Saúde na berlinda

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Sorocaba encontra-se em uma situação de alerta para casos de arboviroses, doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, chikungunya, zika e febre amarela). Preocupa o fato de que não houve interrupção de casos da dengue durante o período em que a região ficou sem chuvas, um fator de alerta para a possibilidade de novo momento epidêmico no próximo período sazonal, que será no primeiro semestre de 2020.

O temor é da própria Secretaria da Saúde (SES) que divulgou nota sobre o assunto. Segundo dados da SES, a cidade registrou 1.062 casos confirmados de dengue, sendo 905 autóctones, 88 de chikungunya (79 autóctones) e um caso importado de febre amarela.

A última Avaliação de Densidade Larvária (ADL) realizada no município mostrou um índice de 1,1%, que indica sinal de alerta para infestação do mosquito. Houve redução em relação à última avaliação feita no mês de julho, quando o índice era de 1,5%, mas ainda aponta sinal de alerta.

A proliferação dos criadouros ocorre muito mais rapidamente em períodos de temperatura quente e com chuvas abundantes, o que deverá ser comum daqui para frente. Com relação ao sarampo, doença que tem se espalhado pelo Estado de São Paulo, a situação também é preocupante.

A SES, por meio da Vigilância Epidemiológica Municipal, identificou 46 casos autóctones confirmados da doença em Sorocaba, distribuídos em todas as áreas do município.

Sobre a vacinação em crianças, foi registrada uma boa cobertura no município, com 95,06% de imunização em crianças com 1 ano e pouco mais de 100% em crianças entre 6 e 11 meses, superando a meta exigida pelo Ministério da Saúde.

A partir da próxima segunda-feira a vacinação contra o sarampo vai priorizar adultos jovens não vacinados na faixa etária de 20 a 29 anos, com a realização do “Dia D” nas 32 unidades básicas de saúde.

Como se vê, são problemas complexos que tendem a se agravar se não ocorrerem ações firmes do poder público municipal. Mas para isso a Secretaria de Saúde precisa estar preparada para esse enfrentamento e organizada para atender às demandas. Infelizmente não é isso que chega ao noticiário.

Pesquisas e incursões dos vereadores, que fazem parte da CPI dos gastos com a saúde, da Câmara de Sorocaba, têm mostrado uma situação confusa e preocupante falta de organização. CPIs, em qualquer instância do Legislativo, sempre têm algum tipo de conotação política, mas mesmo descontando-se esse fator, a situação preocupa.

Uma das integrantes da CPI denunciou em plenário há uma semana a falta de atendimento adequado à população nas Unidades Pré-Hospitalares da zona oeste e da zona norte, ambas terceirizadas. Na edição de ontem, este jornal trouxe a informação de que há falhas muito grandes no controle de medicamentos na Secretaria da Saúde de Sorocaba.

Um de seus integrantes apresentou a denúncia de que os estoques da Secretaria tinham itens para distribuição suficientes para 700 meses, ou 58 anos, um dado extremamente preocupante tendo em conta que medicamentos têm validade média de dois anos.

Na realidade, não há montanhas de remédios estocados como os registros fazem crer, mas sim uma enorme confusão nos controles da Pasta, uma vez que os medicamentos devem ter sido distribuídos sem o devido controle, sem dar baixa nos registros dos estoques.

Segundo o vereador, não se lançava quem recebia a medicação, criando um emaranhado de dados confusos e imprecisos. O mesmo parlamentar alertou que a situação foi sanada em algumas unidades, mas ainda falta controle nas unidades de Pronto-Atendimento e na Policlínica.

Os membros da CPI também encontraram prontuários da saúde dos pacientes da rede municipal de saúde armazenados de forma inadequada no arquivo da Prefeitura.

A SES, por seu lado, informa que adotou recentemente um novo formato para acompanhar os estoques de medicamentos em tempo real, monitorando inclusive o prazo de validade daqueles produtos.

Quanto aos prontuários, a Prefeitura informa que eles estão sendo organizados desde o início do mês. Há 14 dias, portanto, e que dois funcionários foram remanejados para o arquivo central para fazer a organização.

Ou seja, se os problemas não estão ocorrendo neste momento, quer nos estoques, quer nos prontuários, pela resposta oficial da Prefeitura é possível deduzir que, num passado muito próximo, eles ocorreram, tanto que ainda puderam ser notados pelos membros da CPI.

A SES tem como titular o médico Ademir Watanabe, funcionário de carreira que assume o posto pela quarta vez, já tendo dado mostras de sua capacidade profissional. Ocorre que pelas idas e vindas da atual administração, a SES já teve seis secretários em menos de três anos.

A falta de organização em alguns períodos pode muito bem ser reflexo dessa constante e indesejada troca de comando em uma secretaria considerada essencial.