Editorial

Saúde e educação

Educação e saúde de qualidade, ao lado da segurança pública, estão entre os maiores anseios da população brasileira

O governo do prefeito José Crespo (DEM) começou uma nova fase nesta semana. Ao chegar à metade de seu mandato, finalmente conseguiu terceirizar o atendimento de duas Unidades Pré-Hospitalares (UPHs), das zonas norte e oeste, que desde ontem são administradas por uma organização social que venceu o edital de chamamento para a gestão compartilhada das UPHs. A área da educação também inicia uma nova fase, com a inauguração ainda neste mês de três novas creches que serão geridas pelo regime de gestão compartilhada. As unidades a serem inauguradas funcionarão em prédios onde antes funcionavam as Oficinas do Saber nos bairros Jardim Rodrigo, Jardim Montreal e Ana Paula Eleutério.

Educação e saúde de qualidade, ao lado da segurança pública, estão entre os maiores anseios da população brasileira. E os políticos sabem disso. Tanto que as propostas de candidatos a qualquer cargo eletivo, com variáveis regionais, giram em torno desses três temas. Desde que tomou posse, há dois anos, o prefeito Crespo vem tentando introduzir a gestão compartilhada em alguns serviços da área da saúde e educação. E desde o princípio de seu governo encontrou resistência por parte do funcionalismo público, de sindicatos dos servidores e das categorias profissionais envolvidas. A Prefeitura ainda pretende estender a gestão compartilhada para a Policlínica, onde a fila para consultas com especialistas é gigantesca.

Qualquer cidadão que acompanha o noticiário sabe que são comuns as queixas contra atendimento demorado e a falta de profissionais da saúde nas UPHs. Em mais de uma ocasião, cidadãos descontentes interromperam o trânsito das vias localizadas em frente às unidades como medida extrema para alertar as autoridades. Ao introduzir a gestão compartilhada a Prefeitura quer liberar os profissionais concursados que atuam nesses locais para reforçar as unidades básicas de saúde, uma rede com mais de 30 postos espalhados por toda a cidade. Dessa forma, a contratação de médicos de várias especialidades uma tarefa difícil para o poder público fica por conta das organizações sociais e retira um peso grande da folha de pagamentos do município.

Gestão compartilhada na área da saúde não chega a ser uma novidade em Sorocaba. Duas unidades de saúde, a UPH Zona Leste e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Éden são administradas há vários anos por uma organização social e conseguiram o reconhecimento da população pelo bom atendimento que oferecem. Em unidades sob a responsabilidade do governo estadual temos o novo Hospital Regional Dr. Adib Jatene, administrado por uma organização social e, mais recentemente, o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) também ganhou esse tipo de administração.

Também na área da educação, onde as resistências foram grandes, a Secretaria de Educação do município (Sedu) anuncia que vai inaugurar ainda este mês três novas creches que terão gestão compartilhada. As unidades, localizadas em três bairros da região norte serão as primeiras de uma série de creches a serem inauguradas. A Sedu informa que ao longo de 2019 outras 30 creches que funcionarão em período integral deverão entrar em funcionamento, suprindo a demanda reprimida que é grande. Atualmente, segundo a secretaria, são 1.077 crianças inscritas aguardando uma vaga. Das 30 novas unidades prometidas, outras dez ocuparão antigas unidades do projeto Oficina do Saber que passarão por adaptações e 20 novos prédios serão construídos. A Sedu garante que as inaugurações acontecerão ao longo do ano e as entidades escolhidas serão convocadas seguindo esse cronograma. A escolha das entidades que vão dirigir as unidades foi baseada, segundo a Prefeitura, na experiência que cada uma delas tem nessa área e segue orientação feita pelo Ministério Público. Sorocaba, como se sabe, tem um problema crônico de falta de vagas para creches. Muitas crianças conseguem garantir vaga somente por meio de ações na Justiça.

Com um novo tipo de gestão, mesmo que parcial, a atual administração terá oportunidade de mostrar se o processo de terceirização poderá trazer melhores resultados nessas duas áreas prioritárias da administração municipal.

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