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Milhares de fiéis participam da tradicional Romaria de Aparecidinha

A romaria de Aparecidinha realizada neste domingo (8) em Sorocaba registrou soltura de fogos em pelo menos dois pontos: na avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, região da Vila Rica, e na chegada ao bairro de Aparecidinha. O estouro de rojões contrariou a previsão da Igreja Católica de que não haveria fogos. A lei municipal 11.634 inclui na Lei do Silêncio a proibição de soltura de fogos de artifício com som acima de 65 decibeis em áreas públicas.

Romeiros identificram os fundos de uma empresa particular, na avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, como o ponto de onde partiram os fogos durante a passagem da imagem de Nossa Senhora Aparecida conduzida em procissão. Na entrada do birro de Aparecidinha, o local de origem dos fogos não foi identificado. Na sexta-feira, o padre Ricardo Chizzolini, pároco do Santuário de Aparecidinha, informou que a igreja nunca organizou soltura de fogos e que a organização do evento recomendou aos fiéis que evitassem essa prática.

Como acontece anualmente em todo segundo domingo de julho, a romaria conduziu a imagem da Santa da Catedral Metropolitana, após uma missa celebrada às 5h, para o Santuário de Aparecidinha. No percurso de 16 quilômetros que tem início na praça Coronel Fernando Prestes e segue por avenidas como a São Paulo Engenheiro Reinaldo Mendes e Três de Março, milhares de romeiros se juntaram à multidão. A imagem chegou às 10h40 em Aparecidinha, onde foi celebrada uma nova missa pelo arcebispo Dom Julio Endi Akamine.

Segundo cálculos da Guarda Civil Municipal (GCM), que participou da organização do fluxo de veículos e pessoas junto agentes da Urbes, a estimativa é de que a romaria atraiu um público de 18 mil pessoas. Isso é menos da metade da previsão de 40 mil pessoas anunciada pelos organizadores na sexta-feira. O fim de semana de feriado prolongado, que favorece viagens, pode ter contribuído para a queda de público.

O fluxo de pessoas na romaria oscila muito de acordo com os perfis. Muita gente vai somente às duas missas, realizadas na partida do centro e na chegada ao bairro., e aproveita para circular no comércio local. Outros acompanham trechos do percurso. E outros ainda entram na multidão no meio do trajeto.

Demonstrações de fé

No percurso, demonstrações de fé e devoção em Nossa Senhora Aparecida emocionaram o público. Um grupo de pessoas caminhou a pé. Outros fiéis levaram nas mãos terços, velas, flores, imagens da Santa. Muitos se juntaram próximos ao andor com a imagem da Santa.

Realizada em manhã de inverso com sol e calor agradável, a procissão juntou pessoas solitárias e grupos familiares que reuniram pais, filhos, netos, irmãos. Casais levaram filhos em carrinhos de bebê. Entre as adesões de perfil religioso, esportistas aproveitaram o evento também para o treino leve de uma longa caminhada.

No caminho, foram várias as cenas de pessoas que se encontraram e se cumprimentaram com abraços e apertos de mão. Entre pessoas conhecidas, o prefeito José Crespo foi visto caminhando em meio aos fieis. O arcebispo Dom Julio Endi Akamini também se juntou à multidão, acolheu com sorrisos e cumprimentos os fiéis que se aproximaram dele e até atendeu a pedidos de selfies.

Pagadores de promessas

Como em toda procissão, os pagadores de promessas estão presentes. Destacaram-se o estudante Mateus Henrique Sanches da Silva, de 20 anos, e a auxiliar de educação Narineusa Moschi Paregim, de 58 anos. Durante todo o percurso Mateus segurou nas mãos uma imagem da Santa. Narineusa usou vestes inspiradas em Nossa Senhora.

Para Mateus, percorrer a procissão com a imagem da Santa fez parte de uma promessa feita no ano passado a partir da efetivação no emprego em um supermercado após os três meses iniciais da experiência. Ele foi ao Santuário de Aparecida do Norte e percorreu de joelhos a passarela de acesso à Basílica. Ontem, em Sorocaba, ele agradeceu as forças obtidas para percorrer de joelhos a passarela, o que classifica como um milagre. “E estou no trabalho no supermercado, faz 1 ano e 11 meses”, ele comemorou.

A avó de Mateus, Santina Rosa Gonçalves da Silva, de 62 anos, que o acompanhou, emocionou-se com o neto: “Eu o acho maravilhoso, muito bom. Porque esses jovens de hoje não estão nada fácil e ele é muito devoto, muito católico. Desde pequeno vai à missa e não dá trabalho aos pais.”

Narineusa se vestiu com roupas inspiradas em Nossa Senhora como demonstração de fé relativa ao pedido de uma graça para uma questão de saúde que preferiu não detalhar. O retrospecto é estimulante: “Eu já fiz pedido a Nossa Senhora, fiz voto, paguei e ela me ajudou no pedido que eu fiz.” E deu uma lição religiosa: “Se a gente não tiver fé, a gente não tem nada.”

Ambulantes

Como habitualmente, os ambulantes também fizeram da romaria uma oportunidade para vender produtos. João da Silva, de 56 anos, vendedor de milho, e Jorge Gomes, de 45 anos, vendedo de água, não estavam animados. Segundo eles, a crise econômica também atinge quem vende produtos de pequeno valor como um milho a R$ 5,00 e uma garrafa de água a R$ 2,50.

E ainda há o risco do clima, explicaram. Por exemplo, o calor favorece a venda de água, o que é bom para Jorge e ruim para João. Se o tempo estivesse frio, seria o inverso. E ainda havia o risco da concorrência. Muitos outros ambulantes também correram atrás de oportunidades de vendas com a concentração de romeiros em Aparecidinha.

Uma nova romaria acontecerá em 1º de janeiro, repetindo a tradição de todo ano, quando a imagem da Santa retornará do Saantuário de Aparecidinha para a Catedral Metropolitana.

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