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Sorocaba e Região

26% dos sorocabanos têm alguma deficiência

Fórum da Inclusão marca a celebração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência em Sorocaba
26% dos sorocabanos têm alguma deficiência
Concurso público foi o caminho para inclusão da GCM, que teve paralisia infantil. Crédito da foto: Emidio Marques (2/12/2019)

Aproximadamente 172 mil sorocabanos convivem com algum tipo de deficiência, o que representa 26,4% da população total da cidade. Os dados são do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPcD), com base no levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesta terça-feira, dia 3 de dezembro, é celebrado o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e a data levanta discussões que vão desde a acessibilidade até a inclusão no mercado de trabalho.

Do total de pessoas com deficiência na cidade, a maioria dos casos são considerados leves. Segundo a Secretaria da Cidadania e Participação Popular (Secid), as deficiências visual, auditiva e motora, juntas, afetam 126 mil moradores de Sorocaba de maneira menos agressiva. Os casos de cegueira completa e deficiência visual grave somam 18 mil. Já na deficiência auditiva grave ou total são sete mil as pessoas acometidas.

Outros três mil sorocabanos convivem com a deficiência motora integral e mais de dez mil são considerados casos graves. Há também as pessoas com deficiência intelectual, que segundo a Secid, passam de nove mil em Sorocaba.

A Coordenadoria de Desenvolvimento Social da Pessoa com Deficiência (CMPcD) faz parte da estrutura da Secid e tem por função coordenar, formular, promover e acompanhar ações e projetos relativos à população com deficiência. Entre as ações há a intervenção em casos que envolvem a Urbes, Secretaria da Igualdade e Assistência Social (Sias), INSS e Defensoria Pública, por exemplo. Ambos estão sediados na rua João Gabriel Mendes, 351, na Vila Gabriel.

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Serviço

Em Sorocaba há também uma grande rede de entidades que oferecem atendimento especializado para pessoas com vários tipos de deficiência. As instituições conveniadas atualmente são: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Sorocaba (Apae); Associação Pró-ex de Sorocaba; Profissionalização e Socialização do Deficiente Auditivo de Sorocaba (Integra); Associação Amigos dos Deficientes (Amde); Lar Espírita Ivan Santos de Albuquerque; Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Sorocaba (Apadas); Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais (Asac), Associação Amigos dos Autistas de Sorocaba (Amas) e Instituição Terapêutica de Grupos de Habilitação e Reabilitação (Integrar).

Programação

Nesta terça-feira acontece o Fórum da Inclusão. O evento acontece no auditório da Sias, localizada na rua Santa Cruz, 116, no Centro. A abertura oficial será às 9h, com pronunciamento de autoridades e uma apresentação do “Inclusão na Lata”, canal de vídeos do Youtube que, desde novembro de 2017, apresenta informações relacionadas ao universo da pessoa com deficiência.

A sequência prevê as palestras da Diretoria Regional do Trabalho do Ministério da Economia, sobre a fiscalização da legislação trabalhista; do Programa Embaixadores da Inclusão e da Alegria, da Padaria Real; do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), sobre atendimento digital, aposentadoria e atendimento à reabilitação; e do Conselho Regional de Psicologia (CRP), sobre trabalho e saúde mental.

Após um intervalo, o cronograma será retomado às 13h, com apresentações sobre oportunidades de qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho, por meio da Universidade do Trabalhador, Empreendedor e Negócios (Uniten), do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), e o Senac Sorocaba. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) 24.ª Subseção de Sorocaba também participa abordando aspectos ligados à legislação, direitos e benefícios.

Segundo a coordenadora de Desenvolvimento Social da Pessoa com Deficiência da Secid, Sandra Mara de Moraes, as mudanças no cenário no mercado de trabalho brasileiro motivaram a escolha do tema. “Pretendemos mostrar os principais desafios e possibilidades para aproximar oportunidades de qualificação profissional, as empresas e pessoas com deficiência que buscam por emprego”, explica.

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Maria Aguiar completa 16 anos na Guarda Civil Municipal

A luta pela inclusão no trabalho formal de trabalho é uma das bandeiras levantadas pelas pessoas com deficiência e para Maria Aguiar, 49, essa conquista só veio através de um concurso público. Ela foi aprovada há 16 anos para integrar a Guarda Civil Municipal (GCM) de Sorocaba e hoje atua na recepção do 6º andar do Palácio do Tropeiros.

Ela relembra que sua aprovação veio através do sistema de vagas reservadas para pessoas com deficiência. Entretanto Maria conta orgulhosa que teria sido aprovada mesmo se concorresse fora do sistema já que, em 2003, a prova foi igual para todos; incluindo o teste de aptidão física que era aplicado à época. Ela lembra ter sido avaliada pela perícia médica da Prefeitura, que atestou sua plena aptidão para exercer a função.

Aos quatro meses de idade, Maria foi diagnosticada com paralisia infantil (poliomielite), uma doença contagiosa que pode atingir crianças e adultos e que tem na vacinação a única forma de prevenção. Natural de Santa Maria, no interior do Paraná, ela ficou com uma atrofia parcial no pé direito, o que a obriga a usar uma palmilha especial para atenuar as diferenças no comprimento de uma das pernas. Sua deficiência, conta, é quase imperceptível e muitos colegas desconhecem sua condição especial.

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Nos dezesseis anos de carreira, Maria já atuou em serviços externos, na área administrativa e em outras funções, como na central de rádio das viaturas da GCM. “Fui secretária de três comandantes e, atualmente, fico na recepção do gabinete da prefeita”, disse.

A servidora pública conta que sempre teve uma vida normal e que só sentiu o “peso” da deficiência na adolescência. “Queria usar minissaias, vestidos, shorts, mas ficava encucada com estas coisas. Afinal, exporia as diferenças das minhas pernas e isso deixa qualquer adolescente incomodado”, contou aos risos. “Tenho certeza absoluta, que isso me fez mais forte. Deus nunca nos dá um fardo que não possamos carregar”, comentou.

Maria hoje fala sobre o seu problema no pé com naturalidade e tem uma vida normal. Mãe de três filhos e avó do Henrique, de dois anos, ela se considera uma pessoa feliz e realizada pessoal e profissionalmente, justamente, porque soube superar as adversidades e saiu delas mais confiante e fortalecida. (Larissa Pessoa, com informações da Secom)

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