Cão-guia Sorocaba e Região

Conheça o Instituto Magnus, referência no treinamento de cão-guia no Brasil

Instituto possui espaços pensados para atender a demanda dos treinamentos de um cão-guia



Sete filhotes de Labrador de pelagem amarela correndo em um espaço gramado com uma parede amarela ao fundo. Três cães brincam juntos ao fundo e os demais quatro estão espalhados pelo espaço, correndo para a mesma direção, olhando para a câmera.
Filhotes da ninhada ‘G’ aguardam por famílias socializadoras. Crédito da foto: Erick Pinheiro/Jornal Cruzeiro do Sul

 

Localizado a pouco mais de 120 quilômetros da Capital paulista, o Instituto Magnus, referência no País no treinamento de cães-guias, foi inaugurado em setembro de 2018, em Salto de Pirapora, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS).

O Instituto possui espaços pensados para atender a demanda dos treinamentos de um cão, desde o nascimento da ninhada, até as fases finais de um animal no Instituto, quando ele fica hospedado com seu possível tutor. Todo esse processo demora, em média, dois anos.

Para promover o melhor treinamento ao cão e também conforto e acessibilidade às pessoas com deficiência visual que visitam o Instituto, os ambientes são adaptados com rampas de acesso e piso tátil e mapa tátil.

A fachada da portaria do Instituto Magnus tem uma estrutura nas cores amarelo e preto, com um jardim com plantas verdes, portão elétrico preto, logotipo do Instituto e no alto as palavras “Centro de treinamento de cão-guia”. Ao fundo, há o prédio administrativo e o céu azul com algumas nuvens.
Instituto Magnus fica em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. Crédito da foto: Erick Pinheiro/Jornal Cruzeiro do Sul

Espaços e equipe

Entre esses espaços, o Instituto Magnus possui o prédio administrativo, a maternidade, o canil, o hotel e um memorial. A entidade conta com uma equipe multidisciplinar composta por diretor, coordenador administrativo, assistente social, equipe de relacionamento, equipe técnica com instrutores de cão-guia e trainees, médica veterinária, tratadores de canil e profissionais de limpeza e conservação.

Nove filhotes de labrador estão sob os cuidados do Instituto na maternidade e aguardam por voluntários a se tornarem famílias socializadoras. A ninhada da família de letra “G”, filhos da cadela Alana, está há dois meses na maternidade, que funciona como uma espécie de casa. Nos primeiros 20 dias de vida dos filhotes, os profissionais do Instituto precisam ficar 24 horas acompanhando os cãezinhos.

Para isso, a maternidade foi criada com a função de uma casa e, além das três baias com acesso a área de soltura para abrigar os filhotes recém-nascidos, monitorados por câmeras diariamente, o local possui cozinha, sala, lavanderia e quarto, justamente para abrigar o tratador durante os primeiros dias de vida dos animaizinhos.

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A responsável pela saúde de todos os cães do Instituto é a médica veterinária Bruna Rosa, inclusive pelo nascimento dos filhotes. “A cruza é feita por inseminação por questões de saúde, pois quando o macho faz a cópula há o risco de levar bactérias para a fêmea. A inseminação elimina o risco de ocorrer contaminações”, explicou a veterinária.

O canil onde os animais ficam possui 16 baias, cada uma com capacidade para até quatro cães, e conta também com consultório veterinário, laboratório para exames e o espaço de banho e tosa, áreas de soltura, lavanderia, cozinha, sala de estoque de ração e área de descarte de resíduos. No canil, oito cães estão sendo treinados, por um instrutor e um trainee. Já os cuidados são feitos por quatro tratadores, responsáveis por manter organizada a rotina desses animais.

Ao fim do processo de socialização com as famílias e do treinamento no Instituto, os cães podem ser considerados “formados” e aptos a trabalharem como cão-guia. É nesse período que a equipe técnica do Instituto, junto da assistente social, realiza a seleção.

A equipe analisa as condições de vida da pessoa com deficiência visual, sua rotina, trajetos, o grau de mobilidade e assim determina qual cão-guia possui mais compatibilidade com o possível tutor. Um dos cães que está no canil do Instituto e passando por treinamento para se tornar cão-guia é a golden retriever Kira, que foi socializada pela apresentadora Ana Hickmann.

O hotel é o local do Instituto onde o cão-guia formado e a pessoa com deficiência visual se encontram pela primeira vez. É neste espaço que o animal e a pessoa com deficiência visual passam por uma rotina juntos, a pessoa com deficiência visual seguindo as orientações dos instrutores. O hotel é o mais parecido com uma casa possível: possui seis quartos, uma lavanderia, sala, cozinha, varanda e espaço para treinamento. A próxima turma da escola de cães-guias está prevista para se hospedar no hotel em agosto.

O hotel é uma ampla casa térrea, seguindo o padrão de toda a estrutura do Instituto com tijolos aparentes, detalhes em amarelo e preto, um jardim verde com palmeiras na frente e grandes janelas. A calçada na frente é vermelha e possui o piso tátil de orientação, além de uma grande placa indicativa do hotel, com textos explicativos. Ao fundo há o céu azul com algumas nuvens.
Instituto Magnus possui hotel para abrigar os futuros tutores dos cães-guias. Crédito da foto: Erick Pinheiro/Jornal Cruzeiro do Sul

No prédio administrativo, por exemplo, há um auditório para apresentação do programa de cão-guia aos visitantes, onde também é feita a realização de eventos, além das salas onde funcionam os setores administrativos do Instituto. José Maria dos Santos é o coordenador administrativo do Instituto e, entre suas funções, formaliza os contratos das famílias socializadoras.

