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Indústria em crescimento

O crescimento foi puxado pelo indústria (11,6%), um desempenho quase três vezes maior à média do setor no Estado

O jornal Cruzeiro do Sul publicou na edição de quinta-feira notícia sobre o crescimento do PIB industrial da região de Sorocaba, que ficou bem acima da média estadual em um período de doze meses. Uma notícia que traz um pouco de otimismo para uma região que, como o resto do País, ainda sofre com altos níveis de desemprego.

De acordo com levantamento da Fundação Seade, de julho de 2017 a junho deste ano, a Região Administrativa de Sorocaba, formada por 47 municípios, registrou crescimento de 6,1% no Produto Interno Bruto (PIB) em comparação aos 12 meses anteriores. O crescimento foi puxado pela indústria (11,6%), um desempenho quase três vezes maior à média do setor no Estado, que foi de 3,9% e acima também de das outras regiões paulistas. A região de Campinas registrou crescimento industrial de 6,1%, a de São José dos Campos, 3,3% e a Região Metropolitana de São Paulo 0,6%.

Sorocaba, maior polo industrial da região, teve uma industrialização precoce. No início do século passado já tinha um grande parque industrial do setor têxtil, que se tornaria uma referência para todo o País. Mais tarde vieram outros tipos de indústrias, mas o setor de tecidos continuou hegemônico por muitas décadas.

A partir de meados dos anos 1960, Sorocaba que já era bastante industrializada, sofreu um baque com a emancipação de Votorantim, até então um distrito industrial que concentrava indústrias têxteis e de cimento. Com a arrecadação em declínio, o então prefeito Armando Pannunzio optou por ampliar o parque industrial da cidade criando uma zona industrial na região leste da cidade, na área entre a região urbana da cidade e a recém-inaugurada rodovia Castelo Banco, que está completando 50 anos. Essa nova zona industrial, diversificada, garantiu o crescimento do município durante décadas. Com a ajuda de uma comissão de notáveis criada especialmente para manter contato com empresários, vieram empresas de autopeças, materiais elétricos, siderúrgicas entre outras.

Nos últimos seis anos, já com um parque industrial estabilizado, houve um novo avanço com a instalação da fábrica da Toyota e a dos seus sistemistas, os fornecedores de peças e componentes que, nos conceitos industriais modernos, se instalam ao redor da fábrica principal para atendê-la melhor. Economista entrevistado sobre o crescimento do PIB industrial da cidade atribuiu à Toyota e seus fornecedores, boa parte do crescimento da atividade naquele período aferido pela Fundação Seade. De fato, a indústria automobilística tem sido responsável pelo crescimento do setor e do município em geral. A cadeia produtiva desse tipo de atividade é extensa. Alguns pesquisadores dizem que para cada emprego criado na indústria automobilística, outros cinco são criados nessa cadeia produtiva. São os empregos nos fornecedores, prestadores de serviço, transportadores, etc. Outros ampliam ainda mais essa cadeia que dizem chegar a nove e até dez novos empregos, aí incluindo frentistas de postos de combustível, funcionários de seguradoras, manobristas, entre outras atividades relacionadas ao automóvel. Isso sem contar a cadeia de impostos que um veículo gera durante sua vida útil.

Se realmente a indústria automobilística for mesmo a responsável pelo crescimento do setor industrial, teremos boas novidades. Como o período analisado pela pesquisa terminou em junho deste ano, o crescimento deverá continuar quando o atual período for analisado. Isto porque somente no início desde mês é que começou a funcionar efetivamente o terceiro turno na Toyota de Sorocaba e na de Porto Feliz. A unidade produz agora o Etios, seu primeiro modelo, e o novo Yaris, com dois tipos de carroceria e várias versões de acabamento. Até então, a unidade tinha capacidade para produzir 108 mil carros por ano. A partir de agora, após um investimento de R$ 600 milhões principalmente nas áreas de produção e manutenção e a criação de 870 empregos diretos, a produção deverá alcançar 160 mil unidades por ano. Essa produção representa praticamente o dobro do primeiro ano de funcionamento da fábrica. Esse crescimento, sempre bem-vindo, é fruto da diversificação das empresas que operam na cidade e um dia foram atraídas para o parque industrial do município.

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