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Editorial

Mais água em 2020

Com quatro adutoras operando, certamente não faltará água para o abastecimento da cidade

Sorocaba passou até semanas atrás por problema sério de abastecimento. Tanto que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) implantou um rodízio de abastecimento para poder atender todas as regiões da cidade alegando que pelo menos duas represas que abastecem a cidade, a do Ferraz, na região do bairro do Éden, e a do Ipaneminha estavam com nível muito baixo devido à estiagem prolongada.

De fato, as duas represas tinham pouca água, mas pelo pequeno potencial de armazenamento das duas, não poderiam afetar o abastecimento de toda a cidade, mesmo porque a autarquia concluiu há pouco tempo um sistema de interligação entre os bairros da região do Éden, região tradicionalmente problemática, com a rede de adutoras que saem da Estação de Tratamento de Água do Cerrado. Essa estação recebe água diretamente da adutora de Itupararanga, responsável por 82% da água distribuída na cidade.

Mesmo no período mais duro da crise o Saae não divulgou ou se mencionou não deu qualquer destaque ao fato de que uma das quatro adutoras que trazem água da represa de Itupararanga por gravidade estava fora de operação.

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Há alguns dias, o Saae distribuiu nota informando que a quarta adutora atingiu 90% de obras concluídas, e foi aí que o sorocabano descobriu que a adutora de 500 milímetros de diâmetro, construída originalmente em aço, estava sendo substituída por tubulações de ferro fundido, um material mais caro, mas com maior durabilidade e maior resistência nessa função.

A autarquia informa que a distância percorrida por essa adutora, desde a represa do Clemente/Itupararanga até a ETA do Cerrado, localizada na avenida General Carneiro, é de 16,5 quilômetros e que 15 deles já foram concluídos.

A nota explica que o plano original era recuperar essa adutora, com substituição dos tubos nos trechos em que eles estavam comprometidos, mas depois de alguns testes chegaram à conclusão que o ideal seria a substituição completa, com exceção dos trechos já recuperados.

A recuperação da adutora, ficamos sabendo agora, começou em 2014, depois que foram detectados sinais de deterioração em sua estrutura, com substituição da tubulação dos trechos mais comprometidos.

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É um trabalho bastante complexo, pois a adutora passa pela região da Serra de São Francisco, com trechos bastante íngremes, há áreas extensas cobertas por matas, há trechos em que a adutora fica suspensa por suportes de concreto e muitos quilômetros em que as tubulações ficam enterradas.

O projeto da adutora em recuperação está alterando o traçado original, pois os técnicos e engenheiros do Saae optaram por um caminho mais seguro, com menos interferências e com custo de implantação menor.

No trecho urbano que a adutora terá de percorrer basicamente o que falta para atingir a ETA do Cerrado, os funcionários optaram por utilizar os canteiros centrais das avenidas, diminuindo assim a interferência no trânsito e reduzindo os custos com reparos de pavimentos.

Com isso foram eliminadas também as áreas de servidão dentro das propriedades particulares, que também atrasam o trabalho. O novo traçado da adutora inclui o novo viaduto que liga as ruas João Wagner Wey com Augusto Lippel, construído sobre a rodovia Raposo Tavares.

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A adutora passa sob o passeio de sua estrutura. Com isso, não foi preciso passar sob a rodovia e suas marginais, o que teria um custo alto e atrapalharia consideravelmente o trânsito já complicado daquelas vias.

Essa obra tem uma característica diferente de outras realizadas pela autarquia. Segundo o próprio Saae, não foi contratada uma empreiteira ou empresa para realizar o projeto e a obra.

Foram utilizados funcionários, equipamentos, máquinas e veículos da autarquia, o que representou economia de recursos e mostrou que o Saae tem condições técnicas de realizar suas próprias obras, mesmo as mais complexas.

A obra se aproxima do final — faltam 1.500 m de renovação das tubulações — mas é bastante complicado, por se tratar de um trecho urbano, cortando uma região muito movimentada em Sorocaba. Com isso, a obra só deverá ser concluída no primeiro semestre de 2020.

Talvez com a nova adutora em funcionamento, os sorocabanos sejam poupados, mesmo no período de estiagem, de um novo rodízio. Com quatro adutoras operando, certamente não faltará água para o abastecimento da cidade.

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