A coordenadora está posicionada na área central do Instituto, veste o uniforme de cor amarela, usa óculos, tem cabelos cacheados escuros e está movimentando as mãos, explicando seu trabalho e olhando para o lado. Ao fundo há o prédio do instituto e o céu azul.
Janaína Teixeira é a coordenadora de relacionamento do Instituto. Crédito da foto: Erick Pinheiro/Jornal Cruzeiro do Sul

“É um contrato simples, mas ele fala das responsabilidades do Instituto e das famílias durante a socialização. Tem alguns requisitos que a família precisa seguir e também comprometimentos do Instituto, como ração, remédios, etc”, disse.

O Instituto também reservou um espaço para os cães que passaram pelo programa e já se foram, chamado de memorial. Nele, os animais são homenageados com uma plaquinha com seus nomes e uma frase do responsável.

Janaína Teixeira também faz parte do time do Instituto Magnus e atua como coordenadora de relacionamento. Entre as atividades por ela realizadas está a apresentação do espaço para os visitantes, que informa minuciosamente todos os processos realizados pelo Instituto necessários para a formação de um cão-guia

Os passos de Senna, Olívia e Zuma

O labrador Senna completou um ano no último dia 20 e continua sua rotina ao lado da responsável na família socializadora, Vera Lúcia de Arruda Oliveira, de 62 anos. Além dos passeios ao ar livre e no Lar São Vicente de Paulo, o cão conheceu o Sesc Sorocaba, ambiente frequentado por pessoas de todas as idades. No local, inclusive, pode se aproximar de algumas crianças e andar pela primeira vez de elevador.

“Esse mês andamos de elevador e foi bem tranquilo. Já anda normalmente por escadas também. Ele chamou bastante atenção das crianças, que queriam brincar. Mas é bom que assim conhece as pessoas”, disse Vera.

A foto retrata Vera com Senna, o cão de pelagem amarela de baixo pra cima. Eles estão posicionados em uma passarela do Sesc. Senna está com a boca aberta e língua de fora vestindo o colete do Instituto e a coleira gentle leader, enquanto Vera segura sua guia e olha para a câmera, vestindo camiseta de cor vinho e bermuda preta. Ao fundo, há o prédio do Sesc e o céu azul.
Senna passeou pelo Sesc Sorocaba com a socializadora Vera Lúcia. Crédito da foto: Erick Pinheiro/Jornal Cruzeiro do Sul

A labradora Olívia também registrou muito progresso ao decorrer dos treinamentos no Instituto Magnus, feitos pelo treinador George Thomaz Harrison. Após aprender andar pela calçada e parar nas guias dentro do próprio Instituto, ela saiu às ruas para enfrentar obstáculos do cotidiano.

“Ela já está treinando na rua, então o que ela aprendeu dentro do Instituto agora ela está aplicando na rua. Passamos pela Rodoviária de Sorocaba, que está em obras, e ela andou muito bem, desviando de obstáculos altos”, contou George Harrison.

Além da rodoviária, a futura cão-guia passou por um grande e movimentado shopping de Sorocaba. O treinador declara que inicialmente Olívia se sentiu acuada com a escada rolante, mas depois do treino tirou de letra ao andar pela escada do shopping. A formatura de Olívia está prevista para ocorrer em agosto deste ano.

O instrutor George está parado no meio fio em uma calçada do Instituto Magnus e ao seu lado está Olívia, uma labrador de pelagem preta vestindo o equipamento de guiar. Ele segura o equipamento de guiar e olha para Olívia, a labradora retribui o olhar ao instrutor. George veste uniforme amarelo do Instituto Magnus e calça e tênis cinzas. Ao fundo há um prédio amarelo da estrutura do Instituto.
Olívia está em processo de treinamento no Instituto. Crédito da foto: Erick Pinheiro/Jornal Cruzeiro do Sul

Para Zuma, o mês foi de mudanças. A atual tutora da família socializadora, Sidinéia Venancio dos Santos, de 37 anos, precisou fazer uma viagem à trabalho no Rio de Janeiro. Por isso, a filhote prestes a completar sete meses precisou ficar com a chamada família temporária — responsável por cuidar do cão que está sendo socializado quando o tutor da família socializadora precisa se ausentar por determinado tempo.

Zuma está sentada no chão olhando para a câmera. Ela é da raça labrador de pelagem preta e usa uma coleira com uma plaquinha de identificação. Ela está posicionada em um corredor de chão de madeira e paredes brancas ao fundo.
Zuma ficou com uma família temporária durante viagem de Sidinéia. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

 

Curiosidades

  • Muitas pessoas pensam que o equipamento usado pelo cão-guia se chama “guia”, porém, sua nomenclatura correta é arreio ou alça.
  • O custo, em média, de cada cão-guia para o Instituto Magnus é de R$ 60 mil.

Como ter um cão-guia

Para candidatar-se a ter um cão-guia doado pelo Instituto Magnus é preciso se inscrever no site do programa. Após a inscrição, o Instituto entra em contato com a pessoa que solicitou o cão e dá início aos procedimentos de entrevista do candidato.

Família socializadora

A família socializadora é muito importante, pois sem ela, é impossível um cão se tornar cão-guia. O Instituto Magnus necessita de várias famílias participantes deste processo de socialização, que recebem um filhote em casa e são responsáveis por apresentá-lo à sociedade.
Para se tornar uma família socializadora também é necessário se inscrever no site do Instituto. A família também deve incluir o filhote na rotina de uma casa, com espaços e pessoas diferentes. Após o período de um ano de convívio, o futuro cão-guia retornará ao Instituto Magnus para completar o treinamento e assim, ser entregue a uma pessoa com deficiência visual. Durante a socialização as despesas do cão são arcadas pelo Instituto.

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