Editorial

Estudo demorado

Dois trechos estão sob concessão da CCR ViaOeste, que responde por essa rodovia e pela Castelo Branco

O Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) aprovou na quarta-feira (25) o Estudo de Impacto Ambiental-Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) elaborado para a duplicação de dois trechos da rodovia Raposo Tavares (SP-270), do quilômetro 46,7 ao 63 e entre os quilômetros 67 ao 89,7.

Os dois trechos estão sob concessão da CCR ViaOeste, que responde por essa rodovia e pela Castelo Branco nos trechos mais próximos à Capital. A aprovação ocorreu durante a 386ª reunião do órgão, a primeira realizada por videoconferência e fez parte da fase inicial para que sejam obtidas as licenças ambientais: Licença Prévia, Instalação e de Operação.

Ao todo deverão ser duplicados 39 quilômetros da rodovia, sendo que o primeiro trecho fica em São Roque, em local de topografia difícil e com trechos urbanizados.

O segundo trecho, que corta três municípios (Mairinque, Alumínio e Sorocaba) tem movimento intenso, tanto de veículos de carga como de passageiros e foi onde faleceu, vítima de um acidente automobilístico no final do mês de janeiro, o ex-prefeito de Sorocaba José Theodoro Mendes.

A rodovia Raposo Tavares se tornou nos últimos anos uma das vias mais perigosas da região. Há pouco mais de duas semanas, em um acidente típico daquele trecho — dois carros bateram de frente — duas pessoas morreram no km 57.

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Além desses trechos que tornam a rodovia particularmente perigosa, o que corta o perímetro urbano de Sorocaba, embora duplicado e com pistas marginais para acomodar o trânsito local, já não comporta mais o volume de trânsito e igualmente tornou-se perigosíssimo.

Recentemente, somente no km 98 foram registrados dois engavetamentos nos quais morreram quatro pessoas e aproximadamente 100 pessoas ficaram feridas, algumas gravemente. Em quatro anos, 21 acidentes ocorreram naquele local.

A autorização ambiental para a realização da obra, importante documento legal para finalmente ter início a duplicação desses trechos, chega com atraso. Em meados de abril de 1997, a então Secretaria de Estado dos Transportes anunciava que em outubro daquele mesmo ano — 23 anos atrás, portanto — teria início a duplicação da rodovia Raposo Tavares e a construção das vias marginais da Castelo Branco, entre São Paulo e Barueri.

De acordo com a informação oficial, publicada por vários jornais de São Paulo, a empresa vencedora da concorrência da concessão dessas duas rodovias, teria dois anos para concluir as marginais da Castelo e quatro anos para a duplicação da Raposo entre São Roque e Araçoiaba da Serra.

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O vencedor daquela concorrência teria ainda que construir acessos e passarelas nas cidades localizadas ao longo da rodovia e construir marginais para a Raposo em dois trechos.

Ficou também estabelecido que o trecho entre Cotia e São Roque seria duplicado pelo DER, uma vez que seria preciso contornar as duas cidades.

Como se vê, a aprovação do Consema e a própria duplicação deveriam ter sido concluídos há 20 anos. Um levantamento dos acidentes e do número de mortos nesses trechos nessas duas décadas é assustador.

A implantação das praças de pedágio nas duas rodovias, entretanto, não sofreu qualquer atraso e estão funcionando perfeitamente nesses mais de 20 anos.

A duplicação desses trechos deve demorar alguns anos, mas há demandas na rodovia Raposo Tavares que não podem esperar.

É preciso melhorar o acesso e construir passarelas em vários locais, mas a prioridade absoluta são as obras no quilômetro 106, onde foi construído o Hospital Regional Adib Domingos Jatene, e dá acesso também à Arena Multiúso, que será transformada em hospital de campanha durante a pandemia causada pelo coronavírus.

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Vários parlamentares eleitos pela região já levaram essa reivindicação à Secretaria de Logística e Transportes. Segundo o ex-prefeito Vitor Lippi (PSDB), hoje deputado federal, mesmo antes da inauguração do hospital havia essa preocupação e que os órgãos responsáveis empurravam entre si a responsabilidade pelas obras.

Existe a necessidade ainda de adequar um retorno na rodovia, que hoje obriga motoristas a rodarem cerca de cinco quilômetros para ter acesso ao complexo. O secretário de Logística e Transportes já foi levado até o local para conhecer o problema, mas até agora nada foi feito.

Com o avanço da Covid-19 e a entrada em funcionamento do hospital de campanha para casos de média complexidade, o acesso ficará muito movimentado e o risco de acidentes será alto. Espera-se que a solução para esse problema não demore mais 20 anos.

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