Editorial

A reabertura dos cemitérios

Doença ainda pouco conhecida também alterou completamente os rituais de sepultamento

Depois de idas e vindas, os cemitérios de Sorocaba, tanto os públicos como os particulares, abriram nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, para as tradicionais visitas das pessoas que desejam prestar homenagens a seus parentes ali sepultados.

O Dia de Finados e a visitação em massa aos cemitérios é uma tradição em muitos países, inclusive no Brasil. Além das visitas aos túmulos de amigos e familiares, faz parte do ritual a realização de missas e cultos de várias correntes religiosas e a apresentação de corais, nesse dia de reverência aos que já morreram.

Este ano, entretanto, as homenagens aos mortos foram bastante diferentes, pois é a primeira vez que os cemitérios são abertos depois de sete meses.

Os cemitérios foram os primeiros locais públicos fechados por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus. Doença ainda pouco conhecida, ela também alterou completamente os rituais de sepultamento a que os brasileiros estão acostumados há séculos.

Pessoas que faleceram vítimas da Covid-19 não tiveram direito de ser veladas e foram, por determinação legal, sepultadas nas horas seguintes após a constatação da morte.

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Mesmo as pessoas que faleceram de outras enfermidades ou em acidentes tiveram um tratamento diferente. Não foram mais permitidos velórios com várias horas de duração, muitas vezes atravessando a noite.

Os velórios foram reduzidos a duas horas e o número de pessoas presentes nesse período também foi drasticamente reduzido, limitando-se aos parentes mais próximos.

Há sete meses, portanto, houve uma alteração muitas vezes dolorosa na rotina dos sepultamentos, impedindo até que a própria família se despedisse do morto.

Durante todo esse tempo, os cemitérios permaneceram fechados à visitação e só eram abertos para sepultamentos, muitas vezes durante a noite, quando se tratava de vítimas da Covid-19.

Um dos cemitérios públicos de Sorocaba, o Santo Antônio, construiu uma ala exclusivamente para o sepultamento das vítimas da pandemia.

Inicialmente, a decisão da Prefeitura era de não abrir os cemitérios neste Finados, por razões sanitárias. Mas como Sorocaba e municípios da região encontram-se na chamada fase verde do Plano São Paulo de abertura da economia, um grupo de especialistas que dá assessoria ao governo paulista foi consultado e a visitação foi liberada, desde que mantendo-se o distanciamento social, com número limitado de visitantes e com o uso obrigatório de máscaras de proteção.

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Com esse parecer da equipe médica do governo, a Prefeitura de Sorocaba resolveu abrir as portas dos cemitérios a partir do feriado desta segunda-feira (2).

Para evitar aglomerações e concentração de visitantes, poderia ter seguido o exemplo de algumas prefeituras da região que liberaram as visitas a partir do último sábado, diluindo assim a concentração de pessoas que forçosamente acabou acontecendo nesta segunda-feira (2).

Foi o que ocorreu, por exemplo, em Itapetininga e Iperó, que reabriram os locais desde sábado. Neste último município, houve aferição de temperatura dos visitantes na porta do cemitério.

O número de visitantes nos cemitérios de Sorocaba é tradicionalmente grande. No ano passado, por exemplo, calcula-se que pelo menos 50 mil pessoas circularam pelos seis cemitérios da cidade.

O levantamento do número de visitantes de ontem não foi divulgado ainda, mas o movimento foi grande desde cedo e certamente teria sido menor se os locais estivessem abertos desde o início do feriado prolongado.

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Para evitar as tão indesejadas aglomerações, os cemitérios decidiram não permitir a realização de missas, cultos nem apresentações musicais este ano, mesmo se tratando de locais abertos.

Além da preocupação com a transmissão do novo coronavírus, as autoridades sanitárias intensificaram também a fiscalização para impedir a introdução nos cemitérios de vasos e embalagens de flores que possam acumular água.

É que além do perigo da Covid-19, Sorocaba e algumas cidades da região temem nova epidemia de dengue. Os casos dessa doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, têm aumentado consideravelmente nas últimas semanas e constatou-se que o mosquito infesta muitos bairros da cidade.

Trabalho da Secretaria da Saúde do município mostra que o índice da Avaliação de Densidade Larvária (ADL) de Sorocaba ficou em 1,1%, o que coloca a cidade em situação de alerta para a infestação do mosquito.

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