Editorial

Ainda os pancadões

Na região central da cidade um homem foi flagrado dando bebida alcoólica para uma adolescente de 15 anos

Há mais de um ano ações conjuntas que mobilizam a Polícia Militar, Guarda Civil Municipal e Polícia Civil, além de fiscais da Prefeitura, tentam pôr fim aos chamados pancadões, reunião de jovens que atravessam a madrugada, cuja principal característica é o som excessivamente alto e o uso indiscriminado de bebidas alcoólicas e drogas.

No último final de semana, por exemplo, em mais uma operação “Paz e Proteção”, a Polícia Militar aplicou nada menos que 75 multas em veículos irregulares e 40 deles foram guinchados.

Na operação, duas pessoas foram presas e um menor apreendido. Na mesma oportunidade, segundo o setor de Relações Públicas da PM, foram realizadas operações em diversas regiões de Sorocaba, entre elas o Centro e os bairros Paineiras, Ipiranga, Vitória Régia, Zacarias, João Romão, Sabiá, Habiteto e Nova Esperança.

Nessa operação foram fiscalizados 475 veículos e as multas referem-se a falta de habilitação, falta de licenciamento, entre outras irregularidades.

No mesmo final de semana a operação abordou 929 pessoas, sendo que um menor foi apreendido por estar com drogas e um adulto também foi flagrado com entorpecentes.

Na região central da cidade um homem foi flagrado dando bebida alcoólica para uma adolescente de 15 anos.

Os chamados pancadões nada mais são que uma aglomeração de pessoas, geralmente jovens e menores de idade, que se reúnem em torno de carros equipados com aparelhos de som potentes.

O que seria uma simples atividade de lazer e descontração entre rapazes e moças, entretanto, ganha ares sinistros pelos locais escolhidos para esses encontros, geralmente na periferia da cidade, pelos horários — a maioria atravessa a madrugada — e pelo volume absurdamente alto do som, o que afeta os moradores de todo o bairro que não conseguem dormir.

Some-se a isso a livre circulação de bebidas alcoólicas, consumidas inclusive por menores de idade, e o consumo de entorpecentes pelos participantes.

São dezenas, às vezes centenas de carros estacionados irregularmente, atrapalhando a circulação de outros veículos e até o acesso de moradores a suas casas.

Não é incomum a polícia ou a GCM apreenderam grandes quantidades de drogas dias antes dos pancadões, que seriam vendidos durante esses encontros.

Não é de hoje que as autoridades tentam inibir a realização desses encontros que prosseguiram mesmo durante a pandemia, quando os jovens ignoraram todas as regras de distanciamento social que a pandemia exige e as recomendações que as autoridades sanitárias recomendam.

Em junho, por exemplo, quando o Estado de São Paulo vivia período mais restritivo de isolamento social por conta do novo coronavírus, a Polícia Militar e a GCM atenderam a uma denúncia do Ministério Público e chegaram a um pancadão clandestino que era realizado em uma chácara e que reunia mais de mil pessoas.

A distribuição de bebidas alcoólicas e drogas era farta e ninguém usava máscaras protetivas e muito menos outros dispositivos recomendados no combate à pandemia.

Para se ter uma ideia da quantidade de drogas que circulam nesses encontros, em meados de agosto a GCM apreendeu 6.500 porções de maconha, crack e cocaína, parte dos entorpecentes que seriam distribuídos nos pancadões daquele final de semana.

Mas o aspecto mais perverso desses encontros é o prejuízo que causam aos moradores que têm a infelicidade de morar perto dos pontos escolhidos para os pancadões.

Além de praticamente impedir a circulação de veículos, o som alto e a bagunça generalizada praticamente impedem que essas pessoas, em sua maioria trabalhadores que tem que dar duro no dia seguinte, consigam descansar.

Foi para impedir esses abusos que foi criado um projeto de lei na Câmara de Vereadores que proíbe a utilização de vias públicas, parques, praças, pistas de caminhadas e demais logradouros para a realização de pancadões.

O projeto também proíbe eventos musicais não autorizados ou que utilizem de equipamentos de som instalados em veículos automotores.

A proibição se estende também a locais privados, como postos de combustíveis e estacionamentos para esse tipo de evento.

Nesta semana, o projeto de autoria do vereador Hudson Pessini (MDB), que já havia sido aprovado por unanimidade na primeira votação em 13 de agosto, voltou a ser aprovado por unanimidade em segunda discussão na última quarta-feira, com emendas que melhoraram o projeto.

Assim que a lei for sancionada, os participantes dos pancadões também estarão sujeitos a multas que podem chegar a R$ 3 mil e ter veículos e aparelhos de som apreendidos.

Dessa maneira, a nova legislação é mais um instrumento para coibir esse tipo de reunião que só leva problema aos bairros e prejudica a maioria da população.

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