Editorial

A importância das vacinas

A queda na cobertura vacinal no Brasil tem preocupado as autoridades sanitárias há algum tempo

A pandemia do novo coronavírus afetou a todos, indistintamente, e causou estragos profundos na área da Saúde, como já foi comentado neste espaço.

A ameaça de contaminação fez com que muitas consultas e exames agendados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) fossem cancelados ou adiados, o que provocou a formação de filas gigantescas que precisarão ser eliminadas nos próximos meses, mesmo sem a pandemia ter terminado.

Outro efeito perverso foi o comportamento de muitas famílias que, com medo de contaminação, deixaram de levar crianças e adolescentes para as vacinações programadas, embora as salas de vacinação tenham permanecido abertas por todo esse tempo e preparadas para fazer uma imunização segura.

A esse medo de expor as crianças em um ambiente supostamente perigoso, soma-se uma queda na procura por vacinas que já vinha sendo registrada há vários anos, um problema sério que, caso não seja encaminhado corretamente, pode se transformar em uma espécie de bomba-relógio na área da saúde, pois sem atingir as metas de vacinação, o País deve conviver em breve com um cenário mais grave do que a Covid em crianças, com doenças que podem retornar e atingir essa faixa etária com mais gravidade que o novo coronavírus.

Os epidemiologistas alertam que a Covid tem se mostrado uma doença que atinge menos as crianças, ao contrário das doenças evitáveis pela vacinação que já fazem parte do calendário das secretarias de Saúde.

Esses profissionais alertam que se preocupar com a Covid é importante, mas não se pode deixar que doenças que não existiam mais no território brasileiro voltem e tragam mortes ou sequelas irreversíveis para as crianças.

Nunca é demais lembrar que com menos de dois anos com a vacinação contra o sarampo abaixo da meta recomendada, a doença voltou a fazer vítimas no País e hoje já foi detectado em 21 Estados e continua fazendo vítimas.

A queda na cobertura vacinal no Brasil tem preocupado as autoridades sanitárias há algum tempo.

Desde 2013 a vacinação para doenças como caxumba, sarampo e rubéola vem caindo ano a ano e ameaça criar áreas onde as pessoas estarão sujeitas a doenças que há tempos não víamos, mas que são perigosas e fatais.

E tudo isso ocorre em um País que é reconhecido internacionalmente pelo seu bem sucedido programa de imunização que distribuiu vacinas gratuitamente à população por meio do SUS, que hoje oferece 27 tipos de vacinas diferentes à população.

Mas nos últimos anos está cada vez mais difícil para o governo cobrir as metas de imunização das diferentes vacinas.

No caso da poliomielite, responsável pela paralisia infantil, a doença está erradicada do Brasil desde 1990, mas a taxa de imunização vem caindo ano a ano e não tem alcançado a meta recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na última segunda-feira começou a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite para crianças de até 5 anos de idade.

Em Sorocaba, a vacina estava à disposição da população nas 32 Unidades Básicas de Saúde, mas no primeiro dia a procura esteve bem abaixo do esperado.

O objetivo é imunizar pouco mais de 31 mil crianças na cidade. A estimativa do Ministério da Saúde é que haja 11,2 milhões de crianças nessa faixa etária e a meta é imunizar 95% desse público.

Paralelamente, foi lançada também a Campanha Nacional de Multivacinação dirigida a crianças e adolescentes menores de 15 anos, não vacinados ou com esquemas incompletos de vacinação nos últimos anos.

Essa foi a maneira encontrada pelas autoridades sanitárias de tentar cobrir as falhas de vacinação dos últimos anos e evitar a formação de grupos de pessoas sem imunização, um risco grande para a saúde da população.

São dez vacinas diferentes à disposição da Campanha de Multivacinação que imunizam contra grande número de doenças.

A mobilização dessas duas campanhas de caráter nacional vai até o dia 30 de outubro nos postos de saúde que devem ser procurados mesmo com a pandemia de Covid-19, pois a vacina é extremamente importante para manter as crianças imunes à doença.

Também visa a conscientização da população sobre a importância da proteção contra diversas doenças, no âmbito do Movimento Vacina Brasil, lançado no ano passado justamente para combater as fake news a respeito do assunto e melhorar a cobertura vacinal da população.

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