Editorial

Bons ventos

Especialistas acreditam que dentro de pouco tempo a energia eólica será a 2ª fonte da matriz energética brasileira

A produção de energia eólica no Brasil vai de vento em popa. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), a capacidade instalada para a produção desse tipo de energia no Brasil subiu para 14,7 gigawatts (GW) no ano passado, um crescimento de 15,7% em relação ao ano anterior. O crescimento é significativo. O país já conta com 583 parques eólicos em 12 Estados, com destaque para o Rio Grande do Norte (150) e Bahia (135). De acordo com a entidade, no mês de dezembro de 2018 a energia eólica representou 9% de participação na produção energética nacional, sendo a terceira fonte mais representativa. A segunda fonte foi a biomassa que em dezembro de 2018 gerou 9,1% de toda a energia produzida no Brasil.

Os especialistas trabalham com a informação de que dentro de pouco tempo a energia eólica será a segunda fonte da matriz energética brasileira, um fato surpreendente tendo em vista que essa fonte se desenvolveu de maneira mais intensa somente em uma década. Levando-se em conta apenas os contratos já assinados para a construção de parques eólicos, o Brasil terminará o ano de 2024 com capacidade instalada de 19 MW de energia eólica. No ano passado o país assumiu a oitava colocação no ranking de produção de energia eólica mundial. No primeiro mês deste ano, a produção eólica brasileira aumentou 25,7% em relação ao mesmo período do ano anterior de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia elétrica (CCEE).

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Certamente não será por outro motivo que uma grande produtora de componentes para aerogeradores que havia transferido o local de produção de pás geradoras trouxe de volta a produção para o município. A empresa, que chegou a ter dez plantas na cidade e havia mudado parte da produção para o Nordeste, retornou a Sorocaba para produzir pás eólicas que serão exportadas para os Estados Unidos. Pesou para a retomada da produção local a mão de obra especializada disponível no município e o grande potencial produtivo. Nesse reinício de produção já foram contratados mais de 400 trabalhadores para produzir pás de dimensões menores que as habituais, para exportação aos Estados Unidos e Espanha, segundo fontes da empresa.

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) criou uma “supersecretaria” de Energia, Saneamento, Recursos Hídricos e Meio Ambiente e por meio dela pretende reforçar o parque industrial paulista investindo em fontes de energias renováveis para suprir com equipamentos produzidos aqui os parques espalhados pelo país. A secretaria também pretende incentivar a produção de placas fotovoltaicas.

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O crescimento do aproveitamento da energia solar e energia eólica poderá beneficiar bastante a região de Sorocaba. O município é pioneiro na fabricação de componentes para aerogeradores e tem um bom parque industrial instalado para atender a demanda. As empresas instaladas em Sorocaba atendem o mercado interno e exportam parte da produção. Está instalada também na cidade filial de uma das maiores produtoras mundiais de placas fotovoltaicas, componente fundamental para a produção de energia solar.

Essa vocação para a produção de equipamentos e componentes para a geração de energia limpa e a concentração de profissionais experientes nesse setor é que levaram à criação do primeiro Arranjo Produtivo Local (APL) de energias renováveis do Brasil. O objetivo é reunir a capacidade das empresas desse setor aqui instaladas com o conhecimento gerado pelas universidades locais, absorvendo investimentos voltados para esse setor. O incentivo do poder público para o desenvolvimento da APL é fundamental. A troca de experiências e conhecimentos entre faculdades e as indústrias poderão atrair ainda mais empresas especializadas em energia limpa e renovável. Uma área de crescimento garantido nos próximos anos em um mundo cada vez mais carente de energia e refratário às fontes de energia poluidoras.

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