A mulher e o Outubro Rosa

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O mês de outubro entra na última semana e habitualmente, nos últimos anos, este período também tem concentrado o auge das atividades que compõem as programações da campanha de prevenção e combate ao câncer de mama e de colo do útero. Uma das atividades é a 5ª Edição da Corrida Pink do Bem, promovida pela Liga Sorocabana de Combate ao Câncer, que tem largada programada para as 7h30 deste domingo no Parque das Águas. É o Outubro Rosa em favor da mulher, do direito à saúde e à vida.

Para se ter dimensão real do desafio para a saúde pública, em Sorocaba, segundo a Prefeitura, mais de 230 mulheres, entre 2018 e o primeiro semestre deste ano, foram diagnosticadas com câncer de mama ou de colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS). Dessas, 206 tiveram tumor na mama e outras 28 no colo do útero. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que por ano são diagnosticados cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama no Brasil e outros 16 mil de câncer de colo do útero. Especialistas lembram que uma em cada oito mulheres pode desenvolver a doença, porém 60% dos casos só são diagnosticados quando já estão bastante avançados.

O diagnóstico precoce faz a diferença no tratamento e na busca da cura e este é o foco da conscientização promovida pela campanha Outubro Rosa. O autoexame é a maneira mais efetiva de perceber a doença. Toda mulher, a partir dos 40 anos, deve realizar a mamografia. E as mulheres têm atendido à convocação para a batalha pela saúde. Segundo a Prefeitura de Sorocaba, na rede pública de saúde do município foram realizados 20.398 exames desse tipo no ano passado e 10.293 entre janeiro e julho de 2019. Nos primeiros oito meses deste ano, aconteceram 55.713 consultas ginecológicas na cidade. E o Ônibus Rosa, no mesmo período, registrou um total de 2.786 atendimentos.

A campanha começou nos Estados Unidos. Em 1990, a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu laços cor-de-rosa aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada naquele ano em Nova York. Foi uma iniciativa inspiradora, que repercutiu em todo o mundo. A primeira iniciativa de iluminação rosa no Brasil aconteceu em 2002, com foco no Obelisco do Ibirapuera. A ideia ganhou força. Em 2008 praticamente todas as grandes cidades receberem ações desse tipo. A estátua do Cristo Redentor ganhou iluminação rosa nesse ano pela primeira vez. De lá para cá, a ideia foi adotada por empresas, entidades e instituições públicas que se engajaram na campanha. A Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), por meio do Cruzeiro do Sul, também tem efetiva participação na campanha. É inegável que o apoio da mídia, com o reforço das redes sociais, impulsiona a luta brasileira e mundial pela saúde da mulher.

Esta é uma batalha de toda a sociedade. Deve incluir também o envolvimento dos homens no apoio às mulheres, além da participação das autoridades responsáveis pelas políticas públicas nos diferentes níveis de governos. Isso porque, não basta a conscientização pela prevenção. As estruturas de saúde precisam garantir o atendimento adequado com os devidos suportes para consultas em prazos aceitáveis, equipamentos para exames e laboratórios, recursos para pesquisas.

O importante é que o Outubro Rosa consiga disseminar cada vez mais a cultura da prevenção do câncer, do autoexame e da mamografia periódica. Tratado a tempo, o câncer tem cura. Há histórias emocionantes de milhares de mulheres que enfrentaram o drama de lutar contra a doença, sobreviveram e hoje são exemplos de saúde e qualidade de vida. Precisamos de ainda mais exemplos vitoriosos como esses.