Editorial

Estacionamento pago

A maioria dos compradores do atacado é formada por pequenos comerciantes ou donos de lanchonetes e restaurantes

A implantação de um sistema de cobrança para o uso das vagas de estacionamento da unidade de Sorocaba da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) está gerando preocupação entre as pessoas que fazem compras no local, mas especialmente entre os produtores e comerciantes que vendem seus produtos naquelas instalações, os chamados permissionários.

Parte dos equipamentos para a cobrança do estacionamento já foi instalada na entrada de veículos do recinto e segundo informações de alguns produtores, ela deverá começar na segunda quinzena deste mês.

Na opinião dos permissionários, a cobrança pelo estacionamento no local, mesmo de pequenos valores, poderá trazer dificuldades para as vendas.

O estacionamento, pelo que se sabe até agora, será cobrado de todos que entrarem no entreposto, ou seja, permissionários, funcionários e compradores.

O processo de implantação da cobrança do estacionamento está ocorrendo sem um processo licitatório, o que é bastante estranho em se tratando de uma empresa pública federal vinculada ao Ministério da Economia.

A cobrança de estacionamento já foi levada à Câmara de Vereadores de Sorocaba.

O entreposto de Sorocaba é bastante movimentado praticamente todos os dias.

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Segundo dados oficiais, a Ceagesp movimenta anualmente mais de 120 mil toneladas de alimentos, com uma média mensal de 10 mil toneladas, principalmente de produtos regionais como laranja, batata, tomate, banana e melancia.

A venda por atacado, ou seja, para outros comerciantes ou proprietários de lanchonetes e restaurantes ocorre às segundas, quartas e sextas-feiras das 5h às 10h.

A Feira de Flores, que atrai muitos compradores da região e fornece também peças de decoração para jardins e objetos e produtos relacionados ocorre às quartas, sextas e sábados das 7h às 13h e às quartas-feiras das 17h às 22h.

Já os Varejões, que funcionam como uma grande feira livre nas dependências do entreposto e são destinados ao consumidor comum e atraem muita gente funcionam às quartas e sextas-feiras das 17h às 22h e aos sábados, das 7h às 13h.

O varejão de sexta-feira é conhecido como Feira da Lua, com público cativo, mas é aquele realizado aos sábados pela manhã que atrai o maior número de pessoas pela grande variedade de produtos de boa qualidade e pela Feira de Flores que também funciona no mesmo horário.

A Ceagesp de Sorocaba foi construída há décadas quando aquela região era pouco habitada, praticamente na saída da cidade. Hoje, todo seu entorno foi urbanizado.

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A rua de acesso ao entreposto foi tomada por estabelecimentos comerciais, o que impediria, por exemplo, que os frequentadores do varejão deixassem os carros na rua e seguissem a pé até a feira. Não há local para tantos veículos.

O entreposto ocupa uma área superior a 188 mil m2 quadrados com área construída de apenas 12,2 mil m2, segundo o seu site oficial.

Percebe-se, com isso, que a uma área enorme e ociosa que pode ser utilizada para estacionamento, sem prejuízo para as atividades comerciais do local.

Sem contar que comerciantes que se abastecem naquele local ou pessoas que fazem compras na Feira de Flores, na maioria das vezes precisam carregar as mercadorias de grande volume e peso no local.

Nota-se também que é preciso melhorar muito as instalações do entreposto, tanto em limpeza quando no pavimento das vias internas, totalmente cheio de buracos.

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Pelo volume de mercadorias ali comercializadas e pelo número de pessoas que atrai, o local precisaria estar em melhores condições de conservação.

Na opinião dos permissionários, a cobrança vai prejudicar as vendas, pois vai encarecer os produtos ali vendidos.

Tanto os comerciantes que compram no atacado como os consumidores das feiras livres pensarão duas vezes antes de ir ao local e pagar para estacionar o carro.

A maioria dos compradores do atacado é formada por pequenos comerciantes ou donos de lanchonetes e restaurantes que vão até a Ceagesp para comprar pequenas quantidades de mercadorias.

O preço das mercadorias deixará de ser competitivo se tiverem que pagar para estacionar no local depois de atravessar a cidade.

E os que se sujeitarem a pagar o estacionamento certamente incluirão esse custo extra na venda de seus produtos.

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