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Acervo

Monumentos ameaçados

11 de Agosto de 2020

Monumentos históricos são marcos que lembram as conquistas de um povo, de uma comunidade, representam a história de seu desenvolvimento.

Não é por acaso que quando são divulgadas fotos oficiais das grandes capitais da Europa, os monumentos históricos importantes são ressaltados, sempre muito bem cuidados, atraindo milhares de pessoas de todo o mundo.

As estátuas que dão vida cultural a Roma e Florença, a Torre Eiffel, estão entre os pontos turísticos mais visitados do mundo.

Do outro lado do Atlântico, a estátua da Liberdade tornou-se o símbolo de Nova York, assim como o touro de bronze é hoje a representação de Wall Street, na mesma cidade.

São marcos culturais que se tornaram conhecidos em todo o mundo e, como tal, precisam estar sempre limpos e bem preservados, uma demonstração de que as autoridades locais se preocupam com a cultura da localidade.

O Brasil, de maneira geral, a preservação e mesmo o respeito aos monumentos históricos e artísticos está longe de ser o ideal.

Quantas vezes não vimos o Monumento às Bandeiras, obra do escultor Victor Brecheret, instalada em 1954 em uma praça do Parque Ibirapuera, em São Paulo, vandalizada?

E quantas vezes o monumento a Borba Gato, no bairro de Santo Amaro, também na capital paulista foi pichado nos últimos anos?

O Rio de Janeiro, principal destino turístico do País, não fica atrás. A estátua que homenageia Carlos Drummond de Andrade, na praia de Copacabana, tornou-se uma referência do vandalismo.

Em Sorocaba, infelizmente, não é diferente. Nossos monumentos históricos, apesar de poucos, não estão deteriorados apenas pela ação do tempo e das intempéries.

Muitos deles, como mostrou reportagem publicada por este jornal no último domingo, são alvos constantes de furtos, pichações e vandalismo, o que compromete nosso patrimônio histórico.

No próximo dia 15 de agosto, quando se comemora mais um aniversário de Sorocaba, a estátua de seu fundador estará mais um ano sem a placa de bronze que o identifica, furtada em 2015 e até hoje não reposta.

O monumento está instalado em frente ao nosso mais caro antigo conjunto arquitetônico, o Mosteiro de São Bento e historicamente sempre foi um local reservado para as celebrações do dia 15.

Neste ano, por conta da pandemia, o desfile cívico será virtual, seja lá o que isso signifique, mas a homenagem da comunidade ao seu fundador permanecerá incompleta e descaracterizada por conta da ação de vândalos.

Não muito distante, o busto que foi chantado sobre os restos mortais do historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro, também apresenta sinais de incivilidades -- está manchado com tinta verde e escritos informativos.

A reportagem trata de diversos monumentos e construções históricas como o relógio de sol danificado que fica na praça Marcelino Russalen Netto e o obelisco construído em homenagens aos sorocabanos que lutaram na Segunda Guerra Mundial, na praça Frei Baraúna, que está totalmente pichado danificado pelo tempo, nos mesmos moldes em que se encontra, a poucos metros, o prédio do antigo Fórum da cidade, onde funcionou a Oficina Cultural Grande Otelo, que poderia, caso fosse restaurado, ser um dos prédios mais bonitos da cidade.

O presidente do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Turístico e Paisagístico de Sorocaba (CMDP), Alberto Streb, lamenta a ação de vândalos e os furtos e afirma que essas ações estão acabando com a história de Sorocaba.

Ele lembra que a ação da Guarda Civil Municipal (GCM) inibe, mas não acaba com o vandalismo. E lembra que falta informação e educação sobre o patrimônio às pessoas que cometem esse tipo de ação.

Já a Secretaria da Cultura de Sorocaba informa que limpeza e manutenção dos monumentos são realizadas pela Secretaria de Serviços Públicos e Obras, sempre que solicitados, e que a placa do monumento a Baltasar Fernandes não foi reposta por falta de recursos.

O curioso é que a cidade dispõe, desde 1994, ao menos formalmente, de um Fundo Municipal de Defesa do Patrimônio (FMP), criado justamente para execução de serviços, manutenção e reparos de bens preservados e tombados, mas que não dispõe de qualquer tipo de recurso.

Há ainda legislação municipal que prevê punição e multa para atos de vandalismo, mas não se tem notícia de alguém que tenha sido punido com base em tal legislação.

Essas práticas destrutivas precisam ser coibidas e condenadas pela opinião pública em primeiro lugar, e depois pelas autoridades constituídas, a quem cabe o zelar pelo patrimônio que é de todos.