Editorial

Triste patamar de uma tragédia mundial

Brasil superou a marca de 300 mil óbitos na pandemia de Covid, e mais de 2,7 milhões de pessoas já morreram em todo o mundo

A quarta-feira (24) ficou marcada como o dia em que o Brasil superou a triste marca de 300 mil mortes por Covid-19 desde o início da pandemia. De acordo com o Ministério da Saúde, em pouco mais de um ano, 300.685 pessoas morreram no País por causa da doença. Esse é o levantamento até quarta-feira (24), quando foram registrados mais 2.009 óbitos. Trata-se do retrato de uma tragédia global, que desde o final de 2019 atinge a humanidade de forma impiedosa.

Descoberto na China, o novo coronavírus rapidamente espalhou-se pelos quatro cantos do planeta, causando medo, pânico, isolamento, mortes e tristeza. As perdas são incomensuráveis, tanto as humanas como também as econômicas e sociais. Indústrias, empresas, comércios e negócios mergulharam numa crise sem precedentes, e milhões de trabalhadores perderam o emprego em todo o mundo.

Ao todo, mais de 124,5 milhões de pessoas já contraíram oficialmente o coronavírus no mundo, e mais de 2,7 milhões morreram em decorrência da doença. Para se ter uma dimensão da tragédia, é como se a população inteira da Jamaica ou do Catar fosse dizimada. Em números absolutos, o Brasil é o segundo país com mais infecções e mortes, atrás dos Estados Unidos, que têm 30 milhões de casos e 545 mil óbitos.

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Segundo o Ministério da Saúde, o total de infecções identificadas no Brasil já superou os 12 milhões, sendo que 10,6 milhões de pessoas já se recuperaram. Ainda há 1.229.680 pacientes em acompanhamento. O Estado mais afetado em números absolutos é São Paulo, que atingiu as marcas de 2.352.438 casos e 68.904 mortes. Minas Gerais é o segundo em número de infecções registradas, com 1.053.994 casos, mas o Rio de Janeiro é o segundo com mais óbitos contabilizados, com 35.573 mortes.

As mortes pela pandemia no País levaram cinco meses para ir de 100 mil para 200 mil, e dez semanas para sair de 200 mil para 300 mil. Assim, a taxa de mortalidade subiu para 143,1 por 100 mil habitantes, sendo a 18ª mais alta do mundo, quando desconsideradas as micronações como San Marino, Liechtenstein e Andorra.

Segundo levantamento da agência Reuters, atualmente o Brasil lidera o mundo no número médio diário de novas mortes e infecções registradas, e é responsável por uma em cada quatro mortes e um em cada sete casos contabilizados em todo o mundo a cada dia.

Com cerca de 212 milhões de habitantes e no top 6 dos mais populosos do planeta, o Brasil tornou-se fonte de preocupação global devido também ao surgimento de uma variante local do vírus, batizada de P1 e considerada bem mais contagiosa. Ela teria surgido no Amazonas.

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Com o excesso de casos, os sistemas de saúde ficaram pressionados, alguns deles em colapso, com enfermeiros e profissionais da linha de frente perdendo a vida, estressados e esgotados. Diante da aceleração da pandemia, o governo federal anunciou a criação de uma secretaria especial do Ministério da Saúde dedicada exclusivamente à pandemia. De acordo com o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, essa secretaria funcionará 24 horas por dia e concentrará esforços contra a Covid.

Uma das apostas é o aumento exponencial da velocidade de vacinação no País. Como a demanda pelas doses é mundial, tornando a compra de vacinas no mercado internacional algo difícil, os brasileiros se apoiam nas produções da Fiocruz e do Instituto Butantan para tentar acelerar a imunização.

A Fiocruz, por exemplo, promete entregar uma média de 22 milhões de vacinas por mês a partir de abril, atingindo os 100,4 milhões de doses previstas no contrato com a Astrazeneca até julho deste ano.

Com o registro definitivo, concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Fiocruz passou a ser a detentora do primeiro registro de uma vacina contra Covid-19 produzida no País.

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Já o Instituto Butantan chegou a 25,6 milhões de doses já entregues ao Plano Nacional de Imunizações (PNI). Até o fim de abril, o total de vacinas garantidas pelo Butantan ao País somará 46 milhões. O Butantan ainda trabalha para entregar outros 54 milhões de doses para vacinação dos brasileiros até o dia 30 de agosto, totalizando 100 milhões de unidades.

O Brasil é o quinto que mais vacinou em números absolutos, atrás apenas de Estados Unidos, China, Índia e Reino Unido. Nesse ranking, o Brasil está à frente de Turquia, Alemanha, Israel, Chile, França e Rússia, entre outros países.

Que a vacinação chegue de forma cada vez mais acelerada para que a imunização em massa nos ajude a voltar a uma certa normalidade! E para que a gente não atinja mais patamares marcantes como esse de quarta-feira (24).

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