Editorial

O desafio da saúde pública

Gestão, organização, informatização e fortalecimento do atendimento nas unidades básicas parece ser consenso

No primeiro sábado do mês de outubro, o jornal Cruzeiro do Sul publicou uma página com as propostas dos candidatos a prefeito de Sorocaba sobre a área da Saúde.

Esse tipo de reportagem, abordando temas de interesse da população, será publicada até as vésperas do primeiro turno das eleições, que ocorrerá no dia 15 de novembro, sempre nas edições de sábado.

É uma maneira de dar a oportunidade aos postulantes ao cargo de prefeito para que apresentem suas propostas de maneira objetiva.

Dessa forma, os eleitores poderão analisar as propostas de todos para escolher seu candidato.

O tema Saúde foi o primeiro escolhido pelo jornal por sua relevância, pois ainda estamos no meio de uma pandemia que alterou a rotina da população mundial, provocou a mobilização das autoridades de todos os níveis de governo e exigiu um prolongado e nem sempre cumprido período de afastamento social.

O País já ultrapassou a casa das 146 mil mortes e praticamente atingiu 5 milhões de pessoas que foram contaminadas.

E toda a mobilização necessária e urgente colocou o setor de saúde, público e privado, de ponta-cabeça, uma vez que o combate à Covid-19 se tornou a prioridade absoluta.

Em Sorocaba, foi necessária a ampliação de leitos especializados, tanto clínicos como de UTI em todos os hospitais, a implantação de uma Unidade Pré-Hospitalar especializada como porta de entrada para a Santa Casa, o hospital de referência da pandemia na cidade, e a construção, a toque de caixa, de um hospital de campanha na Arena Multiúso, uma quadra poliesportiva junto à rodovia Raposo Tavares.

Ainda estamos na pandemia, há normas sanitárias em vigor e, apesar do declínio de casos e mortes, eles ainda são preocupantes.

É nesta situação que ocorre a disputa eleitoral e os candidatos têm de informar a seus eleitores como vão encarar o desafio de administrar uma cidade de grande porte, sede regional, diante dessa crise sanitária.

Como se sabe — e o jornal Cruzeiro do Sul publicou várias reportagens a respeito — com a priorização dos atendimentos dos casos suspeitos e verdadeiros de Covid-19 e com a política de isolamento social, exames e consultas agendados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram postergados, gerando um acúmulo muito grande de pessoas na fila, muitas delas com doenças graves que requerem acompanhamento e exames constantes, como aqueles com diferentes tipos de cânceres.

Com isso, a eliminação dos gargalos, filas de meses para uma consulta, terceirizações, a crônica falta de recursos são alguns dos problemas que o futuro ocupante do sexto andar do Palácio dos Tropeiros terá de obrigatoriamente enfrentar.

A Secretaria da Saúde teve sete secretários em um período inferior a quatro anos.

Acenou com a possibilidade de construção de uma nova Policlínica e de um novo hospital municipal na zona norte da cidade, sem iniciar uma coisa nem outra.

O desempenho da SES chegou a ser alvo de uma CPI específica cujo relatório final apontou problemas sérios na pasta.

Questionados, os candidatos a prefeito, em geral, concordam que os problemas nessa área são graves e tomaram outra dimensão com a pandemia do novo coronavírus.

Mas, as propostas são relativamente parecidas. Vários candidatos, por exemplo, falam na criação de uma espécie de prontuário eletrônico para organizar a questão do agendamento das consultas e dos exames.

A atual prefeita, candidata à reeleição, defende a construção de uma nova Policlínica, para melhorar a velocidade de atendimento das consultas.

Os candidatos também propõem parcerias com universidades e hospitais particulares para diminuir a fila das consultas.

O programa Médico da Família deve ser fortalecido na opinião de outros candidatos, como forma de oferecer à população, principalmente aos idosos e acamados, um atendimento mais humanizado.

Foram apresentadas algumas propostas mais ousadas. Um dos candidatos defende que para acabar com a longa lista de espera para consultas com especialistas, exames e cirurgias, sejam realizadas parcerias com hospitais particulares da cidade para mutirões.

E há também quem aponte algumas sugestões pouco usuais, como é o caso da implantação do Moto-Socorro, com o uso de motocicletas, que daria maior agilidade no atendimento de emergências.

Como se vê, os próprios candidatos perceberam que não há fórmula mágica, nem soluções mirabolantes para melhorar a questão da saúde no município.

Gestão, organização, informatização e fortalecimento do atendimento nas unidades básicas parece ser consenso entre os candidatos.

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