Editorial

Números positivos

No meio do ano, o isolamento era maior e pouca gente saía de casa para procurar emprego

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), um levantamento que abrange todos os Estados da federação e que leva em consideração os números reais de contratações e demissões, mostra que o mercado de trabalho no Brasil está reagindo, depois de período conturbado provocado pela pandemia do novo coronavírus.

Entre os meses de março e junho, período mais rigoroso de afastamento social e quarentena, o Caged acumulou quase 1,6 milhão de demissões a mais que admissões.

Entre julho e setembro, entretanto, começou a reação. De acordo com o Ministério da Economia, 697 mil novos postos com registro em carteira foram criados.

Somente no mês de setembro o saldo positivo de vagas foi de 313 mil, o terceiro resultado positivo consecutivo.

Contabilizadas as demissões e contratações de todo o ano, o saldo ainda é negativo em 558 mil vagas, pois o impacto da pandemia na economia foi realmente muito grande, mas mostra também que a reação está sendo forte.

Segundo o ministro Paulo Guedes, da Economia, esses resultados confirmam a retomada em “V”, ou seja, quando a recuperação é tão forte e rápida quando a queda.

A criação de empregos formais atingiu todos os setores e todas as regiões do Brasil. Os especialistas chamam atenção para o fato da criação de empregos em quantidade razoável por três meses seguidos e em ritmo crescente. Foram 100 mil vagas em julho, 200 mil em agosto e agora 300 mil em setembro.

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Esse resultado de setembro em todo o País foi puxado pelo desempenho da indústria, com mais de um terço das vagas, seguido pelo setor de serviços, que empregou 80 mil pessoas.

Sorocaba também teve, pelo terceiro mês consecutivo, resultados positivos na criação de empregos de acordo com os dados do Caged. Em julho o saldo positivo de empregos foi de 723 vagas, em agosto 889 e em setembro 1.778, o dobro do mês anterior.

Ao contrário do que ocorreu com a maioria das regiões, foi o setor de serviços que mais contratou no município no mês passado, com a abertura de 778 vagas, seguido pelo comércio (466) e indústria (380).

Em todo o Estado de São Paulo o saldo positivo foi de 75 mil novos empregos formais em setembro, também pelo terceiro mês seguido.

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E a expectativa é de crescimento contínuo de vagas, mesmo que em ritmo mais lento, acompanhando a recuperação da atividade econômica, que tende a crescer nos últimos meses do ano.

O mercado de trabalho é um assunto complexo, sujeito a inúmeras influências e que precisa ser bem estudado para ser compreendido. As indústrias, que desaceleraram a produção nos piores meses da pandemia, estão retomando os trabalhos e enfrentando alguns problemas setoriais.

Como a paralisação foi praticamente geral, ao retomar a produção as fábricas estão tendo dificuldade com o fornecimento de matérias primas e componentes.

Há outros fatores impedindo que alguns setores acelerem a retomada. No caso das indústrias, muitas delas não conseguem dar mais velocidade à produção por atrasos no fornecimento de insumos e componentes.

Com a paralisação geral da produção no auge da pandemia, a retomada ocorre em ritmos diferentes, privando muitas fábricas do material necessário.

Os protocolos de prevenção do novo coronavírus, ainda em vigor, impedem aglomerações nas linhas, o que faz com que muitas indústrias operem longe do limite de suas capacidades de produção.

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O mesmo ocorre com a mão de obra. As vendas no varejo, por exemplo, estão crescendo mais rápido do que se esperava desde a flexibilização da quarentena e temos pela frente o período de final de ano quando o volume de negócios cresce bastante em virtude de promoções como a Black Friday e o Natal.

Mesmo com os dados positivos dos últimos meses, o desemprego continua bastante alto. A taxa de desemprego no trimestre que terminou em agosto subiu para 14,4%, um dos maiores níveis desde 2012.

Mas segundo o próprio IBGE, o aumento da taxa de desemprego é reflexo da flexibilização das medidas de isolamento, que levou mais pessoas a saírem de casa em busca de um novo trabalho.

No meio do ano o isolamento era maior e pouca gente saía de casa para procurar emprego.

De qualquer forma, o número de desempregados ainda é muito alto e só cairá com a retomada plena da atividade econômica.

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