Editorial

Pequenas gentilezas

O medo do desabastecimento seria a causa da falta de produtos em alguns pontos de venda, mas a situação é pontual

Os brasileiros estão sendo submetidos a muitos sacrifícios por conta das medidas adotadas contra o avanço do coronavírus. O fechamento do comércio e estabelecimentos não essenciais têm trazido muitos contratempos nestes dias de recolhimento forçado, principalmente para aqueles que pertencem ao grupo de risco e têm que evitar ao máximo sair de casa.

Após vários dias de isolamento social, crescem as queixas contra o desabastecimento de alguns produtos e da elevação de preços de outros, tanto em supermercados como nas farmácias.

O produto mais difícil de encontrar desde o início da pandemia é o álcool em gel. O comércio recebe quase que diariamente lotes desse produto, mas ficam apenas alguns minutos nas gôndolas por conta da intensa procura.

Houve também, nos últimos dias, uma corrida para a compra de botijões de gás de 13 quilos, o que forçou algumas empresas a limitar o número de unidades vendidas.

O medo do desabastecimento seria a causa da falta de produtos em alguns pontos de venda, mas já se percebe que aquele ímpeto de formar grandes estoques de alimentos e produtos de higiene que atingiu muitas pessoas no começo da pandemia está perdendo força, uma vez que o abastecimento do comércio continua normal.

Leia mais  Isolamento em nova fase

Segundo a Associação Paulista de Supermercados, estão ocorrendo somente faltas pontuais de produtos e que toda a cadeia produtiva e de distribuição tem condições de abastecer o mercado sem problemas.

Quanto à elevação de preços, o Procon de Sorocaba e o de Votorantim divulgaram ações para coibir a prática. O Procon de Sorocaba recebeu desde terça-feira 295 denúncias de aumentos abusivos de preços de alimentos e produtos de limpeza em supermercados, mercados e hipermercados.

Denúncias de abusos podem ser enviadas ao órgão por meio de seu site, do WhatsApp ou pelas redes sociais. Os comerciantes estão sendo notificados.

Por outro lado, estão surgindo uma série de serviços, atendimentos alternativos que mostram que muitos comerciantes, responsáveis por algum tipo de serviço se preocupam com a clientela, principalmente com aqueles que pertencem ao grupo de risco.

Restaurantes, açougues e rotisseries têm se esforçado para manter o movimento nestes dias difíceis. Os primeiros, impedidos de funcionar de maneira tradicional, se adaptaram para vender refeições embaladas para viagem ou entregando suas refeições por meio de aplicativos, enquanto que os açougues e as rotisseries estão aperfeiçoando na entrega em domicílio.

Um sistema diferenciado de venda em uma famosa rede de padarias tem chamado a atenção. O consumidor que não quiser entrar no estabelecimento pode encomendar o que precisa pelo WhatsApp e retirar o produto nas vagas de estacionamento das lojas.

Leia mais  A pandemia e as metrópoles

O restaurante local da rede Bom Prato, que serve café da manhã e almoço a preços subsidiados e é frequentado por acompanhantes de pacientes do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, idosos e pessoas de baixa renda, como não pode oferecer as refeições pelo método tradicional em seu salão, passou a fazer embalagens para viagem e continua vendendo cada almoço a R$ 1, atendendo centenas de pessoas por dia.

O único problema é que no horário de atendimento ainda formam-se filas na porta do estabelecimento, o que precisa ser evitado ou disciplinado. Os bancos estão praticamente fechados, mas o acesso à área dos caixas eletrônicos passou a ser controlado por funcionários.

Poucos entram de cada vez, assim como acontece em muitas farmácias, para evitar o acúmulo de pessoas em um mesmo ambiente. Os supermercados têm fechado mais cedo e a maioria implantou procedimentos para dar mais segurança aos consumidores.

Leia mais  Estado de SP tem 6.220 mortes por covid-19 e isolamento vai a 55%

Um deles, localizado na zona oeste da cidade, além de higienizar o carrinho e as mãos dos clientes na entrada e saída da loja, mantém um profissional de saúde no estabelecimento medindo a temperatura de quem pretendia entrar na área de compras.

Há ainda iniciativas dignas de elogios entre grupos de cidadãos. Lideranças comunitárias da cidade têm se reunido para tentar ajudar os mais necessitados. Estão arrecadando mantimentos e produtos de higiene pessoal para doar às pessoas mais vulneráveis da cidade.

Segundo levantamento recente, em dois dias 100 famílias receberam um kit com álcool em gel, papel higiênico e sabonete, resultado de doações feitas por empresários e também de uma “vaquinha virtual” criada para conseguir recursos para a compra dos produtos.

Quem sabe, quando passar a pandemia e as coisas voltarem ao normal, algumas dessas gentilezas possam se incorporar ao cotidiano dos sorocabanos.

Comentários