Editorial

Entraves injustificáveis

Esses gargalos, que poderiam ser facilmente solucionados, travam a expansão do aeroporto e do grande parque tecnológico especializado que foi criado em seu entorno

O Aeroporto de Sorocaba, oficialmente Aeroporto Bertram Luiz Leupolz — uma justa homenagem a um dos pioneiros na manutenção de aeronaves no município — tem intensa movimentação e abriga em seu entorno, além de hangares de grandes corporações, oficinas de manutenção especializadas dos principais fabricantes de aviões executivos em operação no mundo, conforme mostrou reportagem deste jornal no último domingo. Mas apesar do crescimento acelerado e de sua importância econômica, o setor aeronáutico local encontra uma série de entraves que se perdem na burocracia e na lentidão de órgãos oficiais e entidades ligadas à aviação. Esses gargalos, que poderiam ser facilmente solucionados, travam a expansão do aeroporto e do grande parque tecnológico especializado que foi criado em seu entorno.

Os números do Aeroporto de Sorocaba impressionam. De acordo com ao Instituto Brasileiro de Aviação (IBA), 125 jatos executivos do Estado de São Paulo, metade da frota estadual, estão no município com alguma frequência e 20% dos jatos de categoria executiva de longa distância estão baseados em Sorocaba. Em 2017 foram registrados mais de 52 mil pousos e decolagens, um número tão expressivo que ultrapassa o do Aeroporto de Congonhas, que registrou pouco mais de 39 mil operações no mesmo período. E também em 2017, nada menos que 432 aeronaves estrangeiras realizaram algum tipo de procedimento em Sorocaba. Mas o fato mais importante é que o aeroporto local, segundo a Associação dos Concessionários de Empresas Aeronáuticas, Intervenientes e Usuários do Aeroporto de Sorocaba, é o único no mundo a contar com a presença de oficinas das três maiores fabricantes de aviões executivos: Gulfstream, Dassault e Embraer, gigantes aeronáuticas de origem norte-americana, francesa e brasileira, respectivamente. Essa posição privilegiada em que se juntam grande capacidade de hangaragem e a concentração de empresas especializadas começou a se modelar na década de 1960, com a pioneira Conal, que tinha entre os seus proprietários justamente Bertram Luiz Leupolz. Ele auxiliou inclusive na pavimentação do aeroporto, na década de 1980 e ajudou a torná-lo o maior polo nacional de manutenção de aeronaves executivas. Hoje são 1.200 empregos diretos e atividade financeira gerada pelo polo irriga uma longa cadeia do setor de serviços, como hotéis e restaurantes. Como se vê, o aeroporto é muito importante economicamente, mas há vários entraves que impedem seu crescimento, aproveitando todo o seu potencial. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) precisa reconhecer a ampliação de 150 metros da pista, obra concluída há vários anos. Esse não reconhecimento impede que aeronaves maiores pousem no aeroporto e cria ainda alguns problemas com as seguradoras.

Outro fator é a conclusão da torre de controle. Parece piada, mas um aeroporto que tem mais pousos e decolagens que Congonhas, um dos mais movimentados do País, não dispõe desse equipamento essencial para a segurança dos voos. Com as obras civis concluídas há bastante tempo, o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) informa que a torre de controle só entrará em operação no final do ano que vem, um atraso inexplicável diante da segurança que o equipamento pode oferecer. Mas o principal fator que trava o crescimento do parque aeronáutico é a internacionalização do aeroporto. Uma aeronave de outro país para descer em Sorocaba para manutenção precisa primeiro descer em um aeroporto internacional, como Guarulhos, para depois seguir para Sorocaba. Essa operação aumenta em milhares de dólares o custo da operação. Por isso o aeroporto de Sorocaba entre na rota dos voos internacionais, tornando-se mais atraentes para o mercado de manutenção de jatos executivos de vários países e se mantenha na vanguarda nesse tipo de serviço. A quem interessa prejudicar o crescimento desse polo de desenvolvimento?

Está aí uma boa bandeira para os parlamentares recém-eleitos pela região no último pleito empunhem assim que começarem os trabalhos legislativos, tanto na Assembleia como na Câmara Federal. Um apoio decisivo e firme desses deputados com certeza ajudará no crescimento desse setor cada vez mais importante da economia regional.

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