou ficar ainda mais cansada.” O menino é muito apegado com a mãe e desde os seis anos frequenta a escola.

Já a avó de Heitor relata que começa a preparar o menino por volta das 10h e que a partir de 10h30 já fica pronta aguardando a passagem do ônibus. Neste caso o transporte passa na casa deles, no bairro São Bento e depois segue para o Residencial Carandá. “Cada dia faz um caminho diferente. Às vezes acabo indo com ele no ônibus normal, mas ele se irrita com o barulho e muitas vezes está lotado”, conta.

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Renata, com o filho Marcos Antônio: “é muito sofrido”. Crédito da foto: Emidio Marques

A mãe de Heitor, Angélica Missirolli, 36, relembra que no ano passado o menino ficou um período afastado da escola por recomendação da psiquiatra, já que o trajeto deixava o menino muito impaciente e cansado. “Ele desenvolveu uma síndrome do pânico e quando falava de ir para a escola ele já ficava assustado e não queria entrar no ônibus”, relata. Antes, Heitor passava o período da manhã na Creche Especial Maria Claro e depois seguia para a Clave de Sol, ambas conveniadas a Prefeitura de Sorocaba.

Fixo e eventual

De acordo com a Urbes, não existe itinerário fixo e nem hora correta para fazer embarque e desembarque de passageiros por conta também do uso eventual do transporte especial. A empresa pública, por meio de nota, informou que os usuários cadastrados podem fazer solicitações eventuais, ou seja, pedidos de encaixe para atividades além dos horários fixos programados. “Essas solicitações eventuais geram novos itinerários diários, em todas as programações, uma vez que a mesma frota faz os atendimentos fixos e eventuais.” Segundo a Urbes, para que não houvesse mais alteração de itinerário, seria necessário que pedidos eventuais não fossem atendidos, o que desagradaria os próprios usuários.

A empresa pública também apontou que os atrasos são ocasionados pelos usuários. “Cada um tem as suas especificidades e não é incomum haver crises de usuários no transporte, atrasando ainda mais os percursos”, justificou a Urbes.

Questionada sobre uma possível ampliação da frota, que hoje conta com 20 micro-ônibus, a Urbes informou que “já iniciou um processo licitatório, desvinculando o Transporte Especial do Transporte Coletivo”. A nova frota, segundo a empresa pública, deverá contar com veículos novos, sendo composta de micro-ônibus e vans, com ar-condicionado. Não foi divulgado o número total de novos carros e essa licitação encontra-se suspensa por questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE). (Larissa Pessoa)

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