Editorial

Prédio recuperado

Sorocaba tem inúmeros prédios públicos bem localizados que poderiam ser aproveitados dessa maneira
Antigo galpão da laranja, que estava deteriorado, irá abrigar agência ambiental da Cetesb. Crédito da foto: Emídio Marques.

Reportagem publicada por este jornal na edição de ontem mostra um conjunto de prédios vistosos, em fase final de acabamento, e que dentro de pouco tempo vai abrigar os escritórios regionais da Secretaria do Meio Ambiente: Agência Ambiental de Sorocaba, laboratórios da Cetesb, Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e Fundação Agência de Bacias Hidrográficas do Médio Tietê. Todas essas repartições públicas do governo estadual funcionam hoje espalhadas pela cidade, a maioria em imóveis alugados. A centralização desses serviços em um único local trará agilidade e muita economia para os cofres do Estado.

Esse conjunto de prédios tem uma história rica e já teve papel importante na economia regional. Chamado tempos atrás de Packing House (casa de embalagem, em tradução literal), ele foi construído no final da década de 20 do século passado pelo governo estadual para dar suporte à exportação de laranjas. Entre 1920 e 1940 Sorocaba foi um dos maiores produtores de cítricos do Estado. O edifício foi construído estrategicamente ao lado dos trilhos da ferrovia para o escoamento da produção e foi cedido, assim que ficou pronto, para a Cooperativa de Citricultores de Sorocaba, que utilizou as instalações para o beneficiamento, classificação e empacotamento das laranjas destinadas ao mercado externo. Do Packing House as laranjas eram embarcadas e seguiam de trem para o porto de Santos. O ciclo da laranja durou até o início dos anos 1940 e as exportações foram interrompidas em virtude da Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que os laranjais foram dizimados por uma praga.

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A Secretaria da Agricultura do Estado utilizou as edificações para várias atividades, mas acabou fechando as portas e mais tarde passou o conjunto para a Prefeitura de Sorocaba. Há alguns anos, uma organização não governamental tentou criar o Centro Cultural da Laranja e a Prefeitura de Sorocaba acenou com a possibilidade de o local abrigar um Museu do Automóvel. As duas iniciativas não foram adiante.

Durante anos o conjunto de prédios esteve abandonado, constantemente invadido por moradores de rua, se tornou ponto de consumo de drogas e mais tarde foi ocupado por um grupo de artistas de rua. Nessa situação, o prédio acabou sendo devolvido pelo município para o governo estadual e a impressão que se tinha é que, com os poucos recursos que se destinam para esse tipo de restauração, o local se transformaria rapidamente em ruínas. Há dois anos, entretanto, representante da Secretaria do Meio Ambiente visitou o local e constatou o potencial do conjunto de edificações, com uma área de quase 7 mil metros quadrados, para abrigar vários órgãos estaduais de controle ambiental e hídrico. O Estado gastou R$ 4,4 milhões para recuperar o conjunto. O único inconveniente está em uma das vias de acesso ao local, que tem um pontilhão muito estreito, um problema que precisa ser solucionado com o auxílio da Prefeitura.

As obras de restauração do antigo Packing House mostram que recuperar prédios públicos abandonados ou subutilizados pode ser um bom negócio para valorizar o patrimônio histórico, economizar aluguéis e, nesse caso, centralizar serviços públicos de uma mesma secretaria. Sorocaba tem inúmeros prédios públicos bem localizados que poderiam ser aproveitados dessa maneira. É o caso do complexo das oficinas e escritórios da antiga Fepasa e da própria estação ferroviária; do Fórum Velho e do antigo Matadouro, entre vários outros. Parte do conjunto de construções ferroviárias, por exemplo, foi colocado à disposição do Instituto Federal de Educação que, sem recursos para as reformas, ministra seus cursos em locais improvisados, uma escola de bairro e algumas salas em Santa Rosália emprestadas pela UFSCar.

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Quanto ao Fórum Velho foi celebrado um acordo com a Associação Comercial da cidade para sua restauração e uso comum, mas o projeto ainda não saiu do papel. O antigo Matadouro, que já foi cogitado para sediar um centro cultural, está praticamente em ruínas.
O exemplo dado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado em recuperar um prédio praticamente condenado para abrigar seus órgãos regionais é um exemplo que precisa ser seguido.

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