Editorial

Tropeços e escorregões

Resta saber se os novos ocupantes das secretarias têm noção de detalhes dos projetos e da urgência do tema

Caminhar pelas praças e ruas da região central de Sorocaba é uma aventura que pode acabar mal. O estado de abandono em que se encontram representam um risco para pedestres que precisam desviar de buracos, valetas, raízes de árvores, entre outros obstáculos que não deveriam estar ali. É um problema antigo, frequentemente tratado neste espaço, mas sua solução vem sendo protelada pelo poder público.

Como mostrou a reportagem publicada por este jornal na edição do último domingo, a situação na região central e em alguns bairros está cada vez pior. A praça Frei Baraúna, que já foi um cartão de visitas da cidade, está completamente abandonada, com buracos e pedras soltas, onde as pessoas precisam andar com cuidado para não cair.

A rua Santa Clara e a praça Arthur Fajardo são outros dois locais onde os problemas são igualmente sérios. Já a praça Coronel Fernando Prestes, a mais central da cidade, é um caso à parte. Há alguns anos, o prefeito da época resolveu trocar todo o seu piso, assim como de boa parte das ruas próximas.

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A escolha equivocada do piso, que se tornava escorregadio quando molhado, foi uma tragédia, com dezenas de casos de tombos e fraturas. O piso precisou ser totalmente trocado anos mais tarde por um revestimento menos escorregadio. Mas abandonada, hoje está totalmente esburacada e oferecendo novamente risco às pessoas.

A Prefeitura de Sorocaba, além da instabilidade política dos últimos anos, vem enfrentando queda de arrecadação, o que impede de realizar grandes projetos. Mesmo assim, como tem financiamento garantido, está dando continuidade à implantação do BRT na cidade, se dedicando primeiramente ao eixo da zona norte para, em seguida iniciar nova frente de trabalho na zona oeste, mais precisamente nas avenidas Armando Pannunzio e General Carneiro.

Há uma tradição na administração pública dos municípios que diz que quando não se tem dinheiro para grandes obras, projetos de grande porte, o melhor a fazer é cuidar das praças e jardins, deixar calçadas em boas condições e com visual agradável.

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Essa solução requer pouco investimento do poder público, uma vez que manter calçadas em boas condições é obrigação do proprietário do imóvel. Basta que exista uma fiscalização rigorosa que intime os proprietários a fazer os reparos necessários.

Nas praças e jardins a responsabilidade é da Prefeitura, mas o investimento geralmente é baixo, bastando boa vontade, planejamento e um bom projeto.

Sorocaba vem discutindo a revitalização da região central da cidade há um bom tempo. No ano passado foi realizada uma audiência pública para discutir o tema. O objetivo era discutir soluções para melhorar a mobilidade e a qualidade da região central da cidade onde, segundo a própria Prefeitura, passam mais de 100 mil pessoas por dia.

Em novembro do ano passado foi realizada uma reunião na Prefeitura com a participação de vários secretários municipais ocasião em que a revitalização da região central foi o tema. No encontro foram discutidas futuras ações integradas para a recuperação, revitalização e interrupção do processo de degradação da área central, inclusive com medidas para o repovoamento do Centro.

O mesmo tema voltou a ser debatido pela prefeita Jaqueline e vários secretários no final de agosto deste ano, quando apresentaram detalhes do projeto de revitalização e abordaram os resultados da intervenção temporária na rua da Penha — durante um período teve suas calçadas ampliadas, o que provocou reclamações de comerciantes pela eliminação de vagas de estacionamento.

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O problema é que nem uma simples ação de tapa-buracos nas calçadas e intimação em massa de proprietários relapsos foram desencadeadas, gerando cada vez mais críticas. Entre todas essas reuniões realizadas na Prefeitura, ocorreram intensas mudanças no secretariado, ao sabor dos interesses políticos.

Nem o chefe do Executivo é o mesmo. Resta saber se os novos ocupantes das secretarias, que mal tomaram posse, têm noção de detalhes dos projetos e da urgência do tema. O período de compras de final de ano, quando o movimento na região central se torna intenso, está se aproximando.

E nenhuma medida até agora foi tomada. Pelo andar da carruagem, caminhar pelas ruas e praças centrais da cidade continuará sendo um ato de coragem.

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