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Uniso: empresas da Região ainda não formam arranjos produtivos

José Francisco Mantovani em palestra sobre o tema para alunos de Comunicação da Uniso / FOTO: Paulo Ribeiro

Reportagem: Guilherme Profeta

Três foram as principais fases da atividade econômica do município de Sorocaba, no interior de São Paulo. Do seu início no século XVII, como um povoamento fundado pelo bandeirante Baltazar Fernandes, até meados do século XIX, a cidade viveu uma fase artesanal, em que predominava o comércio de animais (as chamadas feiras de muares) e artigos de cavalaria. Em 1865, com a Guerra da Secessão acontecendo nos EUA — o que interrompeu por um tempo a exportação do algodão da América do Norte para a Inglaterra —, Sorocaba passou a viver o ciclo do algodão, que na época foi chamado de ouro branco. Com a demanda internacional, a indústria têxtil prosperou. Essa fase fabril motivou o planejamento de toda uma estrutura logística para escoar a produção ao porto de Santos, incluindo a construção de uma estrada de ferro. Hoje, em pleno século XXI, Sorocaba colhe os frutos de uma fase de intensa diversificação industrial: as empresas metalúrgicas são o forte do polo industrial do município, mas há uma série de outras atividades representadas (desde químicas, têxteis e de construção civil, até de alimentos, telecomunicações e aeronáuticas). Por sua vantajosa localização, Sorocaba vem sendo historicamente um lugar em que pessoas e negócios se encontram.

Desde 8 de maio de 2014, esse movimento teve tudo para se intensificar ainda mais. Foi nessa data em que foi institucionalizada, pela Lei Complementar Estadual nº 1.241, a Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), inicialmente formada por 17 municípios da região e depois recebendo outros dez. Sorocaba é uma das seis regiões metropolitanas existentes no estado de São Paulo — além dessa, há as regiões da Baixada Santista, de Campinas, de São Paulo, do Vale do Paraíba e Litoral Norte e, mais recentemente, a de Ribeirão Preto. Atualmente, sua extensão territorial ultrapassa 11 milhões de km². Dados oficiais compilados pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) apontam que a RMS abriga 4,6% da população do estado de São Paulo e, em 2015, gerou nada menos do que 4% de todo o PIB paulista. Um ponto importante que difere a RMS das demais regiões é a participação da indústria, que em 2017 ultrapassava a marca de 30% de sua atividade econômica.

Por tudo isso, seria de se imaginar que Sorocaba e a sua região metropolitana contariam com vários arranjos produtivos locais, ou clusters, nome que se dá a uma “aglomeração de empresas, localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais” — a definição é do Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Porém, não é isso que acontece.

“A RMS tem o reconhecimento de somente três arranjos produtivos diante do governo estadual. São eles os arranjos de cerâmica vermelha de Itu e de Tatuí, além do arranjo de confecção de artigos infantis de Cerquilho. Vale aqui uma crítica, principalmente ao município de Sorocaba, onde são identificados 25 setores, mas não há a formalização de um arranjo produtivo sequer”, diz José Francisco Mantovani, que estudou essa situação em sua pesquisa de mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Processos Tecnológicos e Ambientais da Uniso.

Em seu estudo, Mantovani entrou em contato com todas as prefeituras da RMS, solicitando dados cadastrais de todas as suas indústrias. O trabalho de campo compreendeu uma série de visitas, entrevistas e telefonemas. Ao fim, dos 27 municípios, o pesquisador selecionou dez representativos das atividades industriais na RMS (Araçariguama, Boituva, Cerquilho, Itu, Mairinque, Porto Feliz, Salto, São Roque, Sorocaba e Tatuí), em relação aos quais houve maior consistência de dados. As informações foram então compiladas em gráficos individuais, que fornecem um panorama da atividade industrial nos municípios.

Segundo o pesquisador, essa região tem todo o potencial de formar arranjos produtivos. Ele aponta inclusive que, em outros países, é o próprio setor privado que procura organizar-se em clusters, naturalmente, por entender que o seu poder de articulação se torna mais forte. Já no Brasil, a formação desses arranjos depende em grande parte de políticas de incentivo por parte do Estado. “Na região, apesar de todo o desenvolvimento econômico e da diversidade de empresas, como tais incentivos foram incipientes, não se esperava encontrar a formação espontânea desses arranjos, o que foi comprovado pelos resultados do estudo”, diz Mantovani.

A sugestão, segundo as conclusões de seu trabalho, é que todos os atores — incluindo as próprias empresas, governanças locais, universidades, escolas técnicas e demais entidades representativas — ajam de forma associada, articulando-se para explorar os benefícios dos incentivos para os arranjos produtivos locais estabelecidos. “Além disso, as indústrias de maior porte, as chamadas âncoras, devem elaborar ações estruturantes para que as indústrias de menor porte também possam se adequar às suas exigências, integrando a cadeia produtiva e elevando o nível geral de desenvolvimento”, conclui.

Para saber mais: A Região Metropolitana de Sorocaba (RMS)

Uma Região Metropolitana, segundo a Constituição Federal do Brasil, é um agrupamento de municípios contíguos, agrupados de modo a “integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.” Os 27 municípios da RMS estão atualmente divididos em três sub-regiões:

Sub-Região 1: Alambari, Boituva, Capela do Alto, Cerquilho, Cesário Lange, Jumirim, Sarapuí, Tatuí, Tietê e Itapetininga;
Sub-Região 2: Alumínio, Araçariguama, Ibiúna, Itu, Mairinque, Porto Feliz, Salto e São Roque;
Sub-Região 3: Araçoiaba da Serra, Iperó, Piedade, Pilar do Sul, Salto de Pirapora, São Miguel Arcanjo, Sorocaba, Tapiraí e Votorantim.

Com base na dissertação “Diversificação produtiva e arranjos empresariais na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS): Uma análise dos 10 municípios de maior concentração empresarial”, do Programa de Pós-Graduação em Processos Tecnológicos e Ambientais da Universidade de Sorocaba (Uniso), com orientação do professor doutor Daniel Bertoli Gonçalves e aprovada em 8 de agosto de 2017. Acesse a pesquisa aqui.

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