Editorial

Áreas invadidas

A invasão de áreas públicas e particulares é uma atividade comum em muitos municípios brasileiros. São mais comuns, entretanto, nos municípios de médio para grande porte onde ocorrem processos rápidos de industrialização, atraindo migrantes de outras regiões ou da área rural que se deslocam em busca de oportunidades de trabalho e não encontram nas cidades políticas públicas adequadas de habitação. As invasões podem ocorrer de maneira organizada, quando têm por trás interesses políticos na coordenação do movimento. Quando isso ocorre, áreas particulares ou públicas, até mesmo áreas de proteção permanente são invadidas de um dia para outro e um pequeno bairro de barracos de lona surge no local em alguns dias. Mas o mais comum é a ocupação lenta e discreta de áreas por pessoas que, aos poucos, vão construindo suas casas e atraindo mais invasores. Em alguns meses temos um novo bairro sem qualquer planejamento urbanístico, um foco de dor de cabeça para as autoridades para os próximos anos, pois esses locais evidentemente não respeitam arruamento correto, ligações de água são improvisadas, não há redes de esgoto e a energia elétrica também é conseguida de maneira não convencional.

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Como constatou a reportagem, chama a atenção o número de casas construídas de maneira improvisada, sem critérios de urbanização, no final da avenida Elias Maluf, no Wanel Ville, em um local de mata. O número de construções clandestinas se multiplicou em pouco tempo preocupando os moradores do bairro. O caso chegou a ser denunciado ao Ministério Público do Estado de São Paulo. Outras áreas ocupadas são facilmente identificadas na zona norte da cidade. Há uma invasão entre os bairros Nova Sorocaba e Santa Rosa, que já foi tema de reportagem deste jornal, e entre os bairros Herbert de Souza e Paineiras. Essas invasões têm como caraterística a ocupação de áreas de mata e construções cada vez mais próximas de córregos, o que apresenta duplo risco. As moradias improvisadas podem ficar sujeitas a inundações em épocas de chuva forte e contribuirão para a poluição do córrego com o despejo irregular de esgoto, comprometendo aos poucos todo projeto de despoluição do rio Sorocaba.

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As invasões ocorrem também com frequência em municípios da Região Metropolitana de Sorocaba. Em Votorantim há várias áreas invadidas e uma delas foi tema de reportagem recente do Cruzeiro do Sul. Trata-se de uma área próxima à SP-79. Em julho, quando foi feita a reportagem, cerca de 300 pessoas ocupavam uma área que tem aproximadamente 27 alqueires. Esta semana o número de ocupantes é visivelmente maior. Em outra área, próxima à rua Lourenço Gomes, já são mais de 100 barracos construídos.

As invasões e ocupações irregulares historicamente são embriões de novas favelas ou de bairros sem qualquer planejamento que no futuro trarão inúmeros problemas para o poder público. E Sorocaba tem exemplos clássicos de grandes áreas invadidas que demoraram décadas para serem urbanizadas. Com a rápida onda de industrialização da cidade nos anos 1970, muitas foram invadidas em Sorocaba. Foram várias áreas na zona norte e uma região da zona leste onde hoje existem os bairros Sabiá, João Romão e parte da Vila Colorau. Estes últimos surgiram de loteamentos irregulares e invasões. A movimentação da Prefeitura de Sorocaba para urbanizar essa região da cidade remonta àquela época e começou pela implantação de redes de água e esgoto por questões sanitárias. A mortalidade infantil era alta naquela região. Em seguida foram sendo realizadas obras para urbanizar a área, processo que demorou vários anos. No início dos anos 1980 teve início a regularização fundiária, processo que se arrasta até hoje, dada a sua complexidade.

Não foram poucas as áreas invadidas nos últimos anos em regiões muito próximas ao rio Sorocaba ou a córregos e que ficam sujeitas a inundações. Para evitar situações mais graves, onde a vida dessas famílias corre risco, a prefeitura se vê obrigada a retirar essas famílias das áreas de risco removendo-as para conjuntos habitacionais populares. Como se vê, evitar o surgimento de ocupações irregulares ou mesmo favelas pode evitar inúmeros problemas e gastos para o município.

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As invasões de áreas e surgimento de loteamentos clandestinos precisarão ser acompanhadas de perto pelo futuro prefeito (a) da cidade. O poder público precisa manter fiscalização rigorosa para evitar problemas maiores no futuro.

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