Editorial

Para qualquer idade

O acesso às novas tecnologias e a rapidez de aprendizagem de uma pessoa com mais de 60 anos são diferentes daqueles da chamada Geração Z

O número de idosos no Brasil, assim como em quase todo o mundo, está crescendo de maneira significativa. Enquanto as taxas de natalidade despencam e os avanços da medicina preventiva e da infraestrutura urbana, com saneamento básico eficiente, entre tantos outros fatores, contribuem para que os brasileiros vivam mais, estimativas indicam que, nos países desenvolvidos, 25% da população mundial terá 60 anos ou mais, e a expectativa de vida para homens deverá atingir 87,5 anos e 92,5 para as mulheres. No Brasil, de acordo com o IBGE, em 2050 a população atingirá a faixa média de 81,2 anos, com 22,7% da população acima dos 60 anos. Com esse grande contingente de idosos, o País terá de programar uma série de medidas para promover um envelhecimento saudável e ativo a essas pessoas.

Especialistas em comportamento de idosos lembram que a maioria deles sente falta do convívio ou o contato com pessoas da mesma idade, com a qual trocaram experiências profissionais ou mantiveram amizade ao longo da vida, seus contemporâneos, além dos contatos familiares. A internet em geral e especialmente as redes sociais propiciam um relacionamento importante para pessoas idosas, que podem refazer contatos com familiares distantes, antigos colegas de trabalho e, principalmente, servir de ferramenta para pesquisas sobre assuntos de seu interesse. De certa forma, as novas tecnologias têm condições de ajudar a retirar o idoso do isolamento. Ocorre que os mais idosos têm uma dificuldade muito grande de dominar novidades tecnológicas. Não há demérito algum em pessoas mais velhas não dominarem essas novas técnicas, que evoluíram muito rapidamente. O acesso às novas tecnologias e a rapidez de aprendizagem de uma pessoa com mais de 60 anos são completamente diferentes daqueles de uma criança de 7 ou 8 anos, da chamada Geração Z, que praticamente já nasceu interagindo com computadores, tablets e celulares, com grande facilidade em assimilar tecnologias.

Foi para ajudar a geração mais antiga, que encontra natural dificuldade com os meios digitais, que o Centro de Educação Continuada e Aperfeiçoamento Profissional (Cecap), da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA) criou o curso “Redes sociais para a melhor idade”. Por meio de um curso extremamente simples e prático, os alunos estão aprendendo coisas básicas das redes sociais que se tornam extremamente úteis no cotidiano. Muitos utilizavam o celular apenas para as funções originais do aparelho, ou seja, fazer ligações, sem ter noção de como utilizar a grande quantidade de aplicativos que está à disposição no aparelho. Saber compartilhar uma foto de viagem, criar um grupo no WhatsApp para conversar com a família, ou mesmo pesquisar na internet são conquistas importantes. A utilização de aplicativos por idosos tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, em 2016 14,9% dos idosos brasileiros já utilizavam a internet, praticamente o dobro do que em 2006. A necessidade de inclusão digital não é um problema exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, pesquisa da Pew Research Center mostra que um terço dos americanos com 65 anos ou mais nunca usa a internet. No Brasil, dos mais de 5 milhões de idosos conectados, a maioria está na região Sudeste (60%) e pertence às classes A e B.

São poucas as instituições que oferecem cursos de inclusão digital, incluindo o uso de aplicativos. Há alguns anos, o projeto Sabe Tudo, criado pela Prefeitura de Sorocaba e que mantinha uma rede de 32 unidades espalhadas pelos bairros da cidade, oferecia, entre outras atividades, um curso de inclusão digital para idosos, mas o projeto foi desativado.

O curso do Cecap é direcionado para os idosos que desejam explorar os principais aplicativos disponíveis nos smartphones, como WhattsApp, Instagram, Facebook, Google e portais de conteúdo. Além de fazer com que os alunos aprendam a utilizar essas ferramentas, o curso também estimula o consumo de informação e entretenimento no mundo virtual de forma segura. Uma experiência que potencializa as expectativas de um futuro com melhor qualidade de vida proporcionada pelo sentimento de integração na sociedade.

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