Editorial

Viadutos e pontilhões

Pontes, viadutos e pontilhões, por sua importância viária, precisam de vistorias constantes realizadas por técnicos capacitados

Chama a atenção das pessoas que passam sob o pontilhão da avenida Dr. Afonso Vergueiro, junto à praça Lions, a situação em que ele se encontra, com ferragens expostas e sinais de impacto de caminhões com cargas muito altas. É comum que veículos de grande porte, cujos motoristas não prestam atenção nos avisos do limite de altura, acabem enroscando ou batendo na parte superior do pontilhão. A altura limitada também causa problemas nos pontilhões da praça da Bandeira, onde é comum vermos veículos enroscados nas estruturas metálicas e em outros pontos da cidade. O mesmo acontece com a estrutura do pontilhão junto à ponte Francisco Dell’Osso, também na região central, onde é possível ver as ferragens expostas e sujeitas à oxidação. Esses incidentes ocorrem mesmo sendo proibido o tráfego de caminhões pela avenida Dom Aguirre e na região central da cidade.

Pontes, viadutos e pontilhões, por sua importância viária, precisam de vistorias constantes, realizadas por técnicos capacitados. Choques de veículos de grande porte, um fato bastante comum, trânsito pesado e a própria ação do tempo podem, ao longo dos anos comprometer as estruturas. Há pouco mais de 20 anos, técnicos da Prefeitura de Sorocaba perceberam que o tabuleiro central do viaduto Jânio Quadros, construído nos anos 1960, estava se deslocando em decorrência do trânsito intenso. O local precisou ser interditado por vários dias e foram realizadas baterias de testes no local para ver as medidas necessárias para conter o problema. Se não fosse percebido a tempo, o deslocamento poderia resultar em uma tragédia. Essa situação com esse viaduto foi fundamental para que o então prefeito Paulo Mendes se convencesse da necessidade da construção de outro viaduto sobre os trilhos da ferrovia, ligando o Centro à região do Além-Linha e determinou a construção do viaduto dos Ferroviários.

A falta de inspeções periódicas certamente foi a causa da queda da estrutura do viaduto localizado na via expressa da Marginal Pinheiros, perto do Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Na madrugada de 15 de novembro do ano passado, um dos tabuleiros do viaduto cedeu dois metros e provocou a interrupção do tráfego em parte do mais importante sistema viário da Capital, gerando transtornos que só serão resolvidos com a conclusão da restauração do local, daqui a quatro meses. Ao custo de R$ 30 milhões, uma empresa foi contratada para recuperar o viaduto, uma despesa cinco vezes maior do que é gasto pela Prefeitura de São Paulo com a manutenção de todos os viadutos e pontes da Capital entre janeiro de 2014 até o ano passado. A recuperação não é nada simples, pois nem o projeto original completo da obra foi localizado nos arquivos da Prefeitura paulistana e houve a necessidade de nivelar a pista com o auxílio de vários macacos hidráulicos para iniciar a reconstrução dos pilares afetados. Todo esse transtorno e essas despesas poderiam ter sido evitados se houvesse uma inspeção preventiva rigorosa.

Com relação ao pontilhão próximo à praça Lions, a Prefeitura de Sorocaba informa que a manutenção não é de sua responsabilidade e sim da Rumo ALL, concessionária que opera a ferrovia nesta região do Estado. Já a Rumo ALL informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que uma equipe de engenharia realiza inspeções anuais nos viadutos ferroviários para garantir a segurança das operações. No caso específico desse pontilhão, informou em nota que o mesmo não apresenta deformações que possam comprometer a segurança do local e que a circulação de trens naquele trecho está desativada. Se a fiscalização obedecer ao mesmo padrão com que a Rumo ALL cuida do trecho da ferrovia que corta a região de Sorocaba, a situação é preocupante. Não foram poucas as vezes que precisou o Ministério Público entrar em ação para fazer com que a empresa mantivesse em condições aceitáveis as margens da ferrovia invariavelmente cobertas por mato e com alambrados rompidos por pessoas que usam a linha como local de consumo de drogas ou rota de fuga.

Uma revisão nessas construções com visíveis desgastes seria importante para a empresa melhorar sua imagem e trazer um pouco de tranquilidade àqueles que temem algum tipo de acidente mais grave.

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