Editorial

As crianças que nos preocupam

A notícia que mexe com o coração de todos, nessa semana que está quase ao final, é o jogo do Brasil, tudo ou nada. Portanto, talvez, mexe com menor atenção o futuro das crianças.

Mas quais crianças nos preocupam?

Na Tailândia, 12 meninos e seu treinador de futebol, depois de um passeio, fugindo de fortes chuvas entraram numa caverna que acabou sendo inundada pelas águas, forçando o grupo a buscar refúgio numa parte alta, bem longe da entrada. Todo o caminho permanece inundado. Com muita determinação e apoio do governo tailandês, mergulhadores da Marinha conseguiram chegar o local e estão fazendo o possível para tirá-las de lá as com vida. Essa situação, contra vontade de qualquer ser humano, já acontece há duas semanas. Tirar esse grupo de meninos a salvo tornou-se uma questão que ultrapassa qualquer outro fator, como o orgulho nacional. É um caso traumático de humanidade e respeito à vida que pode ter uma boa solução.

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Existe um outro grupo de crianças que estão presas contra a vontade e separadas de seus pais há mais de 40 dias. São mais de 3.000, filhos de imigrantes e/ou refugiados que entraram ilegalmente nos EUA e estão presos. Não bastasse a privação da liberdade por alguém que procurava segurança e trabalho para sua família, são crianças, muitas delas ainda precisando dos cuidados dos pais. Estão presas e sem o contato ou cuidados destes. Isso acontece no país que foi o campeão da democracia e direitos humanos. E, em especial, um país ainda muito jovem, que tem sua população formada por imigrantes. Parte desse enorme grupo, 51 brasileirinhos continuam presos. Qual é a intervenção que fez o governo brasileiro para libertar essas crianças? Conversas diplomáticas, ouvir pessoalmente do vice-presidente americano que é assim mesmo e abanar as mãos para, no máximo, uma viagem a Nova York por parte do chanceler brasileiro, que vai se reunir com outros colegas para tratar dessa situação. É um caso traumático e de desrespeito à vida de menores que não está tendo uma boa solução.

Mais próximo de Sorocaba, em Araçariguama, uma menina é morta por engano, aparentemente, porque seria um recado aos devedores de traficantes de drogas. Simples, uma dívida de R$ 7.000,00 em aberto, um recado passado por terceiros, uma criança morta. Tudo um grande engano. Crianças que estão expostas à crueldade de um submundo que existe em muitos bairros em nossa cidade e região. É um caso traumático e de desrespeito à vida, que não tem uma boa solução à vista.

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Em Sorocaba, cada vez menos, mas ainda uma prática nos cruzamentos do trânsito da cidade, crianças são usadas como motivo de sensibilização para esmolas. Em outros pontos da região, em especial em finais de semana, a frequência de menores desacompanhados em bailes funk e afins, em shows de música ao ar livre, em festas públicas. Nas escolas públicas, apenas entre as municipais, a terrível marca de, por dia, mais de uma invasão, furto e/ou depredação desde o começo deste ano de 2018. Em escola de crianças, crianças e jovens adultos praticam vandalismo como se isso fosse algo normal. Muitas famílias ainda acreditam que cabe à escola toda a responsabilidade pela educação das crianças e abstêm-se de sua responsabilidade de educar princípios básicos como comportamento, valores, respeito ao próximo. São casos traumáticos e de desrespeito à vida de toda uma geração que pode, se quisermos, ter uma boa solução à vista. Porque basta querermos agir. O solidário cidadão de Sorocaba sabe como.

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