Editorial

Os 52 anos da Castelo

Mais de meio século depois, continua sendo uma rodovia moderna e um projeto de engenharia respeitável

A rodovia Castelo Branco está comemorando 52 anos de existência. Inaugurada em 10 de novembro de 1968, a SP-280 foi considerada a primeira autoestrada do Brasil e a rodovia mais moderna em termos de engenharia. Mais de meio século depois, continua sendo uma rodovia moderna e um projeto de engenharia respeitável, mas para que continue segura é preciso pontuais intervenções em alguns trechos.

A região oeste do Estado de São Paulo sempre esteve alguns passos atrás em termos de progresso das demais regiões do Estado de São Paulo. A margem esquerda do rio Tietê, que abrande uma gigantesca área produtiva do Estado, por um longo período esteve carente de investimentos oficiais.

Atendida durante as primeiras décadas do século passado basicamente por ferrovias, entre elas a Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) e pela rodovia Raposo Tavares, ficou para trás em relação a outras regiões em vários aspectos. A moderna industrialização do país, baseada sobretudo em transporte rodoviário, foi sendo estabelecida ao longo das rodovias mais modernas de São Paulo.

Inicialmente as grandes indústrias, cientes da necessidade de acesso fácil para recebimento de matérias primas e escoamento de produção, se estabeleceram na Grande São Paulo, notadamente no ABC, às margens da via Anchieta e em outros grandes corredores rodoviários.

Foi assim que a via Dutra, ligação entre os dois maiores centros de consumo do País, se transformou em uma espécie de ‘avenida‘, com indústrias importantes em praticamente toda sua extensão no território paulista. E foi assim também que o progresso e a industrialização avançaram pelo eixo da rodovia Anhanguera, que corta o Estado e foi responsável por outro ‘corredor‘ industrial do Estado, tendo Campinas como cidade principal.

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Sabe-se que os primeiros estudos para a criação da Castelo Branco começaram em 1953, mas o projeto só foi concluído, segundo o DER, em 1961. A obra efetivamente começou em 1963 durante o governo de Adhemar de Barros e o primeiro trecho, até a cidade de Torre de Pedra, foi entregue em 1968, quando era governador Roberto de Abreu Sodré. Adhemar foi criticado por ter planejado uma obra “cara e desnecessária”, por vários de seus adversários.

Inicialmente a rodovia deveria se chamar Autoestrada do Oeste, mas com a morte do primeiro presidente do regime militar em um acidente de avião, ganhou o nome do marechal Humberto de Alencar Castello Branco. Na realidade, a construção da Castelo, a primeira autoestrada brasileira, mudou o conceito de rodovia segura no País.

Suas dimensões avantajadas – três pistas de cada lado nos 80 km iniciais — praticamente sem curvas ou fortes declives e amplo canteiro central, capaz de suportar o aumento de pistas, balizaram a construção das rodovias mais modernas do país.

Para construir o trecho da rodovia próximo a Sorocaba foi contratada a construtora Camargo Correa. Boa parte de seus trabalhadores, que haviam trabalhado na construção de Brasília e da rodovia Belém-Brasília, foram deslocados para Sorocaba.

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O grosso dos funcionários foram alojados em uma verdadeira minicidade no bairro de Cajuru do Sul, bem próximo ao traçado da futura rodovia.

A inauguração da Castelo Branco proporcionou o incentivo para que inúmeras empresas se instalassem na região, a começar pelo rápido crescimento da zona industrial de Sorocaba, no início dos anos 1970. Hoje, são vários os municípios que praticamente mudaram seu perfil econômico em virtude da presença da autoestrada. Estar às margens de uma rodovia desse porte é um fator de logística extremamente importante.

Hoje, a via que muitos achavam exageradamente larga nos anos 1960, apresenta sinais de saturação. Em horários de pico e nos finais de semana prolongados, são comuns os congestionamentos em diversos trechos, mas principalmente nos 100 quilômetros iniciais.

No trecho mais próximo à cidade de São Paulo, a rodovia ganhou pistas marginais e já houve alargamento da via principal, e mesmo assim as pistas mostram-se insuficientes para dar vazão ao grande volume de veículos. Ela recebe diariamente em seu trecho inicial, de acordo com a concessionária ViaOeste, cerca de 180 mil veículos, sendo 29 mil caminhões.

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No trecho que começa a partir de Itu o movimento cai, mas continua grande: são 66 mil veículos por dia. Pela sua importância no sistema rodoviário paulista, é vital que tanto o poder público como as concessionárias que administram diferentes trechos da rodovia, a mantenham sempre atualizada, com manutenção em dia, para continuar sendo uma das mais importantes vias de acesso ao oeste do Estado.

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