Editorial

As obras do BRT

Dentro de pouco tempo a quarentena contra a Covid-19 deve terminar e o trânsito deverá voltar ao normal

Apesar da política de distanciamento social adotada pelo município de Sorocaba, nem sempre cumprida à risca pelos cidadãos, é possível perceber que a cidade se transformou em um verdadeiro canteiro de obras para a implantação do sistema BRT (ônibus rápido), com trânsito difícil em várias vias.

Inicialmente, as obras se concentraram no eixo da avenida Itavuvu, que corta a região mais populosa da cidade e que, por conta disso, é prioritária para a implantação do novo sistema.

Durante mais de um ano, as interferências na avenida causaram grandes transtornos, com congestionamentos diários em diversos pontos, principalmente nos chamados horários de pico e problemas para os comerciantes locais.

Os ônibus articulados do BRT se utilizam nos grandes eixos de faixas exclusivas junto ao canteiro central, onde são instaladas as estações de embarque, com passageiros entrando nos veículos pelo lado esquerdo, daí a necessidade de obras de complexas nessas vias.

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Mesmo sem ter concluído o primeiro corredor exclusivo, no início deste ano começaram as obras em outro corredor exclusivo, o da avenida Ipanema, igualmente na zona norte, e em alguns corredores estruturais, como avenida São Paulo, Washington Luiz, Comendador Pereira Ignácio, entre outros.

São muitas frentes de trabalho abertas ao mesmo tempo. Só não ocorreram grandes congestionamentos em algumas dessas vias por conta da quarentena que começou em meados de março e fez com que caísse sensivelmente o número de carros nas ruas.

É evidente que a Prefeitura tem interesse que as obras sejam concluídas o mais rápido possível. De preferência antes das eleições municipais. Se não todo o projeto, ao menos que seja concluído uma boa parte dele que permita colocar o BRT em funcionamento. Mas há muito chão pela frente.

Mesmo nas vias que não são consideradas corredores exclusivos, no caso Itavuvu, Ipanema e Oeste (avenidas General Carneiro e Armando Pannunzio), há muitas obras a serem realizadas.

As vias chamadas estruturais precisam de obras no pavimento junto às estações de embarque, com a retirada de todo o asfalto em uma grande extensão para a construção de um novo pavimento, de concreto e ferro, para suportar o peso e a parada constante dos ônibus articulados, muito mais pesados que os ônibus convencionais.

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Na avenida Ipanema, outro corredor expresso, as obras também avançam, mas há muita coisa ainda a ser feita. As obras começaram também no corredor Leste (avenida São Paulo) e prosseguem em trechos da General Osório e outras vias.

A construção do corredor Oeste ainda não começou, e quando isso acontecer deverá causar muitos problemas no trânsito, pois será necessária a interdição de uma pista de cada lado das avenidas.

No início de maio a empresa responsável pelas obras anunciou que foram concluídas todas as obras da avenida Comendador Pereira Inácio, que faz parte do Corredor Estrutural Sul.

Essa via é a principal ligação entre a região central da cidade e a avenida Washington Luiz. O trecho concluído possui 600 metros de extensão que conta agora com cinco novas paradas de ônibus e pistas renovadas e com nova sinalização. Essa via é importante por atender o Conjunto Hospitalar de Sorocaba.

O projeto inicial do BRT de Sorocaba prevê ainda obras em outras vias importantes, além de 28 estações preferenciais, quatro estações de integração, três novos terminais e 96 pontos de parada requalificados.

A cidade também começa a receber os novos ônibus que vão operar o sistema. Serão adquiridos ao todo 125 carros para atender a população. As primeiras unidades estão recebendo os equipamentos do sistema ITS que é composto por wi-fi, câmeras de vídeo, painéis de mensagens, validadores e sensores de portas.

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Dentro de pouco tempo a quarentena contra a Covid-19 deve terminar e o trânsito deverá voltar ao normal. Com tantas obras espalhadas pela cidade, com as principais vias com desvios, o sorocabano terá que ter muita paciência para fazer seus deslocamentos diários de carro.

Resta saber se a empresa responsável pela implantação do novo sistema de transportes terá condições de concluir as obras já iniciadas e implantar as adaptações no eixo Oeste até o final do ano. Há um fator que pode atrapalhar as obras e que não estava previsto e que, esperamos, não afete sua conclusão.

O projeto chega a um ponto avançado e dispendioso justamente quando todos os níveis de governo sentem queda brusca de arrecadação por conta da quarentena e aumentam os gastos no combate à pandemia.

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