Editorial: Uma jovem moderna de 364 anos
Completar 364 anos não é para qualquer uma. Ainda mais com essa crise. A Sorocaba de 364 tem uma modernidade única. Que nos desculpem cidades maiores e mais novas, mas que não têm a mesma qualidade de vida. Que não têm a mesma beleza, a mesma limpeza, o mesmo povo.
Sorocaba de 364 anos, 100 anos a menos que a cidade de São Paulo, de onde partiram os exploradores do interior do Estado, é uma jovem cidade com muito a oferecer a quem aqui nasceu, a quem aqui chega.
Isso pode ser lido, observado, apreciado na revista A Cidade, que chega hoje aos assinantes do Jornal. É a moderna Sorocaba da economia do desenvolvimento, com foco naquilo que faz o verdadeiro desenvolvimento pessoal, profissional e de nossa região: a educação, a aquisição do conhecimento. Como poucas cidades no Brasil, nossa cidade aos 364 anos integra o conhecimento acadêmico, que começa nas escolas mais básicas, até chegar aos cursos mais avançados, superiores para atender o ambiente profissional do mundo. A prosaica vila é hoje um ambiente internacional com empresas de todas as partes do planeta, de cada segmento da economia: agrícola, aérea, automobilística, peças e acessórios, exportadoras, telecom, indústria de base, serviços, comunicação. E escolas, escolas, escolas. Boas escolas acima de tudo, seja para a formação da criança, do adolescente, dos jovens e dos adultos. Uma formação de qualidade, acima de qualquer coisa. Educação, cultura e lazer.
Se por alguns anos foi uma das 20 melhores cidades do País, essa menina de 364 anos perdeu pontos entre novas cidades que surgiram no Brasil -- mérito de cidades muito mais novas e administradas com eficiência. E, ainda, Sorocaba mantém seu desenvolvimento, "apesar de você", como diria a conhecida MPB (música popular brasileira, para quem se esqueceu dessa abreviação entre tantos sertanejos universitários e funks). Esse "apesar de você" é o retrato cruel que assola sobre o Brasil, com um desemprego que chega a ser indecente, que deixa com pouquíssima renda, sem emprego formal cerca de 1/3 da força de trabalho.
Sorocaba sente menos. Aqui, a crise cruel nos últimos três anos tirou do mercado de trabalho 21.800 trabalhadores. Mais cerca de 7 mil empregos que não foram criados. São dados do professor universitário e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz Leite, em entrevista à rádio Cruzeiro FM.
No entanto, Sorocaba prossegue e ignora o que poderia ser ainda pior. Bem pior.
A cidade conta, mesmo que de modo paliativo, com a solidariedade do sorocabano que é, naturalmente, muitas vezes sem se dar conta, um cidadão que trabalha voluntariamente com alguma, senão duas ou mais, organizações do terceiro setor, na melhoria ou, ao menos, no amparo da vida do próximo. Isso elimina a difícil situação econômica nacional? Não, mas alivia localmente.
Jovem senhora de 364 anos, Sorocaba celebra seu aniversário apesar de passar por uma das piores gestões legislativas de sua história. Escândalos que não fazem ninguém se surpreender mais, acordos cada vez mais fechados em si mesmo ou em busca de poder extra, representações que ignoram a população como um todo e presenteiam substratos profissionais, num completo desserviço a uma cidade que poderia ser ainda mais progressista, mas que vive, politicamente segura por mesmices antiquadas de ideologias decadentes.
Apesar daqueles, Sorocaba caminha dentro de um mundo moderno. Como deve ser. Como o leitor poderá ler com o presente do Jornal Cruzeiro do Sul, da Fundação Ubaldino do Amaral, à nossa querida cidade.
À nossa cidade de 364 anos, muitos anos de vida. E a todos nós.