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Editorial

Teoria e prática

A Prefeitura de Sorocaba iniciou na última sexta-feira (8), em parceria com várias entidades, universidades e faculdades isoladas, um projeto cultural de grande envergadura que recebeu o nome de “Conhecer para Preservar”, com uma ampla e variada programação para discutir a importância da preservação da memória sorocabana em um sentido mais amplo, desde suas construções com valor histórico até o linguajar, a música e até a gastronomia regional.

Logo após a abertura do seminário começou o primeiro painel que tratou do tema “Patrimônio cultural: da preservação às tutelas protetivas”, seguido da apresentação da Orquestra de Viola Zé Franco. O segundo painel tratou da questão do patrimônio imaterial de uma comunidade (Patrimônio imaterial: o que é e como proteger?), seguido por um terceiro painel com tema importante: “Reflexões sobre as políticas de preservação do patrimônio de Sorocaba”. No mesmo dia foi aberta a exposição “O passado e o presente do comércio de Sorocaba” na Biblioteca Infantil e a exposição de fotografias “Retratos na praça”, no Museu da Estrada de Ferro Sorocabana.

As atividades prosseguiram ontem com uma visita guiada ao Chalé Francês, uma das residências localizadas em frente à estação ferroviária, com direito a piquenique, à apresentação do “Roteiro Ferroviário” no Palacete Scarpa, além de apresentação do Grupo Facens Musical e a exibição do filme Cafundó. Hoje, na Biblioteca Infantil haverá um bate-papo sobre usos, costumes e coisas típicas de Sorocaba e outro bate-papo, este na Biblioteca Municipal, sobre conservação de mídias. A programação prossegue no próximo final de semana com visitas guiadas ao Casarão de Brigadeiro Tobias; ao Paço e Teatro Municipal: à Igreja de Santa Rita, na vila Santana; ao prédio do antigo Seminário São Carlos Borromeu; ao Santuário de Aparecidinha; ao Museu Histórico Sorocabano; à Casa Aluísio de Almeida e até ao Cemitério da Saudade. O roteiro gastronômico preparado pelo projeto inclui a visita a padarias e bares tradicionais. Ao todo são mais de 40 atividades gratuitas. Seminários, palestras e visitas guiadas contam com a colaboração de professores das universidades locais e especialistas das áreas, oferecendo uma boa oportunidade para que a população conheça a importância da preservação de nosso patrimônio.

Por outro lado, a Jornada do Patrimônio acontece alguns dias depois que o Ministério Público Estadual abriu um inquérito civil para investigar o abandono do antigo Matadouro Municipal de Sorocaba, patrimônio tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico em 1996 e que está em ruínas. A intervenção do MP ocorreu após a publicação de reportagem pelo jornal Cruzeiro do Sul mostrando que o prédio localizado no final da rua Paes Linhares e construído em 1928 está em ruínas. O promotor responsável pelo caso questiona a Prefeitura sobre a situação do imóvel e quer saber se medidas emergenciais estão sendo tomadas para impedir que a edificação venha abaixo. O promotor informou ainda que, caso a Prefeitura já tenha um projeto de restauração pronto, poderá ser estabelecido um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) por meio do qual se compromete a restaurar o imóvel.

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Curioso também é notar que a Jornada do Patrimônio realiza algumas de suas atividades em prédios com sérios problemas de manutenção e que precisam de restauro. É o caso do Casarão de Brigadeiro Tobias, da sede do Museu Histórico Sorocabano, do Palacete Scarpa, cuja restauração se arrasta há anos e nunca termina. As atividades referentes á memória ferroviária não foram realizadas na estação da antiga Estrada de Ferro Sorocabana provavelmente porque a mesma está em péssimas condições. As atividades culturais relacionadas à preservação do patrimônio acontecem também alguns dias depois que a Associação Comercial de Sorocaba (Acso), uma das promotoras do evento, desistiu de restaurar o prédio do Fórum Velho, onde funcionou durante anos a Oficina Cultural Grande Otelo – e que seria o local ideal para sediar esse tipo de evento – diante da morosidade do governo estadual e da Prefeitura em ceder o imóvel à entidade por meio de um contrato de comodato. O prédio, como já foi comentado neste espaço, está fechado há cinco anos e corre sério risco de ter sua estrutura ainda mais comprometida por problemas de infiltração.

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A Prefeitura e os demais organizadores da Jornada do Patrimônio de Sorocaba estão de parabéns pela quantidade e diversidade de atividades realizadas no evento. Mostra que, ao menos teoricamente, há um grande interesse na preservação de nosso patrimônio. Só é preciso que o Poder Público passe à prática, antes que muitos dos prédios tombados da cidade se transformem em ruínas.

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