Editorial

Pelo fim do ‘vrumvrumvrum’

Ação conjunta contra a poluição sonora provocada pelas motocicletas em Sorocaba merece aplausos

Se tem algo altamente irritante para as pessoas que prezam pela educação e pelo bom senso é a poluição sonora causada pelo barulho excessivo de veículos.

E entre eles, o destaque negativo absoluto é o ronco exagerado de algumas motocicletas. Ou melhor, o ronco feito pelos motociclistas.

Sim, são eles os culpados se suas motos estão causando incômodo às pessoas. Os motores das motocicletas são apenas o meio pelo qual o motociclista extravasa toda a sua falta de educação, sua frustração.

Uma avaliação psicológica mais aprofundada certamente encontrará — além da falta de educação e desprezo pelo bem estar do próximo — elementos como sentimento de inferioridade, necessidade de autoafirmação e até falta de amor próprio.

Esses infelizes que chateiam nosso dia a dia com seus “vrumvrumvrum” estridentes e insuportáveis devem achar que “barulho é documento” – numa livre adaptação da expressão “tamanho é documento”.

É como se o barulho fosse prova de força, capacidade. “Quanto mais barulhenta for a minha moto, mais poderoso eu sou”, devem pensar. Que imbecilidade!

Poluição sonora é qualquer emissão de ruído ou som que possa prejudicar a saúde, o sossego e o bem-estar dos indivíduos. É considerada um grave problema, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), haja vista que afeta a qualidade de vida de milhares de pessoas.

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Além das questões de saúde, a poluição sonora é também motivo de conflitos entre a população, sendo, portanto, um problema abrangido por lei e enquadrado como crime ambiental.

De acordo com o Ministério Público, com relação ao meio ambiente, a poluição sonora está relacionada à qualidade de vida, ao planejamento urbano e ao patrimônio cultural.

A poluição sonora das motocicletas atrapalham muita coisa no nosso cotidiano. Transforma o trânsito em algo ainda mais estressante do que ele já é normalmente.

Causa irritação, incomoda os enfermos. Em certa medida, mais poética, claro, impede que as pessoas possam apreciar alguns sons da natureza, como o canto de um pássaro, o barulho do vento nas árvores, o som da chuva. O “vrumvrumvrum” desmedido atrapalha o sono daqueles que merecem e precisam do descanso.

Em especial bebês e idosos. Quem tem criança pequena em casa que já foi acordada por uma motocicleta berrante sabe bem do que estamos falando.

Nesse sentido, o que aconteceu na manhã de ontem na avenida Américo Figueiredo, na altura do número 4.465, no Jardim Santa Bárbara, em Sorocaba, merece atenção, apoio e aplausos por parte da população. Uma blitz de controle de ruído emitido pelo escapamento de motocicletas resultou em 38 autuações e uma moto apreendida.

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Durante a intervenção, ocorrida entre 9h30 e 11h, 17 motocicletas foram abordadas. Destas, cinco foram encaminhadas para a medição de ruído feita pelo corpo técnico da Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) e duas foram autuadas por infrações ambientais, no valor de R$ 2.595,17, baseada na Lei Municipal nº 11.367, de 12 de julho de 2016.

As medições feitas por técnicos da Sema são realizadas por meio de um aparelho chamado sonômetro, que é um medidor de som. Já a Polícia Militar aplicou três multas e apreendeu uma motocicleta. E a Urbes e a GCM autuaram juntas, no total, 33 motos, com base no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

A ação conjunta para coibir a poluição sonora causada pelo escapamento de motocicletas,foi realizada pela Prefeitura de Sorocaba, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema), Urbes, Guarda Civil Municipal (GCM) e Polícia Militar.

Evidentemente que, dentro de um cardápio de infinitos tipos de delitos cometidos no País, a poluição sonora pode ser vista ou tratada como algo menor. É compreensível. Afinal, em um País que tem gigantesca incapacidade de punir crimes graves, fazer esse tipo de fiscalização pode parecer perfumaria. Mas não é.

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É preciso mostrar que existem leis e regras, e que elas precisam ser respeitadas. Aos infratores, punição. Simples assim. Até que todos nós finalmente aprendamos a viver em sociedade, respeitando o próximo. Afinal, o meu direito termina quando começa o direito do próximo. Do contrário, é melhor voltarmos para as cavernas.

E o assunto não ficou apenas na blitz presencial. Além da ação policial em si, a secretaria municipal lançou uma pesquisa on-line para identificar quais as principais vias da cidade com maior incidência desse tipo de poluição sonora.

Os locais são passados às autoridades de segurança para o planejamento das próximas ações. Para participar da pesquisa, basta acessar o formulário no site da Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema). Uma iniciativa de se tirar o chapéu. Que os munícipes participem, denunciem casos de poluição sonora e que as autoridades tomem providências, autuando e multando os infratores. Os cidadãos de bem agradecem.

Muitos brasileiros acreditam que há um horário aceitável para “fazer barulho”. Contudo, essa é uma ideia errada, pois provocar ruídos ou sons que afetem o bem-estar social é nocivo, independentemente da hora do dia ou da noite.

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