Presença

Entrevista: Vanderlei Testa

História viva da nossa indústria e comunicação
Entrevista: Vanderlei Testa
O jornalista e publicitário Vanderlei José Testa. Crédito da foto: Divulgação

Com 66 anos, o jornalista e publicitário Vanderlei José Testa não para. Filho de italianos, Testa nasceu na rua Santa Maria e seu primeiro emprego foi como feirante. Trabalhou na Sorocabana e na Siderúrgica Nossa Senhora Aparecida. Católico fervoroso, participa do Movimento das Equipes de Nossa Senhora há 40 anos, é membro colaborador da Comissão do Centenário da Arquidiocese de Sorocaba e jornalista responsável por varias publicações de paróquias de nossa cidade. Além disso, Vanderlei escreve, semanalmente, artigos para o jornal Cruzeiro do Sul desde agosto de 2019. Atua nas redes sociais com páginas de artigos e em blog de sua autoria, além do grupo “Amigos do Além Ponte” no Facebook. Em entrevista concedida na sede do Cruzeiro, Vanderlei contou sobre sua infância, carreira, família e sobre a sua experiência com Deus. Conheça um pouca a história de Vanderlei Testa, o nosso personagem da semana.

Como foi a sua infância?

Eu nasci na rua Santa Maria nº 111, na região do Além Ponte. Lembro que tinha uma feira livre na porta da minha casa. Eu convivi com os feirantes. Lembro que frequentava a escola infantil do Sesi, à época na Nogueira Padilha. Adorava brincar e correr pelo bairro. Quando eu tinha nove anos, minha avó faleceu. Ela produzia várias delícias da culinária italiana e a primeira casquinha da polenta que ela fazia, sempre oferecia para mim. Guardo a panela que ela usava para cozinhar até hoje. Meu pai tinha uma pequena oficina nos fundos de casa em que ele pegava os restos de ferro e criava coisas. Meu primeiro emprego foi com um vizinho meu de rua: nós vendíamos bexigas na feira. Um feirante, vendo isto, me chamou para ajudá-lo na barraca dele, onde vendíamos bolachas. Minha infância foi dividida entre a feira, as brincadeiras e os momentos simples de crianças.

O que você lembra da Estrada de Ferro Sorocabana?

Meu pai era ferroviário, e me levava desde pequeno para andar nas oficinas. Por incentivo do meu pai, fui estudar no Ginásio Industrial Fernando Prestes. Trabalhei nas oficinas da Sorocabana, na parte de caldeiraria. Neste meio tempo me formei em química industrial e fui promovido ao departamento de análise química da Sorocabana, onde eu fiquei por três anos. Tenho muito orgulho de ser filho de ferroviário e de ter trabalhado também na Sorocabana.

Como nasceu o comunicador dentro de você?

Nunca parei de estudar. Meus pais sempre me incentivaram muito e eu prestei vestibular para Administração de Empresas na Faccas, hoje Uniso. Quando faltavam alguns meses para me formar em administração, fiquei sabendo que a Siderúrgica Nossa Senhora Aparecida estava contratando estagiários. Me inscrevi e acabei sendo contratado, isto em 1973. O estágio era para ser por um ano; porém, fiquei lá por 15 anos. Eu sempre gostei de andar muito pela fábrica: era algo enorme, mais de três mil funcionários. Conversei com o diretor da fábrica, Dr. Castanho, e falei que queria fazer um informativo para a empresa, para que todos se conhecessem mais. Eu criei o “Lingotinho”, era uma folha A4 dobrada ao meio e as edições eram impressas em mimeógrafo. A diretoria gostou e eu também gostei; era algo artesanal, mas me dava muito prazer em fazer. Depois de um tempo, comecei a imprimir em uma gráfica em Sorocaba, que já imprimia em colorido e era algo mais profissional. Pelo “Lingotinho” eu resolvi estudar mais e fui à Faap fazer um curso de sistema de computação. Depois, fui para Itapetininga, na FKB, cursar relações públicas, onde tive como professor o grande Theodoro Mendes que me inspirou muito. Fiz jornalismo na Unimep. Quando a siderúrgica Nossa Senhora Aparecida comprou um novo equipamento, eu resolvi procurar o dono da empresa, o senhor Luiz Pinto Thomaz; levei o jornalzinho que eu fazia e falei que queria produzir algo especial para a inauguração. Ele me autorizou, e foi aí que o jornal Cruzeiro do Sul entrou na minha vida. Fui até a redação na rua Santa Clara, onde fui recebido pelo Sergio Coelho, editor-chefe, e que tinha sido meu vizinho do Além Ponte. Quando entrei no jornal me encantei. Fiquei muito entusiasmado, fizemos uma edição especial do “Lingotinho”, encartado no Cruzeiro, um tabloide lindo que tenho guardado até hoje. Depois disto nunca mais parei.

