Editorial

Mortes no trânsito

Equacionar o deslocamento desses milhares de veículos automotores por uma malha viária muitas vezes antiga e sempre carente de ampliação é uma tarefa que exige atenção das autoridades

Em plena Semana da Mobilidade, que neste ano é celebrada entre 18 e 25 de setembro, notícia publicada por este jornal e que tem como fonte as estatísticas da Urbes Trânsito e Transportes, empresa pública que gerencia o transporte coletivo e o trânsito na cidade, nos informa que houve redução no número de acidentes de trânsito no primeiro semestre, porém com aumento no número de mortes, o maior no período nos últimos cinco anos.

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Pelo levantamento divulgado pela Urbes, foram registrados nos primeiros seis meses deste ano 662 acidentes de trânsito com feridos, um número consideravelmente menor que os 950 registrados no mesmo período do ano passado. Em 2016 o número também foi maior: 909, embora menor que em 2015 quando motoristas sorocabanos se envolveram em 1.005 acidentes que deixaram pessoas feridas. O curioso é que nos anos anteriores, os números foram sempre maiores: 2014 teve 1.177 acidentes; 2013, 1.259 2, em 2012, primeiro ano em que esses dados foram coletados pela Urbes, 1.562 acidentes com feridos.

No primeiro semestre, entretanto, quando caiu o número de acidentes, houve aumento de mortes. Levantamento realizado pelo Cruzeiro do Sul mostra que neste ano foram 27 mortes no trânsito no semestre, um número muito superior às 18 mortes do ano passado e às 16 de 2016. Note-se que desse total de pessoas que morreram em acidentes, 12 delas estavam envolvidas em acidentes com motocicleta, e seis morreram em atropelamentos, ou seja, das 27 mortes, 18 são de motociclistas ou garupas ou pedestres vítimas de atropelamento. Como o número de acidentes com motos e atropelamentos foi maior, é possível que algumas vítimas que não morreram na hora podem ter morrido dias depois em consequência dos ferimentos, e ficaram fora das estatísticas.

O número relativamente menor de mortes entre vítimas de acidentes que se encontravam em automóveis tem explicação. Os veículos de passeio e comerciais foram ganhando equipamentos de segurança nas últimas décadas. Alguns deles por força de lei, como é o caso dos cintos de segurança, air-bags frontais e freios com ABS — estes últimos, equipamentos obrigatórios nos carros novos a partir de 2013 além de outros mais sofisticados, fruto da pressão de consumidores mais exigentes, como controles de tração e estabilidade, air-bags laterais e de cortina, entre outros. Com essa evolução, caiu substancialmente o risco de morte entre passageiros de automóveis, mas continuam sob forte ameaça aqueles que continuam desprotegidos, como os pedestres e os motociclistas, que fora o capacete obrigatório, praticamente não contam com nenhum outro equipamento de segurança.

Sorocaba tem 466 mil veículos em circulação, a 21ª maior frota do país. Entre esses veículos estão automóveis, utilitários, caminhões, ônibus e motos. Equacionar o deslocamento desses milhares de veículos automotores por uma malha viária muitas vezes antiga e sempre carente de ampliação é uma tarefa que exige atenção das autoridades. As pesquisas dão informações importantes para combater os acidentes e, principalmente, as mortes no trânsito. A avenida Itavuvu, por exemplo, importante ligação entre a região central e a zona norte, é líder absoluta em ocorrências. Do total de acidentes do primeiro semestre, a avenida foi palco de 302 deles, nos quais morreram 15 pessoas, praticamente a metade das mortes e acidentes no período. Investir em mais segurança viária, mais policiamento, sinalização, faixas exclusivas para pedestres e vigilância eletrônica nessa via seria um bom começo.

A melhor mobilidade urbana é aquela em que o foco são as pessoas, estejam elas em veículos ou na condição de pedestres. É absolutamente necessário que, aproveitando as comemorações da Semana da Mobilidade, as autoridades trabalhem para que a população se conscientize da importância de obedecer a sinalização e as leis de trânsito. É preciso oferecer condições e garantir que todo deslocamento das pessoas seja feito com segurança, independente se ela é pedestre, anda de ônibus, motocicleta ou automóvel. Nenhuma morte em acidente de trânsito é aceitável.

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