Editorial

Eliminando gargalos

O escoamento da soja do Centro-Oeste, um dos principais itens de exportação do Brasil, tem várias rotas de escoamento

Sem alarde, projetos de divulgação ou publicidade, o Ministério da Infraestrutura concluiu há pouco mais de dois meses, uma obra fundamental para a exportação de soja do Estado do Mato Grosso e de todo Centro-Oeste por via fluvial.

Esse estilo de realização de obras, praticamente sem divulgação, reflete um pouco a personalidade discreta do titular da pasta, ministro Tarcísio Gomes de Freitas, um engenheiro militar com experiência internacional em missões das Nações Unidas.

Com o auxílio do Exército, o Ministério concluiu a pavimentação dos últimos 51 quilômetros que faltavam da BR-163, conhecida naquela região como “estrada da soja” para atingir o porto de Miritituba, no Pará, junto ao rio Tapajós.

Atingir esse porto com rapidez e segurança é essencial para a exportação de soja. Parece uma obra simples, de poucos quilômetros, mas que estava emperrada há anos e tornara-se um gargalo para as exportações de grãos. Em períodos de chuva, transpor esses poucos quilômetros em região inóspita poderia demorar até uma semana, com o risco de danificar a carga e os caminhões.

A BR-163 tem 3.500 quilômetros, é uma das principais rodovias a cortar o país no sentido longitudinal. Seu traçado começa em Santarém, no Pará, e termina em Tenente Portela, no Rio Grande do Sul. Além de sua importância estratégica, sua pavimentação tornou-se crucial quando os Estados do Centro-Oeste começaram a produzir soja, que tem seu maior mercado no exterior.

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O escoamento da soja do Centro-Oeste, um dos principais itens de exportação do Brasil, tem várias rotas de escoamento. Segue para o sul por via rodoviária em direção aos portos de Paranaguá (PR) ou Santos (SP). A parte da produção que é escoada pelo norte é levada por caminhões até os portos do rio Tapajós ou via Porto Velho (RO) para poder ser embarcada pelo rio Madeira. Esses grãos se destinam predominantemente ao mercado asiático, sobretudo para a China.

O presidente Bolsonaro programou a inauguração desse trecho vital da rodovia para amanhã, embora já esteja atendendo aos transportadores desde que foi concluída, decisão do Ministério da Infraestrutura para beneficiar o quanto antes o escoamento da produção.

O Ministério ainda trabalha no trecho final da rodovia, de 57 km, que chega até Santarém (PA) outro porto fluvial muito utilizado pelos sojicultores. A obra deve ficar pronta até o final do ano. A pavimentação da BR-163 começou em 1974 em um daqueles projetos de infraestrutura do governo militar.

Para atingir o porto fluvial a obra demorou 45 anos, para desespero de transportadores e plantadores de soja. A importância do trecho é tão grande que com a pavimentação até o porto, o frete da soja caiu até R$ 4 por saca. Como uma saca custa em torno de R$ 70 naquela região, a redução chega a 5,7%.

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Figura ainda pouco conhecida no governo, o ministro Tarcísio Gomes de Freitas raramente está no noticiário político ou nos embates ideológicos, tão comuns neste governo. Mas começa a ganhar cada vez mais espaço no noticiário econômico e de obras, diante dos desafios que tem assumido nos últimos meses e pelos trabalhos realizados.

Embora tenha se dedicado a concluir obras inacabadas e eliminar gargalos históricos das rodovias brasileiras, é do ministro Gomes de Freitas o projeto de ampliar a malha ferroviária do Brasil. Ele informa que estão previstos investimentos de R$ 30 bilhões na malha ferroviária nacional por meio de concessões nos próximos 5 ou 6 anos.

O primeiro contrato de concessão foi assinado no ano passado e se refere ao trecho entre Porto Nacional (TO) e Estrela D’Oeste (SP) da Ferrovia Norte Sul. Para este ano o Ministério da Infraestrutura quer realizar as concessões da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que vai do litoral baiano até o Tocantins e a “Ferrogrão”, que liga os Estados de Mato Grosso e Pará.

Estudo divulgado pelo governo federal mostra que o País tem extrema dependência com relação ao transporte rodoviário. As ferrovias brasileiras escoam somente 5,4% da produção, enquanto as rodovias são responsáveis por 75 %.

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Longe dos holofotes e de maneira discreta, esse servidor público de carreira, consultor da Câmara dos Deputados, formado pela Academia Militar de Agulhas Negras e pelo Instituto de Engenharia Militar, está realizando um trabalho extremamente importante. Tem mostrado competência na direção do Ministério e eliminando obstáculos que antes pareciam intransponíveis.

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