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Como você conheceu a sua esposa, Claudete Mathiazzi?

Minha casa era vizinha da casa dela, minha avó era amiga da avó dela, as duas ficavam conversando e elas brincavam que, quando tivéssemos idade, iríamos casar. Desde criança nós convivíamos; porém, não brincávamos e nem tínhamos muita amizade. Sempre fui muito amigo do irmão dela, o Claudinei, ele tem a mesma idade que eu e fazíamos tudo juntos na época de juventude. Convivendo na casa deles eu comecei a me encantar por ela e resolvi ir falar o que estava sentindo. Na época ela tinha 16 anos, e eu, 19. Ela falou com os pais e eles aceitaram, engatamos um namoro e em 21 de julho de 1973 nos casamos na Catedral. Lembro que no dia do casamento o padre designado esqueceu da cerimonia, e tivemos de procurar um diácono, o Ângelo Carriel. Como foi tudo muito de improviso, toda hora ele errava meu nome, me chamando de Claudinei, e eu ficava corrigindo ele baixinho, mas mesmo assim ele insistia em me chamar pelo nome errado. Eram só risos na igreja. Do casamento tivemos uma linda filha, a Camila, que seguiu o caminho da comunicação e tenho uma netinha.

Como você foi parar na novela Salvador da Pátria da Rede Globo?

Fui trabalhar no setor de imprensa do Grupo Pagliato, que na época mantinha o time de basquete da Minercal. O Lima Duarte, que era diretor da novela, criou um episódio no qual haveria um jogo de basquete. Eu fui junto com as meninas para o Rio de Janeiro e as acompanhava em tudo. Um dos diretores da novela olhou para mim e perguntou se eu não queria participar da gravação como ator, interpretando o técnico da equipe. Eu topei e foi muito divertido poder conhecer como uma novela é feita e como é trabalhoso montar uma cena. Gostei muito da grande fábrica de sonhos pois estava ligado à minha área.

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Você sempre foi ligado à Igreja Católica?

Sempre fui católico. Minha avó era e meus pais também. Sempre fiz parte de igreja e de vários movimentos, ia em vários encontros e palestras. Quando eu tinha 44 anos, fui passar férias com minha esposa em Mongaguá, passamos na porta da igreja e ela falou que queria ir à missa à noite. Eu não me motivei. Fomos para o apartamento; ela se arrumou e eu também, porém meu desejo era deixar ela na igreja e a ficar esperando em algum quiosque na praia. Mas algo me chamou para entrar com ela na igreja; acabamos sentando nos últimos bancos, pois estava muito lotada, e durante a consagração da eucaristia algo me tocou de uma forma muito grande. Eu vi uma luz e comecei a suar muito. Fui para o apartamento e levei comigo o folheto da missa. Quando fui ler de novo, eu acabei vendo que aquele dia era da Epifania do Senhor (festa religiosa cristã que comemora a manifestação de Jesus Cristo como Deus encarnado). Dali em diante eu mudei, entrou uma espiritualidade muito grande em mim. Isso foi em 1991. Fui convidado para ser ministro da eucaristia e para ser secretário nacional da comunicação da Renovação Carismática do Brasil. Na mesma época eu li no jornal que a Rede Vida de Televisão estava para se instalar em São José do Rio Preto e ela estava querendo expandir sua cobertura por todo o Estado de São Paulo. Procurei o arcebispo Dom José Lambert e ele me autorizou a dar andamento. Junto com várias pessoas de nossa sociedade fundamos a Associação Santa Clara de Comunicação que conseguiu trazer a Rede Vida para nossa cidade.

