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Editorial

As obras do BRT

A implantação do sistema vem sendo ensaiada desde o governo municipal anterior

As obras do BRT (Bus Rapid Transit) chegaram ao corredor formado pelas avenidas Antonio Carlos Comitre e Izoraida Marques Peres, no Parque Campolim, e a exemplo do que já ocorreu na zona norte da cidade, está sendo alvo de reclamações.

Motoristas que usam aquelas vias, passageiros do transporte coletivo e, sobretudo, comerciantes queixam-se, com razão, dos efeitos das obras e reclamam dos prejuízos.

Os comerciantes que têm seus estabelecimentos localizados na pista direita da avenida, no sentido Sorocaba-Votorantim, acusam prejuízos e calculam que o volume de vendas caiu em virtude das obras perto de 30%, um baque pesado nesta época do ano em que as vendas começam a tomar volume com a chegada das compras de final de ano.

O BRT que está sendo implantado em Sorocaba é um projeto audacioso de transporte coletivo.

Projetos semelhantes já foram implementados em várias cidades brasileiras e, na maioria dos casos, têm dado bons resultados e servido de estímulo para o uso de um tipo de transporte coletivo que se caracteriza pela qualidade do serviço e que também oferece segurança e conforto aos passageiros.

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A necessidade de criação de corredores especiais para os ônibus, o tipo diferente de estações, entre outras peculiaridades, requerem intervenções de vulto no seu traçado.

A implantação do sistema vem sendo ensaiada desde o governo municipal anterior, mas a burocracia e os trâmites que envolvem projetos desse vulto e custo foram adiando o início das obras que só começaram em setembro do ano passado.

As obras começaram pelo eixo da avenida Itavuvu, na zona norte, a região mais populosa da cidade e que necessita com urgência de um tipo de transporte coletivo mais avançado.

O que os comerciantes da zona sul da cidade reclamam hoje — obras em frente aos estabelecimentos, obstrução do acesso a estacionamentos e consequente queda nas vendas — vem afligindo os comerciantes da zona norte há um ano.

O impacto na região foi grande, com a colocação de tapumes em vários trechos da via, inclusive nos canteiros centrais, interditando parcialmente as ciclovias.

Em determinado período, a Concessionária BRT, responsável pelas obras e que vai operar o sistema, implantou um sistema de dois turnos para apressar as obras.

Curioso é que mesmo antes do grande número de reclamações, o então secretário de Mobilidade e Acessibilidade concedeu uma entrevista no dia 22 de setembro do ano passado em que garantia que as obras na Itavuvu seriam realizadas em trechos de 300 metros e que as obras durariam cinco meses. Já se passaram 14 meses e ainda temos canteiros de obras naquela região da cidade.

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As intervenções da Antonio Carlos Comitre e Izoraida Marques Peres serão proporcionalmente mais simples do que na Itavuvu.

O projeto prevê que tanto no corredor da avenida Antonio Carlos Comitre como no da avenida São Paulo os ônibus terão faixas exclusivas ou preferenciais, mas não haverá uma faixa central e o embarque continuará sendo feito pela direita, em pontos de ônibus especiais, que obedecem ao padrão do projeto.

Há no mundo da política certo frenesi quando se aproximam as eleições: os administradores da ocasião se apressam em entregar o maior número de obras possíveis para garantir uma boa imagem junto ao eleitorado.

As obras do BRT são as joias da coroa da atual administração e  abrir várias frentes de trabalho para dar maior impacto na opinião pública deve ser uma ação tentadora.

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Mas a prudência ensina que muitas vezes é melhor garantir o que é possível do que dar um passo maior do que a perna.

Se a Concessionária BRT Sorocaba não conseguiu concluir o eixo Itavuvu, onde trabalha há mais de um ano, não é aconselhável abrir outras frentes de trabalho, como nas avenidas São Paulo e Armando Pannunzio, antes de consolidados os trechos já iniciados.

O BRT é um projeto complexo, tem um custo bastante alto (estimado em R$ 384 milhões) e está sujeito a uma série de interferências.

Podem ocorrer atrasos nas transferências de recursos, podemos ter um período de chuvas mais longo e severo, e uma série de outros problemas imprevisíveis quando se realizam obras civis em avenidas de grande movimento.

De nada adiantaria a Prefeitura e a concessionária iniciarem a implantação em outros eixos sem ter plena certeza de que as obras poderão ser concluídas até o ano que vem.

Caso contrário, restará à atual administração entregar uma série de esqueletos de obras ao próximo prefeito.

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