Sorocaba e Região

Sorocaba sedia nesta sexta o 1º Simpósio Metropolitano de Saneamento

Evento contou com a presença do secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Ricardo Borsari
Objetivo do encontro é compartilhar ideias sobre o tema. Foto: Fábio Rogério

Sorocaba sediou nesta sexta-feira (09), pela manhã e à tarde, o 1º Simpósio Metropolitano de Saneamento. O evento ocorreu no auditório do Jornal Cruzeiro do Sul e contou, entre outras autoridades, com a presença do secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Ricardo Borsari; do diretor-geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Ronald Pereira da Silva; e do secretário municipal de Saneamento, Alceu Segamarchi; além de representantes de cidades da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Nas palavras de Ronald, a proposta era a de compartilhar experiências de êxito no tema com outros municípios e também aprender com outras trazidas ao debate.

A cidade, atualmente, tem 96,5% de esgoto tratado e 99% de água tratada para a população, destacou o diretor-geral do Saae. “Mas Sorocaba não é uma ilha. Temos que compartilhar ideias e aprender. Isso porque, no Brasil, ainda temos 35 milhões de pessoas que não têm esgoto tratado. A área de saneamento é uma área ligada diretamente à saúde da população”, afirmou, acrescentando que, no último ranking do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), de 2016, Sorocaba ficou no 22º lugar entre as 100 maiores cidades do País.

Sobre a integração entre os municípios da RMS para melhorias no saneamento, o secretário municipal de Saneamento elencou a despoluição dos rios como parte importante. “Embora a região esteja dividida em municípios, a natureza nem sempre obedece esses limites. Veja bem, se Votorantim não estiver imbuída no mesmo objetivo que a gente de cuidar do Rio Sorocaba, o resultado não é o mesmo.” Lembrou, então, da futura Estação de Tratamento de Água (ETA) Vitória Régia, que, a partir de 2020, deve captar e tratar água do Rio Sorocaba. “Isso é possível porque hoje o rio é despoluído”, declarou.

Em relação aos principais investimentos para a área, Ronald citou a ampliação em andamento da Estação de Tratamento de Esgoto 1 (ETE-S1) e adiantou que, nos próximos meses, também serão iniciadas as ampliações da ETE-S2 e ETE-Pitico. E garantiu que as obras do Reservatório de Detenção de Cheias (RDC) no entroncamento entre as avenidas Bento Jequitinhonha e Washington Luiz terminarão no início de 2019. “Ali é uma obra que, em oito anos, esteve muito lenta, praticamente parada. Com o término, evitaremos muitas enchentes.”

Entre os pontos positivos compartilhados pelos representantes de Sorocaba no tocante ao saneamento, ainda foi pontuada a captação de recursos. Segamarchi lembrou que, em março, Sorocaba conseguiu financiamento de R$ 116 milhões em recursos do Ministério das Cidades para investir em ações de saneamento. O valor foi o maior entre 90 contratos firmados pela União com municípios brasileiros.

Secretário estadual destacou a importância da despoluição do rio Sorocaba. Foto: Fábio Rogério

Perda de água tratada é desafio para o setor

Entre as autoridades ouvidas pelo Cruzeiro do Sul, houve unanimidade em relação ao maior desafio envolvendo o saneamento: a necessidade de se combater a perda de água tratada, causada, sobretudo, pelo uso irracional do recurso hídrico. “A gente enfrentou recentemente uma situação de escassez hídrica nunca antes observada nesse Estado. O grande desafio hoje é garantir a água para todos, em quantidade e qualidade”, declarou o secretário estadual da pasta. “Temos que trabalhar fortemente dois aspectos primordiais do saneamento: o controle de perdas e o reuso de água. Essas são duas etapas da universalização do saneamento que vão conferir qualidade e sustentabilidade ao sistema”, completou Borsari.

O diretor-geral do Saae comentou que, desde o início da gestão, em janeiro de 2017, o Saae passou a ter um olhar mais clínico neste sentido, para combater o que chamou de um “mal”. Falou que a autarquia elaborou um plano e, atualmente, tem um setor inteiro dedicado à perda de água tratada, com quatro engenheiros atuando. “Hoje, o nosso índice de perdas gira em torno de 38%, mas esperamos que, até o fim de 2020, o percentual diminua para 10%”, projetou. “Considero o combate à perda de água tratada um dos maiores desafios de qualquer empresa de saneamento no mundo”, completou.

Borsari avaliou, ainda, que a preocupação com saneamento de qualidade tem evoluído cada vez mais. “Quando me formei, 40 anos atrás, o saneamento estava longe de ser uma prioridade municipal e hoje vemos que não é mais assim.”

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Esdras Pereira