Sorocaba e Região

A cada dois fumantes, um morre de doença relacionada ao tabagismo

No Dia Mundial Sem Tabaco, especialistas alertam sobre as consequências do tabagismo
Cigarro é principal causa de morte evitável
Consumo do cigarro aumentou entre pessoas de 18 a 24 e de 35 a 44 anos, segundo Ministério da Saúde. Crédito da foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS (30/5/2016)

No Brasil, embora tenha ocorrido redução do número de fumantes, o Ministério da Saúde aponta que houve aumento de consumo nas faixas etárias de 18 e 24 anos e 35 a 44 anos. Hoje, 31 de maio, é o Dia Mundial Sem Tabaco, e a pneumologista Rosana de Moraes Valladares destaca que a cada dois fumantes, um morre de doença relacionada ao tabagismo. A médica também afirma que fumantes vivem, em média, dez anos a menos do que pessoas que nunca fumaram.

Rosana explica que entre as várias doenças relacionadas, as principais são as cardiovasculares, cânceres e doenças respiratórias. “O tabagismo é a principal causa evitável de morte no mundo, contribuindo diretamente para ao menos 20% de todos os óbitos”.

A pneumologista conta que as melhorias após parar de fumar surgem rapidamente. Segundo ela, duas horas depois de fumar já não há nicotina no sangue; após oito horas, o nível de oxigênio já se normaliza; após 12h a 24h o hálito melhora e o cheiro do cigarro não é mais perceptível; nesse mesmo tempo, os pulmões já começam a funcionar melhor; após dois dias o olfato já passa a sentir melhor os cheiros e o paladar fica mais preciso. Rosana também conta que em até três semanas a pessoa já percebe que respira melhor, assim como a circulação fica mais eficiente.

Cigarro é a principal causa de morte evitável

Quando uma pessoa para de fumar ela também diminui a probabilidade de ter úlcera no estômago e intestino. Após um ano sem fumar, o risco de morte por infarto iguala-se ao de pessoas que nunca fumaram, segundo a pneumologista. Depois de 20 anos longe do tabaco, o risco de desenvolver câncer de pulmão também torna-se igual ao de pessoas que nunca tiveram o vício.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) também divulgou que cerca de 13% de todos os novos casos de câncer são de pulmão. A última estimativa mundial, de 2012, apontou incidência de 1,8 milhão de casos novos, sendo 1,24 milhão em homens e 583 mil em mulheres. No Brasil, a doença foi responsável por 26.498 mortes em 2015. No fim do século 20, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis.

Palestra

O Dia Mundial Sem Tabaco será celebrado pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Políticas sobre Drogas (Sepod), com apoio do jornal Cruzeiro do Sul, com uma palestra do médico José Rosalvo Santos. O evento será nesta sexta-feira (31), às 9h, no auditório do Jornal Cruzeiro do Sul, que fica na avenida Carlos Reinaldo Mendes, 2800, no Alto da Boa Vista.

 

O objetivo é conscientizar a população sobre os danos à saúde, sociais, políticos, e econômicos que o uso do fumo pode causar. Durante o encontro, Maia pretende tratar de tópicos como a prevenção, meios de se livrar do vício e de recuperação da saúde, citando os danos causados pelo tabagismo. O evento é destinado aos servidores municipais e para alguns segmentos convidados (associações, entidades), tendo como objetivo principal a formação de agentes multiplicadores.

UBSs têm grupos de apoio para auxiliar ex-fumantes

Quem quer parar de fumar pode buscar auxílio em uma das seis Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Sorocaba que fazem parte do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). O tratamento gratuito tem o objetivo de reduzir o número de fumantes no Brasil e, consequentemente, a mortalidade e doenças associadas ao uso do cigarro. Ele também está disponível no Caps Roda Viva.

