Editorial

Pandemia afeta turismo

Retorno do turismo de maneira geral será lento e só voltará ao movimento anterior quando for descoberta vacina contra Covid-19

A pandemia causada pelo novo coronavírus afetou praticamente todas as atividades econômicas. A política de isolamento social, a adesão ao home office e ensino a distância criaram rotina na vida das pessoas que, ao menos no curto prazo, almejam continuar protegidas, com saúde e evitar ao máximo qualquer exposição desnecessária ao contágio da doença.

Todas as mudanças de comportamento e consumo provocadas pela pandemia afetaram o comércio em geral, o setor de serviços, bares e restaurantes e, especialmente o setor de turismo. Em época de epidemia global, com restrições para viagens, hotéis fechados, países com fronteiras fechadas, parques temáticos e atrações turísticas igualmente fechadas e um número reduzido de voos nacionais e internacionais levaram o setor turístico a uma crise profunda.

Atrações internacionais como os parques da Disney e países europeus que têm no turismo sua grande fonte de receita, somente agora, mais de cinco meses após o início da pandemia, é que começam a reabrir suas portas, com rigorosos protocolos de higiene, distanciamento e segurança. Se os grandes centros internacionais de turismo estão sofrendo um impacto nunca imaginado com a queda de visitantes, o mesmo acontece com cidades turísticas brasileiras, que igualmente viram os visitantes desaparecerem com o avanço da pandemia.

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Até a chegada da Covid-19 estava em franca expansão o turismo em alguns municípios do Estado de São Paulo, onde além das atrações tradicionais, foram construídos resorts, alguns sofisticadíssimos. Foram feitos investimentos de peso para dotar esses locais de infraestrutura compatível e a grande vantagem desses empreendimentos era a relativa proximidade com São Paulo e outros grandes centros, o que em épocas de crise contam bastante, pois elimina do custo das férias as passagens aéreas e os grandes deslocamentos, que geralmente tem um custo elevado, principalmente quando se trata de famílias numerosas.

Na Região Metropolitana de Sorocaba temos municípios turísticos que estão sentindo o impacto da pandemia. São Roque, Itu e Boituva tentam encontrar alternativas para que toda sua estrutura montada para atender turistas sobreviva. São Roque tem uma antiga estrutura para atender visitantes, com vinícolas, restaurantes e uma boa rede hoteleira acostumada a receber centenas de visitantes todo final de semana. Segundo cálculos da Prefeitura, a cidade deixou de receber nos últimos meses, desde o início da pandemia, algo em torno de 400 mil pessoas, levando-se em consideração a média de visitantes de finais de semana, férias e feriados prolongados. Economicamente o turismo é importante, pois corresponde a 30% da economia municipal.

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Itu passa por situação semelhante. A maioria dos turistas procuram a cidade em busca de atrações religiosas e históricas, enquanto Boituva, onde funciona o conhecido Centro Nacional de Paraquedismo e há prática de balonismo, as atividades começam a voltar ao normal, depois de vários meses sem qualquer atividade. De acordo com a Federação Paulista de Paraquedismo, aproximadamente 200 famílias dependem diretamente do funcionamento dessa atividade no município.

A Região Metropolitana de Sorocaba tem ainda dois municípios — Votorantim e Araçoiaba da Serra – classificados no ano passado como de interesse turístico, uma fase intermediária em que podem se preparar para, mais tarde, serem reconhecidos como estâncias turísticas. Votorantim divulgou que investiria os recursos recebidos do governo estadual para entregar à população o parque da Cachoeira da Chave e o Parque da Serra de São Francisco, além de incentivar a implantação do Trem Turístico e o Museu do Esporte. Araçoiaba da Serra divulgou que se dedicaria a desenvolver infraestrutura turística e revitalização dos lagos, as maiores trações da cidade, além de recuperação do Museu do município. Esses projetos certamente foram afetados pela pandemia, quando a prioridade de todos os municípios passou a ser a saúde.

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Segundo especialistas nessa área, o retorno do turismo de maneira geral será lento e só voltará ao movimento anterior quando for descoberta a vacina contra a Covid-19. Mas municípios turísticos da Região Metropolitana de Sorocaba têm a seu favor a pequena distância da cidade de São Paulo, o que favorece o turismo de um dia. Esse tipo de turismo deverá ser o primeiro a retornar à normalidade, pois pode ser feito sem uso de transporte coletivo e até sem hospedagem, mas que garante movimento para a estrutura turística dessas cidades. Enquanto o movimento não volta à normalidade, muitas cidades investem na restauração de suas atrações, reorganização do calendário de eventos, divulgação de atrações, entre outras iniciativas. É o que se pode fazer até que viajar com a família ou em grupos deixe de apresentar riscos.

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