Editorial

Planejamento urbano

Sorocaba vem crescendo em um ritmo acelerado nas últimas décadas

Representantes de entidades de peso como a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (Aeas), Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), com apoio da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e Instituto Defenda Sorocaba reuniram-se na última segunda-feira e divulgaram um manifesto, fruto desse primeiro encontro em que foi discutido o planejamento urbano do município. O documento pede reflexão sobre os caminhos para o crescimento sustentável do município. Entre as propostas estão a revisão de projetos de obras e um novo Plano Diretor para o município a ser elaborado com ampla participação popular.

Sorocaba vem crescendo em um ritmo acelerado nas últimas décadas e é importante que entidades representativas como essas se reúnam e se manifestem pelo crescimento ordenado e sustentável do município. O manifesto divulgado após os debates alerta para os perigos socioambientais proporcionados pelo crescimento desordenado, a alta taxa de urbanização e a redução de áreas verdes. Crescimento a qualquer custo traz resultados que todos conhecemos e aí estão vários exemplos no País, com suas implicações urbanísticas, degradação ambiental, densidade populacional, entre outros problemas difíceis de serem solucionados.

Como foi debatido no encontro, que originou o documento, a função final do planejamento urbano adequado é a melhora da qualidade de vida, avaliando os vazios urbanos e distribuindo a população em locais adequados, com diretrizes claras para o crescimento da cidade. Foi lembrado no encontro um exemplo de crescimento problemático já enfatizado neste espaço, que é a criação de núcleos habitacionais gigantescos distantes da região central da cidade, como é o caso dos conjuntos residenciais Carandá e Altos do Ipanema que, juntos, somam mais de 20 mil habitantes, uma pequena cidade. Esses núcleos foram construídos em locais distantes, onde não havia qualquer infraestrutura, certamente pelo custo mais baixo da área. O investimento do poder público para tornar esses conjuntos viáveis é altíssimo. É preciso levar redes de água e esgoto, iluminação e energia elétrica, sistema viário, linhas de ônibus, postos de saúde, escolas e creches, entre outros equipamentos. Sem contar o problema do deslocamento diário dos milhares de moradores obrigados a fazer pequenas viagens para chegar aos seus locais de trabalho e estudo. Além do custo alto, esse deslocamento de infraestrutura acaba valorizando áreas de terceiros localizadas nas proximidades.

Entre várias propostas, o grupo sugere à Prefeitura que promova uma revisão dos projetos de obras que estão vindo a público e aqueles em estudo e que possam impactar na qualidade de vida dos sorocabanos. Sugere ainda — e talvez esse seja o ponto mais importante — a elaboração de um novo Plano Diretor baseado em uma política de desenvolvimento urbano, voltado para as novas gerações. O presidente da Associação Comercial, Sérgio Reze, defende que o Plano Diretor seja elaborado com o respaldo de entidades técnicas e da população, e não visando a interesses e pedidos individuais, enquanto que o representante do Ciesp lembrou que o crescimento desenfreado traz problemas sociais perfeitamente evitáveis com um bom planejamento.

Além do exemplo dos conjuntos habitacionais construídos em áreas distantes e sem infraestrutura, condenados a se transformarem em guetos se não houver assistência constante do poder público, Sorocaba vem sofrendo com o adensamento urbano em determinadas regiões da cidade, fenômeno que, no médio prazo, resultará em piora da qualidade de vida dessas regiões. É absolutamente saudável que entidades representativas e importantes nas áreas da engenharia, arquitetura, comércio e indústria se reúnam para debater os problemas da cidade. O debate aberto e democrático, as conclusões resultantes desse tipo de encontro e as sugestões apresentadas só podem ajudar o poder público na tarefa nem sempre fácil de ordenar o crescimento.

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