Editorial

Educação para o trânsito

A educação no trânsito é fundamental para a diminuição dos acidentes e, consequentemente, de mortes nas ruas e rodovias
Trânsito na avenida Dom Aguirre, na área central da cidade. Foto: Emídio Marques

O trânsito mata e fere cada vez mais. Um levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca o Brasil como quarto colocado em número de mortes nas Américas, atrás somente da República Dominicana, Belize e Venezuela. São 47 mil mortes por ano no trânsito, enquanto que 400 mil pessoas ficaram com algum tipo de sequela. O custo dessa carnificina, além das perdas humanas segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária, é de R$ 56 bilhões, dinheiro suficiente para a construção de mais de 1.800 hospitais.

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Em Sorocaba, o trânsito violento também faz muitas vítimas. De janeiro a outubro do ano passado, últimos dados disponíveis, foram registradas 76 mortes no município, um aumento de mais de 15% em relação ao ano anterior. Essa escalada de mortes e acidentes chegou a diminuir há alguns anos, resultado direto da atualização da legislação brasileira e de algumas medidas práticas adotadas pelos governantes, mas voltaram a crescer em seguida. Essas medidas começaram em 1998 com a implantação do Código de Trânsito Brasileiro, seguida de outras medidas positivas, como a Lei Seca, que praticamente impede que motoristas que ingeriram bebidas alcoólicas sentem ao volante; obrigatoriedade do uso de cadeirinhas apropriadas para crianças; obrigatoriedade de airbags frontais e freios ABS para automóveis novos a partir de 2013. Este ano começa a obrigatoriedade de freios ABS em todas as motos fabricadas no País.

Esse quadro preocupante levou a Organização das Nações Unidas a criar a Semana Mundial da ONU sobre Segurança no Trânsito. A quinta edição da Semana, que acontece de 6 a 12 de maio deste ano, terá como foco a necessidade de lideranças fortes para reduzir o número de lesões e mortes nas ruas e estradas. O público-alvo é composto por líderes de governos, organizações não governamentais, escolas, fundações, universidades, empresas, entre outros. O evento também contribui para que sejam atingidas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), que entre outros objetivos, determina que, até 2020, seja reduzido pela metade o número global de mortes e ferimentos em acidentes nas estradas.

É nesse contexto que merece elogios a iniciativa da Cruzeiro FM 92,3 que chega à décima edição da campanha Motorista Legal. Em parceria com várias empresas, a emissora realiza blitze em diversos postos de combustíveis divulgando a necessidade de que os motoristas respeitem a legislação e tenham atitudes gentis no trânsito. Os organizadores das blitze abordam motoristas, motociclistas e pessoas que usam bicicleta, ou seja, todos aqueles que disputam espaço no trânsito conturbado da cidade. As pessoas abordadas recebem da equipe da emissora um kit composto por um lixinho de carro, balas personalizadas, um adesivo comemorativo e, o mais importante, um panfleto com dicas para o motorista conduzir seu veículo com segurança.

A educação no trânsito é fundamental para a diminuição dos acidentes e, consequentemente, de mortes nas ruas e rodovias. E esse é o objetivo da ONU. Um relatório mundial sobre segurança nas estradas, a OMS informa que os acidentes de trânsito são nos dias de hoje a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos. Nos últimos anos, o número de mortes nas rodovias em todo o mundo aumentou consideravelmente. Em 2009 morreram 1,2 milhão de pessoas nas estradas e em 2018 houve um salto para 1,35 milhão. As metas da ONU de redução de mortalidade no trânsito pela metade até 2020 será alcançada por alguns países, mas pelo andar da carruagem, o Brasil ficará de fora. Em dez anos a Espanha conseguiu reduzir em aproximadamente 80% seus acidentes e a Bélgica já chegou aos 30%. Para se ter uma ideia de quanto o Brasil está longe de ter um trânsito menos violento basta lembrar que os Estados Unidos, que têm uma frota seis vezes maior que a brasileira e uma população 70% maior, registraram 30 mil mortes no trânsito em um ano.

Mortes em acidentes de trânsito representam um preço inaceitável para a mobilidade. O poder público de todas as esferas tem a obrigação de melhorar a vida das pessoas e protegê-las dos riscos. Investir em engenharia de trânsito e em campanhas educativas são caminhos viáveis. Iniciativas como as da rádio Cruzeiro FM 92,3 podem ser uma gota no oceano, mas são um bom começo.

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