Editorial

Inovação tecnológica

O desenvolvimento da economia está diretamente ligado aos investimentos em ciência, tecnologia e inovação

A cidade de Sorocaba, que historicamente se destacou no cenário nacional por um vigoroso ciclo comercial e precoce industrialização, ao que parece flerta com o caminho da inovação tecnológica. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o município tem hoje 44 empresas cadastradas, o que o coloca em sexto lugar do Estado em número de startups, que nada mais são que empresas em fase inicial que se destacam pelo desenvolvimento de produtos e serviços inovadores e potencial de rápido crescimento. São em geral lideradas por profissionais jovens entre 25 e 40 anos e têm em média, menos de cinco anos de existência.

Há um consenso no pensamento econômico: o desenvolvimento da economia de qualquer nação na atualidade tem como base fundamental o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação. Algumas instituições conseguiram medir essa importância em números. De acordo com o Levy Economics Institute, o incremento de 1% nos gastos em pesquisa e desenvolvimento gera um crescimento adicional no Produto Interno Bruto (PIB) dos países em 9,92%, enquanto que o mesmo investimento em educação e infraestrutura e expansão trariam um acréscimo de apenas 0,25% e 0,01%, respectivamente.

Quando se fala em crescimento acelerado atrelado à pesquisa e tecnologia, o exemplo recorrente é o da Coreia do Sul. O país foi arrasado por duas guerras, invasão japonesa na Segunda Guerra Mundial e Guerra da Coreia, que dividiu o país ao meio e há 50 anos era extremamente pobre. Tanto que a renda anual dos brasileiros era duas vezes maior que a dos coreanos. Hoje, com um território equivalente à metade do Estado de São Paulo, abriga marcas valiosas no setor de tecnologia e automóveis, é a quarta maior fabricante de aço do mundo e a segunda maior fabricante de chips. Nas últimas décadas, tornou-se referência em tecnologia e inovação. Existe forte incentivo governamental para pesquisa e desenvolvimento e o país é muito forte no registro de patentes.

O Brasil não deixa de investir em ciência, pelo contrário. Nos últimos anos cresceu a aplicação de recursos no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, mas os resultados produzidos pela ciência brasileira não chegam aos processos nas empresas nem têm alavancado novos produtos. Ou seja, embora o governo gaste no mesmo patamar que países mais desenvolvidos em ciência, o Brasil não está conseguindo transformar o conhecimento científico e tecnológico em inovação. Isso significa que embora o Brasil esteja classificado em 13º lugar no ranking mundial de produção científica, ocupa a 69ª posição no Global Innovation Index, entre 127 países. Os investimentos que o país faz em educação apresentam muitas falhas na área da tecnologia. Enquanto o Brasil forma 288 engenheiros por milhão de habitantes, a Coreia do Sul gradua 1.789. Há ainda falhas consistentes na educação básica. Basta conferir os resultados dos estudantes brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) que refletem na nossa produtividade.

Sorocaba conta com o Parque Tecnológico (PTS) que faz a ponte entre empresas e universidades e serve como berço de inúmeros startups. Segundo sua direção, a cidade já teve mais de 70 projetos de startups desde a inauguração do PTS, em 2012, e se caracteriza também por seus programas específicos para a aceleração de negócios iniciantes. Essa função proposta pelo PTS, a intermediação entre o conhecimento produzido pela academia, suas descobertas científicas e novas tecnologias e a indústria, que colocará todo esse conhecimento em seus produtos. Algumas universidades já estão integradas ao PTS assim como várias empresas. O papel da instituição como incubadora de novos negócios é relevante e deverá adquirir uma dimensão ainda maior se seguir a vocação industrial do município na produção de equipamentos e componentes para produção de energia limpa. A cidade, como se sabe, é sede do primeiro Arranjo Produtivo Local (APL) de energias renováveis do Brasil. Beneficiar a aproximação entre empresas especializadas desse setor e pesquisadores das universidades, criando um ambiente favorável para a vinda de novas empresas do setor seria muito conveniente para a economia do município.

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