O que Deus significa para você?

Eu tenho amor profundo pelas pessoas, acho que o maior patrimônio que temos é o ser humano. Deus é uma coisa que as pessoas colocam lá em cima e eu o coloco aqui baixo. Eu converso com ele como um amigo, um bate-papo mesmo. Um dia estava na fila da lotérica para jogar na Mega Sena, eu ia fazer alguns jogos e ia gastar R$ 65. Fiquei ouvindo as pessoas falando na fila o que iam fazer com o dinheiro se ganhassem o prêmio. Um ia comprar carro, outro viajar o mundo, e neste momento um ouvi uma voz dentro de mim falando “porque não pega este dinheiro e compra algo de comer para alguém que tem fome?” Saí da fila, entrei no mercado e comprei várias coisas com aquele dinheiro, depois andei com meu carro até encontrar uma família sem comida passando por extrema necessidade. Quando deixei a sacola dos mantimentos com eles, Deus se manifestou no olhar daquela família. Deus se manifesta nas pequenas coisas e nos pequenos gestos. Estava ali o meu prêmio da Mega Sena.

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Como a corrida de rua entrou na sua vida?

Em 2014, meu sobrinho me ligou, falou que queria conversar comigo e me convidou para ir ao Parque das Águas caminhar e bater um papo. Quando cheguei lá, ele falou que estava começando um treinamento de corrida com a equipe Live e gostaria que eu participasse também. Eu comecei o treinamento, dei uma volta pelo lago do parque e quando terminei mal conseguia andar: estava exausto. Não desisti, e fui caminhar três vezes por semana. Alguns meses depois teve uma corrida em Sorocaba na qual meu sobrinho me inscreveu e eu fui. Lembro que eram 5 km; eu me entusiasmei e ganhei a minha primeira medalha. Em dezembro deste mesmo ano estava participando da minha primeira São Silvestre. Caminho todos os dias, já participei de aproximadamente 120 provas, seis São Silvestre, além de 10 meias-maratona. Me orgulho muito e me dá muito prazer correr, já recebi muitos testemunhos de pessoas de várias idades que começaram a treinar graças a mim.

Você foi presidente da Associação Sorocabana de Imprensa (ASI). Como foi esta época?

Meu registro de jornalista é de 1979. Na época, Claudio Grosso era o presidente da ASI, e ela tinha um time de jornalistas muito competentes. A sede era na rua São Bento em uma sala alugada. O Geraldo Bonadio me convidou para ser presidente e eu aceitei. A Prefeitura cedeu para a ASI um terreno no Campolim, que na época era mato, não tinha nada. Fomos falar com empresários para fazer a doação do material para a construção da sede e em seis meses conseguimos construir e inaugurá-la, graças ao empenho dos jornalistas e dos empresários. A ASI reunia os jornalistas e toda a comunidade de Sorocaba na nossa sede. Os estudantes de jornalismo tinham a possibilidade de conhecer e conviver com jornalistas consagrados, foi uma época muito boa. Tínhamos uma cantina onde todos os jornalistas e publicitários se reuniam para bater papo. Infelizmente nosso contrato de comodato venceu e o poder público não nos ajudou. Tivemos que desocupar o prédio, foi muito triste para todos. A ASI fechou mais continua existindo de forma virtual através do WhatsApp.

Como surgiu a sua empresa, a VT Publicidade?

Quando saí do Grupo Pagliato, eu abri a minha empresa por motivação do Benedito Pagliato. No dia 27 de junho de 1991, em uma sala de 12 metros quadrados no Edifício Santa Clara, nasceu a VT Comunicação. Com pouco tempo contratei uma funcionária — a Fernanda Labrunetti, que hoje é delegada de polícia — e eu fui crescendo. Mudei para o Trujillo, depois me mudei para Santa Rosália e tem 10 anos estou na sede atual. Hoje quem cuida da agência é minha filha Camila. Meu objetivo sempre foi ajudar o empreendedor a crescer, nossos clientes são trados com muito amor. Sempre busco para os meus clientes o melhor. E o Cruzeiro do Sul faz parte da minha vida. Tenho orgulho de ser colunista deste centenário jornal e sempre falo para meus clientes sobre a força e a credibilidade do jornal impresso.

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