Editorial

Eleição diferente

A eleição deste ano, para a escolha de prefeitos e vereadores em todo o País, será bastante diferente das anteriores. A começar pela data. O primeiro turno foi transferido para 15 de novembro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na esperança de que os números de transmissão da pandemia causada pelo novo coronavírus caiam até lá. As sessões eleitorais também abrirão mais cedo, por determinação da Justiça Eleitoral, para que as pessoas idosas, incluindo aquelas cujo voto não é obrigatório e que fazem parte de grupos de risco, possam se dirigir às seções eleitorais mais cedo e assim, ao menos teoricamente, evitar aglomerações.

A biometria, que mobilizou uma multidão de servidores e eleitores durante alguns anos, não será utilizada, pois as autoridades perceberam que a identificação por impressão digital geraria um sério risco de contaminação. Higienizar as máquinas após cada voto atrasaria muito o pleito e poderia danificar os equipamentos.

Algumas particularidades desta eleição, realizada ainda durante a pandemia, certamente vão afastar eleitores. Reportagem publicada pelo Cruzeiro do Sul na edição de ontem (15) mostra que Sorocaba tem 485 mil eleitores aptos a votar. Esse número poderia ser bem maior se 47 mil eleitores não tivessem seus títulos de eleitor cancelados. Desse total, ironicamente, a falta de cadastramento biométrico — que será inútil neste pleito — foi o responsável pelo cancelamento de 37 mil títulos. E quase 10 mil títulos foram cancelados porque esses cidadãos não compareceram às urnas em três eleições consecutivas antes de 2018. Para quem não votou na eleição de 2018 não haverá problema, pois foi aberta uma exceção por conta da pandemia.

A quantidade no número de ausentes no próximo pleito tira o sono dos organizadores de campanhas e dos candidatos, pois tudo indica que será muito superior ao de eleições passadas. A abstenção tem crescido bastante desde as eleições de 2006. Nas últimas eleições, segundo dados do TSE, perto de 30 milhões de eleitores que estavam aptos para exercer o seu direito não compareceram às urnas e com isso o nível de abstenção foi de 20,3%, o mais alto desde 1998, quando 21,5% do eleitorado não votou.

A Justiça Eleitoral tem tomado medidas para tentar tornar a votação mais rápida e não afastar os eleitores. Em Sorocaba, por exemplo, serão 1.592 seções eleitorais, um aumento de 22,55% e 170 locais de votação, também 18,05% superior ao da eleição anterior. Esse aumento dos locais de votação tem como objetivo evitar aglomerações e filas nas seções eleitorais.

O TSE elaborou um protocolo sanitário para as eleições e para isso contou com a assessoria de médicos do Hospital Sírio-Libanês, do Hospital Albert Einstein e da Fiocruz. Serão aproximadamente 2 milhões de mesários para atender mais de 148 milhões de eleitores em todo o Brasil. Haverá distribuição de álcool em gel, máscaras de proteção e equipamentos para todas as sessões e os eleitores só terão acesso a esses locais se estiverem usando máscaras de proteção. Para evitar contágio, foi abolido do fluxo de votação o contato físico entre o eleitor e as pessoas que trabalham como mesários. Quem for votar vai se dirigir à mesa e exibir seu documento mantendo uma distância de um metro e meio do mesário. Em seguida o eleitor deverá higienizar as mãos, assinar a ata de votação, de preferência com caneta própria, votar e novamente higienizar as mãos. O eleitor só deverá solicitar a comprovação de votação se for precisar dela.

O País conta hoje com 133 milhões de eleitores com voto obrigatório e outros 14,5 milhões com voto facultativo. A grande maioria desses eleitores é composta por idosos. São 8,7 milhões na faixa entre 70 e 79 anos e 4,6 milhões de idosos entre 80 e 99 anos. Acredita-se que o número de abstenções nestas eleições deverá crescer bastante, por conta das particularidades do ano. Muitos idosos cujo voto é opcional poderão desistir de votar, e mesmo entre aqueles cujo voto é obrigatório, a abstenção pode ser grande. A multa de R$ 3,51 para cada turno que o eleitor faltou sem justificativa não assusta ninguém. O próprio TSE divulgou que os eleitores que estiverem fora do seu domicílio eleitoral no dia da eleição poderão utilizar o aplicativo e-Título para justificar sua ausência. O TSE liberou, no último dia 30 de setembro, a atualização do aplicativo que permite realizar a justificativa pelo celular ou tablet. Para justificar a ausência nas eleições, basta baixar e acessar o aplicativo e-Título e seguir as orientações, uma facilidade a mais que poderá aumentar o número de eleitores ausentes nas eleições deste ano.

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