O trabalho é realizado nas UBSs pelo Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF) que se mobiliza para captar e orientar os usuários que desejam parar de fumar. As pessoas que fazem parte do grupo contam com acompanhamento de psicólogo, nutricionista, farmacêutico, educador físico, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. “Qualquer pessoa pode vir aqui espontaneamente e receber essa ajuda para se livrar do vício”, conta a enfermeira e supervisora de área Diessika Silveira.

A duração do tratamento, segundo a Secretaria de Saúde (SES) é de um ano e além da medicação, a unidade pode incluir rodas de conversa, palestras, dinâmicas, práticas integrativas como auriculoterapia e relaxamento. “Logicamente a presença médica é importante, mas as pessoas devem saber que na UBS há muito mais à disposição da comunidade”, destaca Diessika. Nos encontros também são disponibilizados folders educativos, que abordam temas voltados aos malefícios que o cigarro traz além das abordagens motivacionais.

Para ter acesso ao tratamento, o interessado deve ir a uma das UBSs credenciadas para verificar a disponibilidade de vagas. As unidades que contam com o atendimento são: UBS Ulisses Guimarães, UBS Cajuru, UBS Vila Haro, UBS Vila Barão, UBS Nova Sorocaba, UBS Nova Esperança e Caps Roda Viva (rua Padre José de Anchieta, 295, no Centro).

Aplicativo ajuda fotógrafa a deixar o vício

Vício vem do termo latino vitium, que significa falha ou defeito e é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado. O vício em tabaco é o principal fator de risco para desenvolvimento de câncer de pulmão, o que resulta em aproximadamente 85% dos casos da doença, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Livrar-se desse vício é um desafio e superá-lo diariamente é motivo de orgulho. A fotógrafa sorocabana Nátali Hernandes, 32, começou a fumar aos 14 anos e está livre do cigarro há exatos 429 dias.

Para essa batalha contra o tabaco, Nátali faz uso de um aplicativo para smartphone que produz estatísticas relacionadas ao fim do vício. Em mais de um ano sem tabaco, Nátali deixou de fumar mais de 8.500 cigarros e economizou mais de R$ 3.300. “Já fazia dois ou três anos que eu ensaiava parar, muito por conta da saúde mesmo e hoje eu vejo que tudo na minha vida melhorou. Fisicamente eu estou muito melhor, além da economia que tenho feito e assim consigo investir mais em equipamentos de fotografia”, conta.

Através do aplicativo há também uma estimativa de dias de vida recuperados com o fim do consumo em tabaco. Nátali teria ganhado 36 dias a mais após colocar no passado 18 anos de vício e assim diminuiu em 23% as chances de desenvolver câncer de pulmão. “O cigarro entrou na minha vida pelo círculo familiar. Todos fumavam em casa. Minha mãe parou há quase dez anos e meu irmão também deixou de fumar há bastante tempo”, conta a fotógrafa, que relembra que o cheiro que o cigarro deixava era uma das coisas que mais lhe causava constrangimento.

Nátali relembra que sempre que fotografava crianças se sentia envergonhada e evitava conversar. “Eu não queria que elas sentissem aquele cheiro ruim.” Ela também trabalha fotografando em baladas e conta que no início ver as pessoas fumando causava vontade de sucumbir ao vício. Desde que começou a viver sem cigarro, Nátali relatava nas redes sociais sobre como estava lidando com a abstinência e isso também a ajudou a se manter longe do tabaco. “Eu sou muito orgulhosa e sempre tem gente que torce contra, então expor esse caminho tornou a situação mais aberta e consequentemente arrumei vários fiscais”, brinca.

Hoje Nátali se sente mais disposta, com mais liberdade criativa, menos ansiedade e notou mudanças até na sua estrutura corporal. “Hoje eu sinto que sou o que de fato o meu potencial permite e deixar o tabaco me fez também ter uma alimentação melhor e praticar muito mais atividade física”, relata. Logo que parou de fumar, Nátali conta que por conta da ansiedade, acabou comendo muito doce, mas passado um ano do fim do vício, ela sente que a vida sem o cigarro já segue seu curso natural. “Não me imagino fumando nunca mais.” (Larissa Pessoa)

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