Editorial

Que 2019 nos seja leve

Faz parte da nossa sina vencer adversidades com pouco dinheiro no bolso e muita esperança na alma
Crédito da foto: AFP/ Greg Wood

O ano termina em paz contrariando as promessas eram de conflitos — e até confrontos — entre defensores da esquerda e direita. No ano que a seleção perdeu a Copa e não aconteceu nada, sem dramas, sem depressão. Aliás, quem se lembra que participamos da Copa do Mundo de Futebol, que somos cinco vezes campeões do mundo? Quem se importa? A seleção já não encanta como antes e nem serve a interesses políticos. A Pátria de chuteiras viu seu craque fazendo mais sucesso como personagem “pastelão” de riso e zombaria em memes pelo mundo afora. A Cultura foi golpeada pelos youtubers, anônimos que atraem milhões de seguidores, ditam comportamentos e tendências de moda e, contrariando as regras, fazem arte. São as novas formas de comunicação fora dos padrões globais. É a nova cultura popular. São senhoras, jovens e crianças, até gente madura, alguns profissionais: a liberdade de expressão ignorou as caras produções. Agora, belas caras, bonitas e, nem sempre, talentosas, surfam nas ondas de escolha do internauta e este decide o que e como quer consumir: arte não pasteurizada, livro que nunca seriam publicados, casas de aluguel que nunca seria visitadas, políticos de pouca expressão que se elegem porque falam a linguagem do inconsciente coletivo.

Se o choque cultural veio de anônimos, o maremoto (que foi substituído pelo tsunami) chegou com as urnas, culpa do whatsApp, a personalidade do ano, e o Facebook, que entregou nossos nomes e nossas informações a terceiros e quartos — para manipulação de opinião. E outros menos cotados que crescem em importância. Arrasaram os institutos de pesquisa e os especialistas de plantão. A tal de mídia social, pelo telefone colocou um candidato improvável no Planalto. “O chefe da folia, pelo telefone manda me avisar, que com alegria, não se questione para se brincar…” E assim elegeu muitos outros que souberam captar a mensagem presa no peito dos brasileiros. Que queria o final de um império de corrupção. Que quer um Brasil de respeito. Que deposita muita confiança na mudança. Que peso. Que responsabilidade.

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A democracia que ocupou menos as praças como era em Atenas, vai às redes sociais ao mesmo tempo e com as vozes anônimas e os rostos desconhecidos varreram de políticos de carreira e seus poucos fãs aos embalsamados do Brasil. Até os rebanhos de igreja mostraram menos unidade. A Lava Jato que, na verdade, merece o prêmio Grammy de melhor atuação, viu consolidar-se nas urnas e nas prisões sua atuação exemplar. Seu maior protagonista, o Juiz Sérgio Moro é guindado a superministro. Após a nomeação, o silêncio.
A política velha, os acertos intramuros e intraescritórios sentiram o golpe. Velhas raposas e alegadas lideranças, mentiras com dinheiro público e particular que garantiam aprovações de emendas (ou seriam remendos?) foram desvendados. Malas de dinheiro, carros, joias. Tudo, todas foram desfilando por um País atônito, perplexo, não porque não tivéssemos certeza dos corruptos que nos governavam, mas porque finalmente estavam indo pra cadeia.

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Muitos sustos com ministros do STF garantistas versus consequencialistas — que se comportaram com viés partidário, em alguns momentos parecendo um campeonato de futebol amador e, quase, sem nenhum bom senso. Fizeram pensar que a venda na imagem da Justiça é para evitar os sustos que saem de cada decisão. Entre elas a soltura de condenados por corrupção e até mesmo o polêmico indulto de Natal que ficou entre ser promulgado e o quase.

Amargamos o bolso vazio, a queda no comércio, e paralisação na construção civil e 13 milhões de desempregados. O Rio de Janeiro foi sitiado por tropas e marginais numa guerra que teve data para começar e está longe de terminar e provou que a intervenção militar pouca ou nenhuma diferença fez. Mas prendeu seu mais gatuno. Aliás, prendeu outros grandes gatunos num trabalho de formiguinha e de exemplar investigação do MP, PF e Justiça. Dentro da lei na desordem.

Aos poucos nossa economia foi se apoiando com a dificuldade de um convalescente que escapa aos poucos do leito e calça o chinelo roto. E graças ao Temer, presidente da República, fora ele ou não, nossa economia vai mantendo com crescimento anêmico. Mas vai. E hoje sabemos que o nosso fundo do poço era falso, ainda mais para descer.

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O Programa Mais Médicos era na verdade “Mais do mesmo” esquema de tirar dinheiro do país já pobre para favorecer um país que veio trazer saúde e igualdade para o Brasil, quando falta justamente isso a Cuba. Foram embora contradizendo a catástrofe da sua falta. O paciente Brasil vai se recuperando.

Outros “picaretas”, usando um jargão presidencial pouco recomendável, tomaram finalmente o caminho de cela. Os falsos profetas e os marginais também. Até mesmo dentro das polícias vai havendo uma limpeza com ações do Gaeco que busca separar joio do trigo. Ameaças de morte a promotores e chefes de tráfico vão sendo controladas.

Em Sorocaba, um imbróglio entre prefeito e vice-prefeita parece não ter fim. Mas, como dizem, quem pariu Mateus que o embale. Resta saber se o vulcão pariu um rato.

A cidade cresce a vai amargando um adensamento que irrita os motoristas. Mas ganhamos o selo de Cidade Verde num concurso de critérios onde cada cidade informa o que quer.

Não foi um ano fácil. Nunca é. Nem o próximo será. Não importa, faz parte da nossa sina vencer adversidades com pouco dinheiro no bolso e muita esperança na alma.

Feliz ano novo aos nossos leitores, assinantes, anunciantes e amigos. Em especial à equipe toda do jornal Cruzeiro do Sul, de jornalistas a diretores da FUA.

Vem aí 2019. Que nos seja leve. Merecemos.

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